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Gente que deu a volta por cima
"Nossos filhos se desenvolvem bem, apesar da paralisia cerebral" Márcia Galpern, mãe de Rodrigo, de cinco anos, e Mauro Laporte, pai de Paulo Henrique, de 17, contam como enfrentaram o problema dos filhos e falam da importância de oferecer apoio e estímulos adequados e contínuos desde cedo
POR YARA ACHÔA
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| Márcia e Rodrigo: descobrindo o mundo |
Aprendemos a valorizar as pequenas conquistas
"O Rodrigo nasceu de 25 semanas, pesando 825 gramas. E chegou a ter
690 gramas durante o período de três meses que esteve internado na UTI,
quando também passou muito tempo entubado. Na primeira semana de vida
teve uma hemorragia intra-craniana que evoluiu para uma hidrocefalia.
Após a alta da UTI, quando pensávamos que o pior já tinha passado, em
apenas três meses o Rodrigo sofreu seis intervenções cirúrgicas.
Sua visão também foi afetada - em um olho possui sete graus de miopia
e no outro percebe apenas vestígios de luz e sombras. Tudo isso provocou
comprometimento motor. Foi um tremendo susto. Eu e meu marido entramos
em uma montanha-russa de emoções diante do quadro de paralisia cerebral.
Tínhamos uma série de expectativas em relação ao nosso primeiro filho
e, de repente, o mundo desmoronou. Quem é que não imagina seu bebezinho
andando, falando, interagindo... Mas ali na UTI aprendi a viver um dia
de cada vez e a valorizar as coisas boas que aconteciam com o Rodrigo,
como o mínimo ganho de peso. Sou judia e todo dia costumava ler o livro
de Salmos para ele. A minha fé ajudou muito. Hoje o Rodrigo está com cinco
anos e nossas expectativas mudaram, aprendemos a conviver com essa criança
tão especial. Se ele vai falar? Não sei. Mas existem outras formas de
comunicação. Se vai andar? Também não sei. Mas existem outras formas de
locomoção - atualmente ele engatinha e comanda sua própria cadeira de
rodas.
Os especialistas dizem que tem potencial de marcha, mas o respeitamos
para que isso aconteça no tempo dele. Tentamos, na medida do possível,
levar uma vida normal, só que isso também requer condição financeira e
energia. Apesar das suas limitações, não o privamos das vivências. O Rodrigo,
como qualquer outra criança da sua idade, vai a praia, clube, parque,
cinema, teatro e até brinca de jogar futebol. A paralisia cerebral não
afetou seu desenvolvimento cognitivo e ele é um garoto esperto, inteligente.
Faz fisioterapia, freqüenta a escola através do Projeto Caminhando da
Transformar - Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência,
em São Paulo. Além disso, meu filho tem a oportunidade, graças ao Projeto
Teclar, de descobrir a informática, o que abre possibilidades ainda maiores
de ele ganhar autonomia na vida. É tudo o que queremos: uma evolução constante,
buscando sua independência."
Márcia Galpern, mãe de Rodrigo
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