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A força da meditação Enquanto médicos procuram comprovar os benefícios dessa técnica milenar, grávidas, doentes e até presidiários testam o seu potencial na prática
por SANDRA SCIGLIANO E DANIELA TALAMONI FOTOS FERNANDO GARDINALI
Periodicamente,
cerca de 60 acusados de diversos crimes se esforçam para manter a disciplina
e o silêncio na Penitenciária Industrial de Guarapuava, no Paraná. A novidade
é que eles fazem isso por prazer e vontade própria. Considerada modelo
no país, a instituição incluiu a meditação na rotina de atividades oferecidas
a seus mais de 240 detentos. E os resultados têm surpreendido. "Muitos
confidenciam que agora dormem com mais tranqüilidade e até driblam a depressão",
revela o monge Alex Arjuna (SP), responsável por ensinar um número cada
vez maior de presidiários a aquietar a mente e a pensar positivo.
Se o método proporciona benefícios num ambiente tão hostil, fica fácil
imaginar o que é capaz de fazer por quem o pratica em espaços mais zen
ou no aconchego do lar. A meditação consegue deixar os pensamentos disponíveis
e organizados. Ou seja, permite que as pessoas descubram uma outra visão
de si mesmas, da vida e dos problemas, encarando-os de maneira mais serena
e encontrando soluções facilmente. Mas não é só. Cientistas de renomados
centros de pesquisa do mundo tentam comprovar até que ponto o ato de meditar
pode interferir no estado de saúde, conforme você vai ver a seguir...
Como
ela age no cérebro |
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| Áreas estimuladas pela prática zen: 1. o lobo frontal, que
atua na concentração. 2. o temporal, que tem relação com a memória. |
Não há consenso médico para mostrar exatamente como a capacidade
de parar por alguns minutos, respirar de forma lenta, afastar os
problemas da mente e prestar atenção nas reações do corpo podem
mexer com as células cerebrais. "Não sabemos se a meditação reduz
o estresse porque interfere nas mensagens dos neurônios, ou se esses
sofrem alterações, uma vez que meditar baixa os níveis de ansiedade",
explica o psiquiatra Cássio Bottino (SP). Mas algumas pesquisas
sugerem caminhos.
O hábito da meditação favorece o consumo de oxigênio e isso mantém
o cérebro bem alimentado, melhorando seu potencial. Há liberação
de endorfina e serotonina, substâncias associadas à sensação de
bem-estar, e uma melhora na comunicação entre os hemisférios direito
(senso de direção e raciocínio) e esquerdo (fala e emoções). O lobo
frontal, área mais alterada durante a meditação, comanda funções
cognitivas como atenção e aprendizado. Já o temporal age na memória. |
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