Viva Saúde
Edição 20 - Dezembro/2005
 
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Gente que deu a volta por cima
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Uma matéria sobre mal de Parkinson, publicada em Viva Saúde, levou a comerciante Geralda Barbosa ao médico que vem recuperando sua mãe, Maria dos Reis Borges, 76 anos

POR YARA ACHÔA

FOTOS: DIVULGAÇÃO
Dona Maria (à dir.) teve sensível melhora graças ao tratamento, para alegria da filha Geralda (acima)
Há oito anos, notei que minha mãe passou a dormir e se alimentar muito mal, além de apresentar um nervosismo fora do comum. Eu e meus irmãos a levamos a um médico, que receitou um calmante por considerar que estava apenas 'nervosa'. Só que não resolveu. Um outro especialista diagnosticou como depressão e trocou o remédio. Também não adiantou. Passamos por diversos médicos. Quatro anos depois, surgiram os tremores e ela começou a ficar paralisada, tendo dificuldade inclusive para comer e fazer sua higiene sozinha. Foi submetida a vários exames que não apontaram nada.

O psiquiatra que a atendia chegou a dizer: 'Tudo o que podia fazer, já fiz' e aconselhou que procurássemos um neurologista, por desconfiar de mal de Parkinson. Ele confirmou o distúrbio, explicou que se tratava de uma lesão no cérebro, mas disse que estava em estágio avançado e que não tinha cura, apenas controle. Por meses o medicamento receitado funcionou. Mas logo voltaram os sintomas. Outra especialista recomendou hidroginástica e passou novo remédio. Mamãe melhorou e depois regrediu.

Para complicar, meu pai faleceu e eu entrei em depressão. Fui fazer terapia e nas sessões sempre comentava o problema familiar. Foi aí que minha psicóloga, passando em uma banca de jornal, viu a revista Viva Saúde com a cha- " mada sobre mal de Parkinson. Ela me deu a publicação, li a reportagem e procurei pelo médico citado, o doutor Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Expliquei as condições em que se encontrava minha mãe e ele nos atendeu em uma consulta que durou duas horas.

Solicitou os exames necessários e falou que gostaria também que ela entrasse para seu grupo de pacientes que participava de um estudo sobre Parkinson na faculdade. Entre outras coisas, ele recomendou que fosse tirada de sua dieta carne vermelha, prescreveu vitaminas, exercícios de alongamento e psicoterapia. Passados seis meses do início do tratamento, minha mãe é outra pessoa, melhorou pelo menos 50%.

Os tremores praticamente desapareceram e ela voltou a fazer tudo sozinha. O quadro de depressão também diminuiu. Agradeço todos os dias pelo fato de ter encontrado o Dr. Cícero. Na Unifesp, minha mãe é tratada como uma princesa. Nesse tempo, aprendemos muito sobre a doença. Acredito que o que mais mata o brasileiro é a falta de informação. E que, se existe um problema, existe uma solução. Basta procurar."

Entenda bem

O mal de Parkinson surge como conseqüência de uma degeneração neurológica de uma área do cérebro, onde se concentram neurônios (células nervosas) que produzem dopamina, que, entre outras funções, ajuda na manutenção das atividades motoras. Deficiência de vitamina B2 e excesso de carne vermelha são fatores que predispõem à doença. A pesquisa coordenada pelo médico Cícero Galli Coimbra, diretor do Laboratório de Neuropatologia e Neuroproteção da Unifesp, apontou um outro sintoma universal entre os portadores do distúrbio: o estresse emocional.

"Ele mata as células produtoras de dopamina", diz. O tratamento que beneficiou dona Maria consiste em repor a vitamina, eliminar a carne da dieta e incentivar o paciente a encarar a vida de forma mais leve. "Proponho um exercício mental: todo dia ao acordar, tome a decisão de que vai reagir com serenidade diante dos problemas que surgirem". O tratamento na Unifesp é gratuito, mas há limitação no atendimento. Os pesquisadores buscam ajuda de empresas privadas para ampliar o número de pacientes.

 


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