
Nativa da Pérsia e cultivada no Irã desde 2000 a.C., a romã foi levada pelos fenícios para o Mediterrâneo, de onde se difundiu para as Américas. Estudos arqueológicos garantem ter encontrado resquícios da fruta em milenares túmulos egípcios. Há referências a ela ainda na literatura egípcia, hebraica e até no clássico Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Para os gregos significa amor e fecundidade - sua árvore foi consagrada a Afrodite, pois acreditava-se que possuía propriedades afrodisíacas. Já os israelitas a têm como símbolo religioso.
Por aqui, a romã - que teria chegado pelas mãos dos portugueses - costuma ser lembrada nas festas de final de ano, em simpatias que prometem dinheiro, prosperidade e fartura. Mas sorte mesmo possui quem consome o alimento. "A romã é rica em compostos antioxidantes, em ácidos fenólicos e em flavonóides, o que traz muitos benefícios à saúde como por exemplo, proteção cardiovascular. Isso é comprovado cientificamente", diz a farmacêutica Fernanda Jardini (SP), que desenvolveu um estudo sobre a fruta no Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).
Essa 'força' ao coração, segundo a especialista, se dá pela ação do ácido gálico, o principal elemento da vermelhinha. E ele é encontrado na parte rosada do alimento. Graças à presença do composto antocianina - também presente no vinho - seu consumo garantiria ainda a longevidade. Mas a casca, a parte branca e as sementes também possuem importantes propriedades. O extrato de romã - obtido a partir da prensagem da fruta inteira - contém taninos hidrolisáveis que ajudam na prevenção do câncer.
Uma recente pesquisa desenvolvida na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e publicada na revista acadêmica Proceedings of the National Academy of Sciences, inclusive, indica que pode ajudar a diminuir o avanço do tumor de próstata. Os testes em ratos demonstraram redução no ritmo de multiplicação desse tipo de célula cancerígena em contato com o extrato de romã. Os resultados animaram os cientistas. "Há bons motivos para testar essa fruta nos humanos, tanto para prevenção quanto para o tratamento de câncer", declarou Hasan Mukhtar, que comandou o estudo americano.
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