Viva Saúde
Edição 23 - Março/2006
 
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  "Minha filha é realmente especial"
Ivânia Della Bella da Silva, 44 anos, conta como é educar e acompanhar o desenvolvimento de sua caçula Jéssica, portadora de síndrome de Down

POR PATRÍCIA AFFONSO

"Quando soube que estava grávida da Jéssica, já era mãe de duas crianças lindas: Priscila, então com cinco anos, e Nelson, de três. Apesar de não termos planejado a gravidez, eu e o meu marido, Carlos, ficamos muito felizes. Essa criança viria para completar a família e somar alegrias. A gestação foi normal, como as anteriores. Fiz os exames necessários e contei com o acompanhamento do meu médico o tempo todo. Estava com oito meses e meio, quando senti as contrações e dei à luz, de parto normal.

Mãe e filha: companheiras de todas as horas e muito felizes
Assim que a médica retirou o bebê, notei que ela o olhava com curiosidade. Embora eu tenha ouvido o choro da criança, fiquei um pouco preocupada com a reação da doutora e questionei se o bebê estava bem. Ela apenas balançou a cabeça positivamente e mostrou a minha menina.

Como não vi nada de diferente, fiquei aliviada. No entanto, a obstetra se voltou para a equipe e percebi que conversavam, reservadamente, sobre o parto. Mais uma vez perguntei se havia algum problema com a Jéssica. Foi então que ela disse que a criança tinha traços de uma portadora de síndrome de Down. Nem me dei conta do que se tratava. Percebendo no meu rosto a dúvida sobre o que acabara de ouvir, a médica foi mais a fundo na explicação: "sua filha é portadora de mongolismo".

A notícia me colocou em desespero. Fui levada para o quarto, acompanhada pelo Carlos. A doutora então, começou a explicar mais sobre o problema e tentou nos tranqüilizar, dizendo que a Jéssica poderia crescer e se desenvolver bem, se tivéssemos paciência e a estimulássemos bastante. Me senti culpada - achei que pelo fato de ser fumante poderia ter prejudicado a gestação. Mas a médica me explicou que, mesmo sendo um hábito nada saudável para o bebê, não era isso que determinava o Down. Tratava-se, na verdade, de uma alteração genética.

Foi pedido um exame cariótipo para confirmar a existência da síndrome: sim, minha filha era excepcional. A partir daí, determinei que me dedicaria 24 horas por dia a ela. Soube que a amamentação era muito importante e até parei de fumar. Fomos encaminhados à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), onde em reuniões, eu aprendia como estimular o desenvolvimento da Jéssica, através da amamentação, de chocalhos coloridos (visão e audição) e diversos exercícios para a fala, além de fisioterapia.


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