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Edição 20 - Dezembro/2005
 
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  Uma intrusa no estômago

Cerca de 70% da população mundial tem uma moradora invisível e desagradável habitando a região estomacal. Conhecida como Helicobacter pylori (ou H. pylori), trata-se de uma bactéria que age sorrateiramente e causa a gastrite crônica, além de favorecer o aparecimento de úlcera e câncer gástricos. Um exame de sangue específico identifica a presença da vilã, mas é consenso que o tratamento para eliminá-la (feito com três remédios específicos) seja recomendado se houver lesões (úlcera) ou se o paciente apresentar histórico familiar de tumores malignos no estômago. Entenda o processo de contaminação e a atuação dela no organismo


A ação da H. pylori

TRANSMISSÃO
A forma mais comum é a fecal-oral, ou seja, por meio da ingestão de água e alimentos preparados sem as mínimas condições de higiene (e que acabam tendo algum tipo de contato com fezes contaminadas). É por isso que algumas pesquisas demonstram que quanto mais baixa a condição sócioeconômica, maior a incidência da infecção.

ILUSTRAÇÕES: MG STUDIOINFLAMAÇÃO
Uma vez ingerida, ela se instala na camada de muco que reveste a parede estomacal e começa a liberar toxinas. Essas substâncias, por sua vez, desencadeiam um processo inflamatório, dando origem à gastrite crônica que não provoca sintomas e nem requer tratamento - embora o diagnóstico sirva como alerta para pacientes com tendência a úlcera e câncer gástrico. Vale lembrar que existe outro tipo de gastrite, a aguda, caracterizada por dores ou queimações no abdômen, indigestão e vômitos. Mas esta é causada pela ação do uso de alguns remédios, distúrbios hormonais, entre outros.

LESÕES
Se a bactéria encontra um ambiente favorável (má alimentação e predisposição genética para doenças gástricas), ela pode se tornar mais perigosa. A infecção se intensifica e destrói as membranas da mucosa, reduzindo a espessura de revestimento da parede estomacal. Sem essa proteção, as substâncias ácidas (ácido clorídrico e pepsina) produzidas pelo estômago para ajudar no processo digestivo penetram na mucosa irritada e favorecem o aparecimento de lesões (as úlceras). Estima-se que a H. pylori seja responsável direta por 70% a 85% dos casos de úlceras estomacais.

CÂNCER GÁSTRICO
Em 1994, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a ligação dessa intrusa com o aparecimento de tumores malignos no estômago. Isso não quer dizer que toda pessoa com a bactéria no estômago desenvolverá câncer. Mas a presença do H. pylori aliada a um histórico familiar, por exemplo, aumenta os riscos para a doença. Isso porque a irritação originada pelas toxinas da bactéria acabaria provocando alterações celulares e, conseqüentemente, o tumor maligno.

FONTE: JAIME NATAN EISIG, GASTROENTEROLOGISTA DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS (SP) E MEMBRO DO NÚCLEO BRASILEIRO PARA O ESTUDO DA H. PYLORI


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