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Edição 20 - Dezembro/2005
 
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  É um sopro no coração
Ao ouvir o diagnóstico da boca do pediatra, muitos pais entram em pânico. Porém, segundo os especialistas, esse ruído é auscultado em cerca de 80% das crianças em algum momento da vida. Saiba o que realmente significa e quando se preocupar com ele

POR ALEXSANDRA FARIAS
FOTO FERNANDO GARDINALI

Adeus à inocência
Nos recém-nascidos e crianças menores de seis meses de vida, no entanto, a atenção precisa ser redobrada. A detecção da alteração da ausculta cardíaca pode indicar distúrbio cardiovascular. Aproximadamente metade dos prematuros com peso de nascimento menor que 1,5 kg tem problemas nesse órgão vital. "E quanto menor a faixa etária, maior é a urgência na investigação diagnóstica. As chances de ocorrência de cardiopatia são maiores", afirma o cardiologista Gustavo Foronda (SP), do Hospital Albert Einstein.

Embora menos comum, o sopro também pode ser patológico. E geralmente é causado por um defeito cardíaco que nasce com o bebê ou adquirido ao longo da vida, e necessitará de tratamento - que vai desde a simples prescrição de medicamentos até intervenções cirúrgicas. Os princípios físicos responsáveis pelo surgimento são os mesmos do inocente: ambos aparecem em decorrência do fluxo sangüíneo turbulento, o qual está relacionado a fatores como diâmetro do vaso sangüíneo, velocidade do fluxo e viscosidade do sangue, entre outros.

Segundo o cardiologista pediátrico Valdir Ambrósio Moisés, da Unifesp, a principal diferença é que o sopro inocente é um evento isolado, enquanto o patológico vem acompanhado de sintomas que estão associados às doenças cardíacas. Entre os mais comuns aparecem cansaço, cefaléia, cianose (coloração arroxeada nos lábios e nos dedos, diferente do roxo provocado pelo excesso de choro ou frio), dificuldade de ganho de peso, dificuldade alimentar (cansaço, engasgos, interrupção das mamadas), dor torácica, falta de ar (principalmente nas mamadas), palpitações, pneumonia de repetição e sudorese excessiva. "Algumas crianças não apresentam sinais até a infância ou mesmo adolescência. Certas cardiopatias se tornam evidentes apenas com o crescimento e desenvolvimento do sistema cardiovascular", relata o especialista.

As doenças que mais freqüentemente atingem o órgão são as chamadas comunicação interventricular (cerca de 30%) e interatrial (cerca de 20%), também conhecidas por buraquinhos do coração. A primeira é facilmente diferenciada do sopro inocente porque o barulho é muito mais rude. Já na comunicação interatrial, que é um espaço aberto entre os dois átrios, o sopro é tão leve e suave como o inocente - o que torna a identificação pela simples auscultação um tanto difícil.

O que define o problema que está por trás do sopro patológico são os exames de radiografia de tórax, eletrocardiograma e ecocardiograma, que localizam o ruído, analisam o tipo de barulho e avaliam as características do órgão. "Desta forma é possível perceber um buraquinho no coração por menor que ele seja. Por isso é necessária a avaliação cardiológica, mesmo na ausência de sopro", recomenda o cardiologista Edmar Santos.

Não existe maneira de prevenir o problema, mas há formas de evitar que ele se agrave. Com uma avaliação adequada do sistema cardiovascular é possível realizar o diagnóstico da maioria dos casos. E melhor: sem que os pais fiquem com o coração nas mãos.

Males mais comuns na infância
 


Veja a seguir quais são as doenças cardíacas congênitas que surgem nessa fase. Elas têm história clínica, tratamento e prognóstico diferentes.

COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR: também conhecida por CIV, é um buraquinho que aparece ainda na fase fetal ou ao nascer, permitindo que o sangue que se encontra no ventrículo esquerdo passe para o direito, já que as pressões das cavidades esquerdas são maiores. Desta forma, ocorre um hiperfluxo pulmonar, podendo levar a uma situação de hipertensão nos pulmões. Quando isso ocorre, o sangue passa do lado direito para o esquerdo (as pressões se invertem). Como o sangue do lado direito ainda não chegou ao pulmão, portanto não foi oxigenado, aparece o sintoma de cianose. A CIV pode ter vários tamanhos e localizações. O exame clínico mostra um sopro rude, áspero em todo o tórax do pequeno paciente. Quanto menor o buraquinho, maior será o sopro.

COMUNICAÇÃO INTERATRIAL: chamada de CIA, é definida pela presença de um orifício entre os átrios. Muitas crianças nascem com pequena comunicação entre os átrios, que se fecha ainda na primeira infância. Caso seja necessária, a correção é feita somente na fase pré-escolar com cirurgia. Durante o exame clínico nem sempre se suspeita deste problema, principalmente se ele for pequeno. O sopro é suave.

   

FONTE: EDMAR SANTOS, SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC)

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