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Edição 2 - Junho/2004
 
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  A força da meditação
Enquanto médicos procuram comprovar os benefícios dessa técnica milenar, grávidas, doentes e até presidiários testam o seu potencial na prática

por SANDRA SCIGLIANO E DANIELA TALAMONI
FOTOS FERNANDO GARDINALI

FOTOS FERNANDO GARDINALIPeriodicamente, cerca de 60 acusados de diversos crimes se esforçam para manter a disciplina e o silêncio na Penitenciária Industrial de Guarapuava, no Paraná. A novidade é que eles fazem isso por prazer e vontade própria. Considerada modelo no país, a instituição incluiu a meditação na rotina de atividades oferecidas a seus mais de 240 detentos. E os resultados têm surpreendido. "Muitos confidenciam que agora dormem com mais tranqüilidade e até driblam a depressão", revela o monge Alex Arjuna (SP), responsável por ensinar um número cada vez maior de presidiários a aquietar a mente e a pensar positivo.

Se o método proporciona benefícios num ambiente tão hostil, fica fácil imaginar o que é capaz de fazer por quem o pratica em espaços mais zen ou no aconchego do lar. A meditação consegue deixar os pensamentos disponíveis e organizados. Ou seja, permite que as pessoas descubram uma outra visão de si mesmas, da vida e dos problemas, encarando-os de maneira mais serena e encontrando soluções facilmente. Mas não é só. Cientistas de renomados centros de pesquisa do mundo tentam comprovar até que ponto o ato de meditar pode interferir no estado de saúde, conforme você vai ver a seguir...

Como ela age no cérebro
 
Áreas estimuladas pela prática zen: 1. o lobo frontal, que atua na concentração. 2. o temporal, que tem relação com a memória.

Não há consenso médico para mostrar exatamente como a capacidade de parar por alguns minutos, respirar de forma lenta, afastar os problemas da mente e prestar atenção nas reações do corpo podem mexer com as células cerebrais. "Não sabemos se a meditação reduz o estresse porque interfere nas mensagens dos neurônios, ou se esses sofrem alterações, uma vez que meditar baixa os níveis de ansiedade", explica o psiquiatra Cássio Bottino (SP). Mas algumas pesquisas sugerem caminhos.

O hábito da meditação favorece o consumo de oxigênio e isso mantém o cérebro bem alimentado, melhorando seu potencial. Há liberação de endorfina e serotonina, substâncias associadas à sensação de bem-estar, e uma melhora na comunicação entre os hemisférios direito (senso de direção e raciocínio) e esquerdo (fala e emoções). O lobo frontal, área mais alterada durante a meditação, comanda funções cognitivas como atenção e aprendizado. Já o temporal age na memória.

   

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