Do contrário, as conseqüências podem ser sérias: cegueira, insuficiência renal, infarto, derrame e até amputação de membros inferiores (pernas e pés) devido aos problemas circulatórios. Justamente por envolver uma série de cuidados, incluindo as desconfortáveis injeções de insulina e mudanças no estilo de vida, muitos pacientes resistem a aderir à terapêutica. "Por não fazerem exames, metade dos diabéticos não sabe que possui a doença.
Entre os que receberam esse diagnóstico, menos de 50% segue o tratamento", afirma o endocrinologista Marcos Antonio Tambascia, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mais do que nunca, o objetivo é encontrar meios de facilitar a rotina do diabético e fazer com que ele queira se preservar. Para a endocrinologista Denise Franco, de São Paulo, o novo arsenal médico que está sendo pesquisado e lançado no mercado contribuirá bastante para aumentar a adesão ao tratamento.
"O portador de diabetes, que já tem dificuldade de adquirir novos hábitos, deve lidar diariamente com vários fatores que podem comprometer o processo de melhora ao longo dos anos. Mas a ciência está evoluindo rapidamente com o intuito de melhorar o cotidiano desse indivíduo, a partir da redução do número de medicamentos a serem tomados", informa. Viva Saúde apresenta a seguir muitas das novidades apresentadas durante o XV Congresso Brasileiro de Diabetes, realizado em novembro, em Salvador, e que certamente começam a revolucionar o combate ao mal.
O QUE ESTÁ CHEGANDO NO MERCADO
INSULINA INALÁVEL
Ela substituirá as injeções do hormônio toda vez que o paciente for se alimentar. "Desse modo, a insulina é digerida pelo aparelho digestório. E ela ainda reduz o desconforto das várias injeções diárias", afirma o endocrinologista Marcos Antonio Tambascia.
A endocrinologista Caroline Bulcão, do Centro de Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a inalação da insulina é feita por meio de uma bomba semelhante às usadas por pessoas asmáticas. A substância, em forma de pó, é aspirada pelo paciente. A novidade, porém, não substituirá as injeções de insulina de ação prolongada, que portadores de diabetes tipo 1 têm de fazer diariamente.
Também não dispensará a medida da glicemia (taxa de glicose no sangue) antes e depois das refeições. Além disso, deverá ser liberada apenas para os adultos. A expectativa é de que a Food and Drug Administration (FDA), o departamento americano de controle de remédios, libere a venda da droga nos próximos três meses. No Brasil, especialistas acreditam que a insulina inalável também não demore a chegar.
A CÉLULA QUE PRODUZ INSULINA
Uma das mais palpitantes novidades no tratamento de diabetes, porém ainda em estudo, foi anunciada em novembro por pesquisadores alemães e espanhóis: células substitutivas que, no futuro, podem acabar com as injeções de insulina.
Os médicos extraíram células do sangue, denominadas monócitos, que podem ser levadas a um estado em que são transformadas em 'programáveis'. Ou seja, pode-se dar a elas novas ordens para que cumpram determinadas tarefas. De acordo com os pesquisadores, os monócitos são capazes de se tornar células produtoras de insulina. O processo já foi patenteado na Europa.
A expectativa dos cientistas é de que dentro de cinco ou sete anos seja possível a sua utilização em clínicas médicas. A novidade pode ser uma alternativa aos transplantes de pâncreas ou de células produtoras de insulina sem o risco de rejeição, já que os monócitos provêm do próprio paciente.
TRATAMENTO PARA NEUROPATIA DIABÉTICA
Em alguma fase da vida, cerca de 40% dos diabéticos apresentam disfunções por alterações nos nervos, justamente devido ao aumento da glicose no sangue. É a chamada neuropatia diabética.
Como conseqüência, pode haver diminuição ou perda de sensibilidade de qualquer parte do corpo, mas normalmente os pés são os mais atingidos. Uma das medidas de prevenção é o controle da glicemia. Para auxiliar o tratamento, a novidade é o ácido alfa-lipóico, que deverá estar disponível no Brasil a partir de abril de 2006. A droga promove a regeneração das fibras nervosas e estimula o fator de crescimento dos nervos.
"Essa substância age diretamente na causa do problema, enquanto os medicamentos atuais apenas tratam os sintomas", afirma a médica Érika Paniago Guedes, do Rio de Janeiro, colaboradora do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE). De acordo com a especialista, a nova droga não cura a doença, mas a estabiliza, mantendo a pessoa assintomática. O alfa-lipóico, já usado em alguns países europeus, é aplicado por injeção intravenosa ou por via oral (comprimido).
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