Mesmo com um grande volume de trabalho na redação - entre reunião de pauta, edição de textos, discussões a respeito de imagens - não abro mão de fazer algumas reportagens a cada número de Viva Saúde. Gosto de ir a campo em busca de novidades, saber o que os especialistas têm a dizer (e questioná-los, sempre para trazer a melhor informação para você) e descobrir personagens para muitas de nossas matérias. Nesta revista que está em suas mãos, me tocaram de forma particular os depoimentos que ouvi para a seção Aconteceu Comigo.
Vou contar como cheguei a essas pessoas. Em meados de setembro recebi a visita da Janice Ortiz, que é presidente da Transformar - Associação para o Desenvolvimento do Portador de Deficiência, uma sociedade civil sem fins lucrativos que existe desde 1999. Conversamos e ela me falou da missão da entidade: melhorar a qualidade de vida dos portadores de deficiência, de forma a criar condições de integrá-los no convívio com a sociedade. Achei bem interessante a idéia e fui conhecer de perto o projeto - afinal, tem tudo a ver com um de nossos objetivos, que é mostrar que existe muita gente capaz de dar a volta por cima mesmo diante de grandes dificuldades.
Na acolhedora casa no bairro de Vila Mariana, em São Paulo, com ares de escola infantil (algumas salinhas de aula, uma área destinada ao ensino da informática e até um gostoso quintal), conheci crianças e adolescentes portadores de paralisia cerebral. Apesar das limitações físicas, eles estão inseridos em atividades normais do dia-a-dia - conversam, brincam, lêem, discutem atualidades, enfim, fazem o mesmo que tantos outros de sua idade. E estão felizes, dispostos a aprender e a crescer cada vez mais, exercendo seus papéis de cidadãos. Os pais com os quais falei - a Márcia, mãe do Rodrigo, e o Mauro, pai do Paulo Henrique - procuraram a Transformar justamente por causa desse caráter de integração social, que certamente leva seus filhos a ter uma vida mais digna. Tudo feito por profissionais qualificados e voluntários treinados.
Muitos outros jovens poderiam se beneficiar desse tipo de assistência, porém os recursos ainda são limitados. Daí a importância de se divulgar um trabalho como o da associação. Leia a reportagem, reflita sobre as experiências relatadas e perceba que você também pode ajudar a transformar um pouco o mundo. Se quiser começar agora, acesse o site www.transformar.org. Um beijo e até o próximo mês,
Editora-Chefe
yaraachoa@simbolo.com.br
Making of
1. Alegria contagiante: depois das aulas no Projeto Caminhando, da Associação Transformar, Rodrigo, de cinco anos, mostrou muita energia para a sessão de fotos, ao lado da mãe, Márcia, e da editora Yara
2. Professoras, terapeutas e voluntárias da Transformar: trabalho especializado e muito carinho para atender os portadores de necessidades especiais
3. Na oficina de criação literária, do Projeto Entre Nessa, adolescentes estudam a cultura brasileira, tema do mês para o jornalzinho que confeccionam na entidade