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Edição 20 - Dezembro/2005
 
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  Mais qualidade de vida para o diabético
É o que prometem as recentes descobertas médicas: entre elas a droga que estabiliza por completo os sintomas da doença e as células substitutivas capazes de acabar com as injeções de insulina

POR EULINA OLIVEIRA

DROGAS INTELIGENTES
Estão sendo desenvolvidos novos tipos de insulina, que o endocrinologista Marcos Antonio Tambascia define como 'inteligentes'. "Elas não provocam tanta hipoglicemia (redução drástica da taxa de glicose) e não engordam, já que este é um dos efeitos colaterais da substância", explica. Uma delas é o detemir, insulina basal (de ação prolongada) lançada em outubro. Outra droga, já liberada nos Estados Unidos e que deve chegar ao Brasil no ano que vem, é o exenatide, análoga ao hormônio GLP-1.

"Ele estimula o pâncreas a liberar insulina apenas quando há aumento da glicose no sangue", afirma a endocrinologista Caroline Bulcão. De acordo com a especialista, o exenatide deve ser injetado duas vezes ao dia, antes do café da manhã e antes do jantar. Além de atuar no controle da glicemia nas refeições, a substância ainda contribui para a diminuição de peso. Também há novidades para reduzir o número de remédios a serem tomados. "Há estudos para a criação de dois tipos de medicamentos, cada um com uma função distinta, em um único comprimido", revela a endocrinologista da Unifesp.

Um exemplo são drogas que podem atuar simultaneamente no controle da glicemia e do colesterol. A médica lembra ainda que está sendo desenvolvida uma bomba de infusão que vai liberar insulina por meio de um cateter, medir a glicemia e a quantidade adequada do hormônio a ser liberado durante as refeições. "A vantagem do novo equipamento é a maleabilidade, já que, com ele, o paciente poderá comer o que quiser", afirma.

FOTO E AGRADECIMENTO: ROCHE DIAGNÓSTICA
Os aparelhos que medem a glicose estão cada vez mais precisos e confortáveis para o uso dos diabéticos
AS FORMAS COMO O MAL SE APRESENTA
Diabetes tipo 1
Trata-se de uma doença auto-imune, ou seja, caracteriza- se pela destruição, por engano, das células produtoras de insulina pelo próprio organismo. Os motivos dessa auto- agressão ainda são desconhecidos, mas um dos fatores seria a predisposição genética. Normalmente, surge na infância ou na adolescência. Em geral, o tratamento consiste na aplicação diária de insulina (já que o organismo não produz mais o hormônio), dieta e exercícios.

A quantidade de insulina necessária depende do nível de glicose no sangue, a ser medido por um aparelho, com uma picada na ponta do dedo. A alimentação contribui para a determinação dos níveis glicêmicos, enquanto os exercícios físicos baixam esses índices, diminuindo a necessidade do hormônio. A substância a ser aplicada é de dois tipos: a chamada insulina basal, de ação prolongada, injetada uma vez ao dia, e a de ação rápida, usada antes das refeições, quando sobe a taxa de glicose no sangue.

Diabetes tipo 2
É a forma mais comum do problema, responsável por cerca de 90% dos casos. Uma de suas características é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema, porém, está na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas, que não conseguem metabolizar a glicose da corrente sangüínea.

A incidência dessa doença, que tem um fator hereditário bastante superior ao do tipo 1, é maior após os 40 anos de idade. Essa enfermidade estabelece enorme relação com obesidade e sedentarismo - estima-se que pelo menos 60% dos portadores estejam acima do peso. Novamente, dieta e exercícios constituem boa parte do tratamento. "Muitas vezes, a redução de apenas 10% do peso corporal já promove uma melhora global que pode até dispensar o uso de remédios.

Por isso, dizemos que o ideal é a mudança no estilo de vida, com a adoção de hábitos saudáveis", afirma a endocrinologista Caroline Bulcão. Em determinados casos, há necessidade do uso de medicamentos orais ou até da combinação destes com a aplicação de insulina. Os remédios são divididos em três grupos: os que auxiliam a secreção de insulina; os que diminuem a resistência insulínica; e aqueles que reduzem a velocidade de digestão dos carboidratos.

Diabetes gestacional
É a alteração das taxas de açúcar no sangue durante a gravidez. Ocorre em alguns casos porque a gestação, que envolve uma série de transformações no organismo feminino, aumenta a resistência à ação da insulina. Pode persistir ou desaparecer depois do parto e é controlada com dieta. Por isso, é importante fazer exames dos níveis de glicose durante e após a gravidez.

Outros tipos
Em determinadas doenças glandulares, entre elas o hipertireoidismo, ao ocorrer aumento da função glandular, a ação da insulina é prejudicada, surgindo assim o diabetes em pessoas predispostas. E recentemente vem se falando em diabetes tipo 3, que seria uma associação entre os tipos 1 e 2. O endocrinologista Marcos Antonio Tambascia, porém, explica que essa forma da doença não está classificada na literatura médica.


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