
No início do ano, depois de passar por vários hospitais, Enzo, um bebê de quatro meses - que havia nascido com reto duplo, uma deformidade rara -, morreu após ser submetido a três cirurgias. Segundo o pai, Rafael Assugeni, 23 anos, logo na primeira intervenção o médico perfurou o intestino da criança, omitindo essa informação. Após várias complicações, o garoto teve parada cardíaca, como consta no laudo médico, devido a um fungo que se instalou no coração.
Com mais de 2.500 páginas de documentos em mãos, inclusive prontuários hospitalares, Rafael afirma ter havido uma sucessão de erros, além de limitações impostas pelo convênio de saúde, prejudicando ainda mais o tratamento do filho. Inconformado, deu início a uma campanha - Enzo Assugeni, essa causa é nossa! -, com a ajuda de amigos, que vem se espalhando pelo Brasil e até algumas cidades do exterior, levantando assinaturas pedindo rigor nas investigações e propondo mudanças nas leis que regem o exercício da profissão de médico.
Recentemente, um levantamento da Commonwealth Fund (entidade americana cuja missão é dar apoio a pesquisas independentes sobre o atendimento à saúde) realizado em seis países (Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá, Grã-Bretanha, Austrália e Alemanha) com pessoas que haviam passado por problemas sérios de saúde ou cirurgia nos últimos dois anos, mostrou que 15% dos americanos e canadenses e 13% dos australianos e alemães acreditavam ter sido vítimas de erros médicos.
E mais: 21% dos australianos, 19% dos americanos, 19% dos alemães e 15% dos canadenses alegaram que esses erros causaram graves complicações de saúde. Entre todos os entrevistados dos seis países, de 28% a 32% afirmaram não ter sido informados, de forma clara, sobre os riscos dos procedimentos durante sua estada no hospital.
Para esclarecer os principais pontos envolvendo o assunto, Viva Saúde conversou com Isac Jorge Filho, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e Genival Veloso de França, membro da Academia Brasileira de Ciências Médico-Sociais, ex-secretário do Conselho Federal de Medicina e co-autor do livro Erro Médico (Editora Unimontes). Confira a seguir!
O QUE É ERRO MÉDICO?
O erro do profissional da área da saúde é dividido em três categorias: imperícia (falta de habilidade ou conhecimento), imprudência (falta de responsabilidade) e negligência (falta de cuidados exigidos). Há algumas condições que podem facilitar sua ocorrência. Entre elas estão: falta de tempo, instalações inadequadas, deficiência na comunicação entre o médico e seu paciente, anotações malfeitas sobre o tratamento e as condições de saúde e decisões tomadas às pressas. É bom salientar ainda que há diferença entre erro e resultado não-satisfatório.
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