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Edição 24 - Abril/2006
 
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  Bursite,um problema de mecânica
Desencadeada especialmente por movimentos repetitivos, essa inflamação nas articulações provoca dor intensa, capaz de impedir a realização das mais simples tarefas e de afetar a qualidade de vida

POR ROSE MERCATELLI
FOTO FERNANDO GARDINALI

Diagnóstico deve ser cuidadoso

Como, afinal, distinguir a dor da bursite daquela originada por um estiramento de músculo ou de um tendão? Neste caso, a principal diferença é que o estiramento provoca dores quando o músculo (ou o tendão) lesado é acionado para fazer algum tipo de movimento. Já a inflamação da bursa dá sinal em feitas manobras como levantar o ombro, 'jogá-lo' para trás e abrir os braços. Mesmo se os membros superiores estão relaxados ao lado do corpo, muitas vezes quando há um movimento de oscilação ainda que leve, a dor causada pela bursite pode aparecer. Outra diferença: na doença que ataca o presidente Lula a fisgada sempre ocorre no mesmo lugar toda vez que a bolsa (bursa) é contraída em uma posição que a irrite, ao contrário de outras inflamações ortopédicas.

"Como os sintomas de bursite podem ser confundidos com outros problemas que atingem as articulações, o diagnóstico é feito clinicamente. O médico deve investigar primeiro a história do paciente e ouvir atentamente suas queixas. Depois, com algumas manobras específicas, o especialista pode avaliar melhor a localização da inflamação da bursa e se ela já se apresenta em estado crônico ou agudo", diz o Walter Yoishinori Fukushima, ortopedista e professor de Ortopedia da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo. Também é durante o exame clínico que o médico pode perceber se o paciente sofre de uma bursite aguda gerada por uma outra causa, como infecção ou excesso de ácido úrico. Nesse caso, a articulação se apresenta dolorosa, avermelhada e quente na apalpação.

Dependendo da necessidade, o ortopedista pode pedir exames complementares como radiografia, ultra-som ou até ressonância magnética. Este último é importante para auxiliar o especialista no diagnóstico diferencial, principalmente quando há suspeita de lesões no manguito rotador.

Em um primeiro momento, os cuidados para tratar um quadro de bursite consistem em aliviar o mais rápido possível a dor do indivíduo por meio da administração de analgésicos e antiinflamatórios não hormonais. Apenas em casos críticos, com episódios de dores intensas, os médicos recomendam o uso de corticóides.

Porém, os tratamentos modernos vão muito além da prescrição de medicamentos, infiltrações locais de cortisona e imobilização do ombro ou de outro local afetado. Hoje, são indispensáveis as sessões de fisioterapia, que têm como objetivo a restauração da função articular e o fortalecimento dos músculos para recuperar a capacidade de movimentação do ombro, cotovelos, joelhos, tornozelos, quadril ou de qualquer outra área atingida

Além disso, se houver outra causa para o desencadeamento do problema, como a existência de gota ou artrite reumatóide, também será preciso tratá-la para que não haja risco de uma recidiva da bursite..

OS TIPOS MAIS COMUNS DE INFLAMAÇÃO NA BURSA
 

BURSITE SUBDELTÓIDEA AGUDA: o problema começa de repente e atinge seu ápice em apenas três dias. O paciente relata dores que aumentam com o tempo e se tornam intensas nos dez primeiros dias. Do ombro, elas 'descem' até o punho. No exame clínico, o especialista, em geral, encontra uma acentuada limitação da mobilidade. A cura espontânea pode levar cerca de seis semanas. Entretanto, as recaídas são comuns, seja no mesmo ombro ou no lado oposto.

BURSITE SUBDELTÓIDEA CRÔNICA: é bom deixar claro que esta é uma doença à parte e não uma seqüela de uma inflamação aguda não tratada. A bursite crônica primária pode ocorrer entre os 15 e 65 anos e parece ser resultado de alguma outra afecção do ombro. Já a bursite crônica secundária, mais freqüente, é uma seqüela de problemas no manguito, ou na articulação acrômio-clavicular ou de irregularidades no acrômio e/ou no grande tubérculo, depois de uma fratura na região, por exemplo. Nesses casos também existem dores localizadas e restrições de movimento.

BURSITE SUBCORACÓIDE: em geral, esse tipo acontece quando há rotações violentas e repetidas do úmero, osso do braço que se articula com as estruturas do ombro. É o que acontece com atletas como arremessadores de disco. Os principais sintomas dessa inflamação incluem dor do ombro e limitação dos movimentos.

   

Manobras específicas para cada paciente

A Reeducação Postural Global (RPG), um método francês usado para o alinhamento da coluna, também tem se mostrado ótimo coadjuvante nos tratamentos de bursites. Da mesma forma que a terapia ocupacional, com a ajuda de exercícios e alongamentos específicos para cada caso. Assim, um dentista e um jornalista que sofram do mesmo mal terão indicações personalizadas. É fácil entender o motivo. Enquanto o primeiro levanta o ombro várias vezes por dia para executar seu trabalho, o outro digita horas a fio, com os braços junto ao corpo.

Daí a necessidade de manobras especiais que levem em consideração o cotidiano de cada indivíduo. Finalmente, se for necessário, o paciente será orientado também a perder peso para evitar uma maior sobrecarga na coluna, nas articulações, bem como um possível desalinhamento de seus ombros.

ALÍVIO ORIENTAL

FOTO: SÍMBOLO IMAGENS

A acupuntura, junto com a medicina ocidental, pode ser um caminho para o tratamento das bursites. Mais do que isso, tem se mostrado uma técnica preciosa tanto no alívio das dores quanto na prevenção de novas crises. "Antes de começar, porém, é necessário um diagnóstico obtido por meio de exames complementares. Uma vez descoberta a origem da inflamação, o profissional em acupuntura poderá ministrar o tratamento mais correto", avisa Nelson Bellotto Junior, especialista na técnica e responsável pelo Serviço de Medicina Chinesa e Acupuntura da Faculdade de Medicina do ABC. Os resultados dependem de fatores como o tempo de duração, da extensão da inflamação e dos danos que já causou. Em alguns casos, a resposta é rápida: "Quando a bursite é diagnosticada no início, a técnica milenar pode vir a ser a primeira opção de tratamento", diz Bellotto.

FONTES : WALTER Y. FUKUSHIMA, ORTOPEDISTA, PROFESSOR DE ORTOPEDIA DA FACULDADE DE MEDICINA DO ABC; NELSON BELLOTTO JR., PEDIATRA E ESPECIALISTA EM ACUPUNTURA, RESPONSÁVEL PELO SERVIÇO DE MEDICINA CHINESA E ACUPUNTURA DA FACULDADE DE MEDICINA DO ABC

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