Em um estudo apresentado pelo professor Josef Lenz Heinz, da University of Southern California (EUA) durante a Conferência Interamericana, uma dessas drogas, o cetuximab, foi fornecida para pessoas com tumores secundários no fígado que não podiam ser operados. O mal regrediu e metade deles tornou-se apta ao bisturi. E a taxa de sobrevivência em cinco anos, que se limitava a 5%, pulou para 50%. Outro trabalho demonstrou que associado ao irinotecano (quimioterápico), contribuiu para diminuir ou estabilizar o tumor em pacientes que haviam feito o tratamento convencional, sem sucesso.
"O cetuximab conseguiu reverter a resistência à quimioterapia e possibilitou o emprego de doses menos tóxicas", informa o médico Frederico Costa. Resultado: o índice de mortalidade caiu 54%. A expectativa é que se funciona bem em quem está sem opção de tratamento, deve induzir resposta ainda melhor se usado logo de cara. Pesquisas em andamento devem confirmar (ou não) essa hipótese. Mas o melhor, mesmo, é nem ter que passar por essas situações. Sabe como? Reforçando a dose de prevenção.
O QUE VEM POR AÍ |
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A grande novidade no tratamento do câncer é a chamada terapia alvo: remédios inteligentes concebidos para matar apenas o tumor, diferentemente da quimioterapia, que arrasa as células doentes e também as saudáveis. "Em vez de bombas para destruir um objetivo (que devastam quarteirões nas redondezas), os cientistas estão projetando mísseis teleguiados", compara o médico Frederico Costa. O cetuximab faz parte dessa nova safra de fármacos e tem produzido resultados animadores contra o câncer colo-retal.
Trata-se do primeiro de uma classe de anticorpos monoclonais que tem como alvo o receptor do fator de crescimento epidérmico, conhecido pela sigla em inglês EGFR. Ao se unir a esse receptor, fundamental para o desenvolvimento do tumor, o anticorpo bloqueia suas funções. Resultado: o câncer evolui mais devagar, estaciona ou regride. O remédio já foi aprovado na Europa, nos Estados Unidos e em vários países da América Latina para uso associado ao irinotecano em pacientes com metástases. No Brasil, ele está sendo analisado pelo Ministério da Saúde. |
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