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"Desde pequena, vivo emoções múltiplas" Juliana de Freitas Dornelas, 26 anos, tem esclerose múltipla e cresceu enfrentando ora momentos de dor e frustração, ora de alegria e superação
POR DANIELA TALAMONI
Aos 11 anos, com a energia que move a garotada nessa idade, resolvi fazer graça no caminho da escola para o sítio em Uberaba (MG), onde moro até hoje: dei um salto e caí de joelhos. Na hora, levantei e fui para casa normalmente. Mas à noite, senti uma forte dor na perna direita e fui levada ao médico. Passei pelo exame de raio X, mas nada foi diagnosticado. Era o primeiro sinal da esclerose múltipla. As dores persistiam, atingiam o fêmur, a coluna, e eu já não caminhava como antes.
Entre provas escolares e visitas a especialistas, cheguei à adolescência. Nessa época, no lugar da festa de 15 anos, viajei para o Hospital Sara Kubitschek, em Brasília (DF). Lá, após ressonância magnética, descobri o que enfrentaria pelo resto da vida. Não me abalei. Assim que recebi o diagnóstico, fui atrás de todas as informações sobre o problema. No ano seguinte, quando estava mais forte, tive um surto. Minha perna esquerda adormeceu totalmente e precisei ficar internada por dez dias.
As barreiras impostas pela doença aumentavam gradativamente. Estava perdendo a coordenação motora, com dificuldades até para escrever. Mesmo assim, não desisti dos estudos. Levava os cadernos das amigas para casa e, incansável, minha mãe copiava toda a matéria para que eu pudesse estudar. Em dia de prova, alunos de outros cursos
iam comigo até a biblioteca e escreviam no teste as respostas que eu ditava. Foi difícil, mas em 1996 consegui me formar no magistério. Sensações contraditórias
Tenho que admitir que em certos momentos pensei em desistir de tudo. Felizmente, mudei de idéia após a formatura. Iniciei um tratamento com injeções em dias alternados de uma droga específica para reduzir sintomas e prorrogar os surtos. Readquiri boa parte dos movimentos e, com a ajuda de uma bengala, arranjei emprego. Em 2000, passei no vestibular e comecei a cursar Ciências Biológicas. No ano seguinte, fui demitida, a dor piorou e tive de abandonar os estudos. Entrei em depressão... Graças à ajuda da minha família, porém, recuperei a auto-estima e me candidatei a um concurso público. Passei e voltei ao trabalho, como efetiva, em 2002.
Feliz, me apaixonei, casei e fiquei grávida. Mas, como nada na minha vida é fácil, enfrentei uma gravidez de risco, o parto prematuro da minha filha e o divórcio. Meu marido não suportou minhas limitações e partiu. Quanto a mim, decidi seguir em frente. Hoje, meu desejo é ver minha filha com saúde e provar que podemos ser felizes, apesar do sofrimento. Resolvi participar de um concurso de redação realizado pela Schering do Brasil em 2005 com portadores de esclerose múltipla. Venci e minha redação foi publicada no livro Dez Histórias de Vida, Repletas de Emoções Múltiplas, editado pela empresa. O maior prêmio será saber que alguém se inspirou na minha luta para superar um problema."
Entenda bem |
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Ainda sem cura, a esclerose múltipla é caracterizada por uma reação autoimune do organismo. Não se sabe por que, mas o sistema imunológico ataca o Sistema Nervoso Central (responsável pelo envio de sinais elétricos e de comando a várias partes do corpo, incluindo os movimentos voluntários e os involuntários).
Quando isso ocorre, em surtos (inicialmente, um por ano ou a cada dez meses), há um descontrole interno, em menor ou maior grau, cujos sintomas são fadiga, dificuldades de movimento, deglutição e fala; sensação de formigamento; paralisia parcial ou total de parte do corpo, entre outros. |
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