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Edição 19 - Novembro/2005
 
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  Ai, como dói!
Aprenda a identificar e tratar a fibromialgia, uma síndrome caracterizada por um desconforto persistente e generalizado pelo corpo associado a outros sintomas, como cansaço, distúrbios do sono e depressão

POR ROSE MERCATELLI
FOTO FERNANDO GARDINALI

A secretária Elisa Freitas, de 42 anos, já não agüentava mais andar por consultórios à procura de um alívio para suas dores. Depois de oito anos de sofrimento, uma batelada de exames e inúmeros tratamentos sem resultados, ela tinha perdido as esperanças de passar 24 horas que fosse sem sentir nada, quando lhe indicaram um especialista em controle da dor. Após um minucioso exame e mais o relato de sua longa história clínica, o médico chegou a uma conclusão: estava diante de um caso de fibromialgia. Pela primeira vez em muito tempo, a secretária respirou aliviada ao descobrir que não sofria de câncer ósseo como pensava. Depois, segundo o médico, suas dores eram reais, sim, e não frutos de sua imaginação, nem uma maneira de querer chamar a atenção, como escutou várias vezes durante a procura por uma resposta.

A fibromialgia é definida como uma síndrome de amplificação dolorosa não inflamatória e crônica, na qual a maior queixa é uma dor que não dá sossego. Ataca o pescoço, os braços, a coluna, as pernas. "Às vezes, a dor é percebida como uma sensação de peso em uma parte do corpo. Em outras, compara-se a um forte aperto, uma queimação, um ardor", define a reumatologista Evelin Goldenberg (SP), em seu recém-lançado livro O Coração Sente, O Corpo Dói - Como Reconhecer e Tratar a Fibromialgia, Editora Atheneu.

O NOME FIBROMIALGIA NASCEU DA JUNÇÃO DE TRÊS TERMOS: O LATIM FIBRA (OU TECIDO FIBROSO), O PREFIXO GREGO MIO (QUE DIZ RESPEITO AOS MÚSCULOS) E ALGIA, ORIGINÁRIO DO GREGO ALGOS (DOR)

Problemas associados
Embora suas primeiras descrições tenham sido registradas no século 19, somente em 1976, após as publicações do psiquiatra Harvey Moldofsky e do reumatologista Frederick Wolfe, a fibromialgia foi caracterizada como uma doença orgânica, que atinge de 2% a 5% da população. No Brasil, a porcentagem representa um número em torno de 3,5 a 8,9 milhões de portadores. Nos Estados Unidos, já é considerada um problema de saúde pública e afeta cerca de seis milhões de americanos. Em geral, atinge pessoas entre 30 e 60 anos, embora apareça também em adolescentes e crianças. Suas vítimas favoritas são as mulheres, na proporção de oito a dez para cada homem.

Na verdade, ela é classificada como síndrome porque se caracteriza por um conjunto de sintomas. "O que está presente em todos os quadros é a dor difusa pelo corpo inteiro, que varia entre uma sensação de quebradeira geral até chegar a uma de intensidade incapacitante, presente na maior parte do dia", relata Roberto Heymann, reumatologista, assistente doutor de Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Comissão de Dor e Fibromialgia da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Em geral, vem acompanhada de algumas outras manifestações como formigamento, irritabilidade, enxaqueca, cólon irritável, pernas inquietas e distúrbios do sono. "Cerca de 90% dos pacientes dormem mal, têm sono leve, entrecortado, não reparador. Ao despertar, a pessoa fica com a sensação que não descansou nada", explica Lauro Franco Seda Junior, neurocirurgião e especialista da Clínica de Dor do Hospital São Camilo, de São Paulo.

É comum ainda os fibromiálgicos apresentarem alterações de humor, com quadros de depressão ou de ansiedade. De acordo com pesquisas, 25% dos portadores apresentam sintomas de depressão junto com as dores difusas, enquanto 50% relatam aos médicos que já tiveram crises depressivas antes de surgir o quadro doloroso.

Realidade dolorosa
 


O melhor "raio X" para o diagnóstico é o conhecimento dos sintomas da síndrome:

 A dor é real, física, de fundo orgânico. Se escutou frases do tipo "Isso não é nada", "É da sua cabeça", "É da idade", esqueça! Se você sofre há tempos com dores difusas, procure um especialista.

 Cerca de 90 % dos pacientes relatam fadiga inexplicável e desproporcional ao esforço feito. Para muitos, é quase impossível carregar uma sacola de supermercado. Acompanha o cansaço exagerado, a sensação de falta de energia que dificulta os atos mais simples, como atender um telefone.

 Aproximadamente 10% dos fibromiálgicos apresentam sinais da síndrome das pernas inquietas, uma condição que atrapalha o sono. Ela é descrita como uma sensação desagradável nas pernas inteiras ou apenas na porção entre o tornozelo e o joelho, que se apresenta sob a forma de câimbras, formigamentos, puxões, dores ou queimação.

 Entre 44% a 56% dos pacientes relatam ter dores de cabeça, como a enxaqueca, com dor unilateral, pulsátil ou latejante, na fronte e/ou têmporas, que pode vir ou não acompanhada de náuseas e intolerância a barulho ou luz.

 Um terço (33%) tem disfunção da articulação temporomandibular (ATM). Para localizar a ATM, coloque os dedos ao lado das orelhas, abra e feche a boca. Você sentirá a posição da articulação, entre o osso temporal e a mandíbula. Os problemas nessa região podem causar dores de cabeça, ouvido ou pescoço.

 35% também manifestam sintomas de cólon irritável, caracterizado por episódios de prisão de ventre, diarréia ou ambas as situações alternadas, dor e distensão abdominal.  Um em cada 10 pacientes pode apresentar cistites de repetição ou problemas uretrais.

 Metade dos fibromiálgicos relata ter sensações de parestesia (formigamento) em várias regiões do corpo como mãos, pés, braços.

 

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