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Edição 23 - Março/2006
 
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  Novas estratégias contra o câncer

O número de casos de câncer tem aumentado a cada ano e hoje é um dos mais importantes problemas de saúde pública no mundo. É a terceira causa de morte, perdendo apenas para a violência e os problemas cardiovasculares, sendo responsável por mais de 6 milhões de óbitos anuais. Só no Brasil, as estimativas da doença para 2006 assustam. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 472 mil novos casos surgirão, atingindo 234 mil homens e 238 mil mulheres. Os tumores mais incidentes na população brasileira serão os de pele (116.640 mil), mama feminina (48.930 mil), próstata (47.280 mil), pulmão (27.170 mil) e cólon e reto (25.360 mil).

Novas estratégias para a cura da doença surgem anualmente, prometendo mais qualidade de vida aos pacientes e trazendo esperanças para a população em geral, já que o câncer ocorre com mais freqüência na quinta e sexta décadas de vida. Hoje, praticamente todos os tipos de tumor ainda são tratados de forma genérica e necessitam de uma equipe multidisciplinar, envolvendo cirurgião, oncologista clínico, radioterapeuta, patologista, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo, psicólogo e assistente social.

“OS REMÉDIOS E TRATAMENTOS ATUAIS OFERECEM MAIS QUALIDADE DE VIDA AOS PACIENTES. PORÉM, O DIAGNÓSTICO PRECOCE E A PREVENÇÃO AINDA SÃO ESSENCIAIS “

As grandes novidades, e que ainda estão sendo testadas, são a Terapia Dirigida, a Biologia Molecular e as novas drogas que chegam ao mercado. A Terapia Dirigida é capaz de atacar as células malignas e poupar as sadias, causando menos efeitos colaterais. Já a Biologia Molecular não deverá substituir totalmente as terapias convencionais, mas será grande aliada da radioterapia e da quimioterapia. Em relação aos novos medicamentos, estes são indicados para certos tipos de câncer, como o renal, de medula óssea, de mama, de colo uterino e o colo-retal.

Uma metodologia que evoluiu bastante nos últimos anos e está trazendo resultados empolgantes é a cirurgia de citoredução, indicada para a retirada de tumores avançados do aparelho digestório. Na primeira fase da operação é feita uma limpeza minuciosa em todos os órgãos atingidos pela doença. Em seguida é realizada uma quimioterapia aplicando uma grande carga da droga, a 41ºC, direto no abdômen ainda aberto. Essa aplicação dura em média uma hora e meia e tem monitoramento constante para garantir que todos os órgãos sejam 'irrigados', permitindo desta forma um resultado melhor no controle da doença.

A técnica alcançou índices de sucesso consistentes nos últimos anos em São Paulo. No passado, abria-se e fechava- se o paciente porque não se tinha mais solução. Em três anos 42 pessoas se submeteram ao procedimento com mortalidade zero em decorrência dessa operação, 80% de taxa de sobrevida e projeção de 20% de taxa de sobrevida de cinco anos, que são números muito animadores.

Essas novidades ajudam a mostrar que o diagnóstico de câncer deixou de ser uma sentença de morte. Vale lembrar, porém, que a detecção precoce é importante e investir na prevenção é muito mais. Neste sentido, ainda é fundamental seguir alguns mandamentos para evitar o mal: parar de fumar, alimentar- se bem, limitar a ingestão de álcool, praticar atividades físicas, submeter- se a exames de detecção precoce de câncer colo-retal depois dos 50 anos, evitar a exposição prolongada ao sol usando sempre filtro solar e fazer o auto-exame da mama, da boca e da pele. No caso das mulheres, realizar o exame preventivo do câncer do colo do útero (o papanicolau) anualmente, assim como a mamografia após os 40 anos. Já os homens acima dos 50 anos devem acrescentar os exames preventivos do câncer de próstata.

EDUARDO AKAISHI CIRURGIÃO ONCOLÓGICO, PROFESSOR-DOUTOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS, E DO CORPO CLÍNICO DO HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS

 


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