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Edição 23 - Março/2006
 
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POR DANIELA TALAMONI

1 Quais os fatores que propiciam a doença?
A osteoporose aparece mais freqüentemente em mulheres depois da menopausa, porque os ovários param de produzir os hormônios sexuais, principalmente o estrógeno, e com esta falta os ossos começam a perder cálcio. Também pode se desenvolver em pessoas que, por algum problema, como asma ou no tratamento de tumores, precisam usar altas doses de corticóides - remédios 'inimigos' dos ossos. Além disso, existe uma predisposição em pessoas com doenças reumatológicas, jovens que ficaram muito tempo sem menstruar ou quando a menopausa chega cedo e não há reposição hormonal. Ainda fazem parte deste grupo indivíduos de baixo peso, sedentários, aqueles que têm histórico da doença na família e fumantes.

FOTO: DIVULGAÇÃO. ILUSTRAÇÃO: MG STUDIO2 Como ela é diagnosticada?
Por meio de um exame chamado densitometria óssea. Não existe um outro tão exato para determinar a quantidade de massa óssea e se há perdas significativas. Para auxiliar, há também a ultrasonometria óssea, que mede a transmissão do som pelo osso e também dá uma idéia de sua densidade.

3 É possível prevenir a osteoporose?
Por se tratar de uma enfermidade silenciosa e não apresentar sintomas, a pessoa só vai saber que tem o problema no momento em que os exames acusarem ou se o mal estiver em estado adiantado, quando aparecerem as primeiras fraturas. Por isso, a principal medida de prevenção é começar a fazer exames para detectar o risco da doença o quanto antes. Para as mulheres, é recomendado que sejam feitos no início da menopausa e para os homens, depois dos 65 anos. A osteoporose é um mal que se instala no organismo com o passar dos anos, quando os ossos vão enfraquecendo, perdendo cálcio e ficando mais frágeis. E trata-se de um mal grave - o distúrbio deixa os ossos tão fracos, a ponto de quebrarem com traumas muito leves e até espontaneamente. Mesmo um espirro ou um abraço mais forte é capaz de lesar uma vértebra. Sem tratamento, as fraturas são inevitáveis e costumam seguir uma seqüência: primeiro ocorrem as de punho, pelo esforço em uma queda para se apoiar, por exemplo; a seguir, as mais comuns e dolorosas são as vertebrais; mais tarde, em geral em torno dos 75 anos, o risco é de fraturas do colo do fêmur.

4 Até que ponto a alimentação ajuda a combater o problema?
Uma dieta balanceada e rica em cálcio é importante para todas as pessoas, com osteoporose ou não. A recomendação é de que, no mínimo, seja consumido 1 g de cálcio todos os dias. Isso equivale a três copos de leite ou de derivados, como iogurte, coalhada ou queijos diversos. Se por alguma razão o indivíduo não se adaptar a esta alimentação, o médico deve indicar o uso de medicamentos para controlar o nível de cálcio no organismo. Outra medida é tomar banho de sol todos os dias: pernas e braços devem ser expostos ao sol direto, não através de vidros, por 15 a 20 minutos por dia, sem o uso de filtro solar - mas prefira os horários antes das 10 da manhã ou após as quatro da tarde. Isso vai ajudar na elaboração da vitamina D na pele, que também ajuda na fixação do cálcio no osso.

5 Quem tem osteoporose pode fazer exercícios físicos?
Pode e deve, porque o sedentarismo é um dos fatores capazes de levar à osteoporose. Quanto mais você se exercita, melhor. Mas os exercícios precisam ser personalizados. Para pacientes com a doença em estágios avançados, são indicadas atividades mais leves, que priorizam o desenvolvimento do equilíbrio e dos reflexos para evitar quedas e conseqüentes fraturas. O alongamento também é importante para que os movimentos não fiquem restritos. Em outros casos, os exercícios podem ser mais intensos, até mesmo com um pouco de carga (pesinhos na musculação). E atenção: a atividade física deve ser feita no solo, nunca na água. Vale aqui citar o caso de uma senhora com osteoporose que se trata no ambulatório da Unifesp. Ela é uma das campeãs de maratona da terceira idade e, acredite, virou maratonista depois dos 50 anos, apesar de os médicos não recomendarem a corrida para pessoas idosas e com a doença avançada.

6 Quais são as novas perspectivas de tratamento?
Este ano vão surgir várias novidades. Uma delas é o ibandronato de sódio, um comprimido de uso mensal - o que vai simplificar bastante a vida dos pacientes, pois as doses dos remédios tradicionais são diárias e semanais e precisam ser ingeridas em jejum, só com água. Além disso, é preciso esperar, de pé ou sentado, por meia hora antes de tomar o café da manhã. Outro medicamento que vem dar fôlego ao tratamento usual é o ranelato de estrôncio, que tem um efeito duplo: é anti-reabsortivo, ou seja, não deixa o cálcio sair do osso, e, o melhor, aumenta a formação de massa óssea. Mesmo assim, não dá para dizer que a doença tem cura. O paciente com osteoporose precisa tomar remédio por toda a vida, caso contrário volta a perder massa óssea. O tratamento é longo - são pelo menos cinco anos de medicação. Depois disso o médico pode dar uma pausa ou mudar a fórmula. Alguns doentes, mesmo seguindo rigorosamente as recomendações, porém, podem ter perda óssea e sofrer fraturas. Mas se não estiverem se tratando, provavelmente o problema será bem maior - já que os medicamentos diminuem o risco de fratura em 50%. Os comprimidos mensais vão melhorar a aderência ao tratamento integral, evitando interrupções.

7 Se a enfermidade já está instalada, que cuidados o paciente precisa ter?
Para casos de osteoporose leve, é necessário atenção à alimentação, fazer atividade física regular e abandonar hábitos nocivos como o fumo e o álcool. A casa em que vive a pessoa com o problema também requer adaptações como instalação de corrimão nas escadas, alça de apoio no banheiro e pisos antiderrapantes. À noite, deve-se deixar uma luz acesa para evitar acidentes e conseqüentes fraturas.

FOTO: DIVULGAÇÃO. ILUSTRAÇÃO: MG STUDIO



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