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Edição 2 - Junho/2004
 
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  SEQÜÊNCIA DE DNA DEVE SER REVISTA
Descoberta sugere nova forma de ler as mensagens genéticas

Os genes da dupla hélice têm mais informações a revelar do que os cientistas imaginavam.
Depois da mobilização mundial para seqüenciar o genoma humano, os cientistas agora se esforçam para estudar a função de algumas proteínas fabricadas pela dupla hélice de DNA (longe de ter o sentido usado na alimentação, proteína aqui deve ser compreendida como o principal componente macromolecular das células). Tentar entender essas substâncias, portanto, seria a forma de descobrir como os males aparecem e o que fazer para preveni-los. Mas segundo recente descoberta do médico e pesquisador Sérgio Verjovski-Almeida, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), regiões do material genético até então ignoradas (por não fabricarem nenhum tipo de proteína) podem ter muito mais coisas a informar do que se imaginava.

Análise minuciosa
O médico Verjovski faz a afirmação com base nos resultados de sua pesquisa com portadores do câncer de próstata, a ser publicada na revista científica inglesa Oncogene. Os testes demonstraram que mais da metade dos 56 genes envolvidos no desenvolvimento do tumor não sintetizavam proteínas, mas ainda assim enviavam mensagens de ordem, reguladoras da função de outros genes. "E isso, provavelmente, se repete com todas as outras doenças genéticas complexas", garante Verjovski-Almeida. O pesquisador está tão confiante que, com base nesta nova forma de análise, espera revelar novidades sobre os genes ativos do parasita causador da esquistossomose. "Já encontramos seqüências que não são similares a nenhuma já identificada. Iremos testar a hipótese de que grande parte do material desconhecido é formada por genes não-codificantes de proteínas", antecipa o especialista. Longe de desanimar o público que espera a cura do câncer e da Aids, essas investigações podem ser vistas como caminhos mais seguros e realistas a percorrer. "Agora temos um conjunto muito maior e mais complexo de genes a estudar", conclui.



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