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Edição 18 - Outubro/2005
 
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  Fimose: quando e por que operar
A incapacidade de o homem expor a glande (a 'cabeça' do pênis) tracionando o prepúcio (a pele que a recobre) é uma condição congênita que desaparece com a idade, mas, quando persiste, pode levar a alguns problemas

POR ADRIANO CATOZZI

A fimose é uma condição fisiológica normal em recém-nascidos. A aderência do prepúcio à glande é natural, uma vez que ambos tiveram o mesmo desenvolvimento embriológico. No entanto, se a incapacidade de o homem expor a 'cabeça' do pênis tracionando a pele persistir por muito tempo, pode gerar inflamações, infecções e dor. O quadro é facilmente resolvido com aplicação de cremes específicos ou, nos casos resistentes, pela cirurgia de circuncisão - a postectomia - que consiste na retirada do excesso da pele do prepúcio. "O tratamento conservador, com o uso do medicamento, resulta em sucesso em cerca de 50% a 60% dos casos", explica o urologista Aguinaldo César Nardi (SP). "Em mais de 80% a aderência bálano-prepucial se desfaz até os três anos de idade, por isso não aconselho operar antes dessa faixa etária. É preciso diferenciar essa condição natural da fimose secundária", diz o médico, que também é presidente do núcleo São Paulo da Sociedade Brasileira de Urologia.

Uma vez que o problema é diagnosticado e o método tradicional não tem efeito, começa a discussão pelo melhor momento para se realizar a cirurgia - um tema ainda bastante controverso. Para o urologista Wagner de Ávila (SP), pode-se optar pela operação logo que a criança deixe de usar fraldas, pois estas, em contato com os pontos, tendem a causar dermatites.

Há médicos, porém, que preferem esperar entre 7 e 10 anos de idade, uma vez que até os 5 ou 6 anos o garoto passa pela fase fálica e realiza sua identificação sexual - e, portanto, já entende a necessidade do procedimento. Assim, não corre o risco de achar que foi 'cortado um pedaço de seu pênis', situação conhecida como síndrome da castração. Além disso, o descolamento natural ainda pode ocorrer nessa faixa etária. De qualquer forma, é melhor realizar a postectomia antes da adolescência, quando as ereções tornam-se mais freqüentes e deixam o pós-operatório doloroso, aumentando ainda o risco das complicações.

A FIMOSE PODE CAUSAR
 DIFICULDADE PARA MICÇÃO
 HIGIENE INADEQUADA E CONSEQÜENTES INFLAMAÇÕES
 DOR DURANTE A RELAÇÃO SEXUAL
 PARAFIMOSE (O PREPÚCIO RETRAÍDO NÃO CONSEGUE RETORNAR)

Segundo Aguinaldo César Nardi, apenas 0,04% dos meninos até 17 anos apresenta fimose. Entretanto, há homens que a levam para a vida adulta e acabam requerendo a cirurgia. Nas crianças a postectomia é feita sob anestesia geral para evitar o trauma do ambiente cirúrgico e a recuperação é mais rápida. Nos adultos, é necessário somente anestesia local precedida de sedação. Em ambos os casos, o procedimento é ambulatorial e a alta ocorre no mesmo dia, sendo recomendado apenas o afastamento de atividades de risco (como esportes e brincadeiras) nas semanas seguintes.

Há alguns poucos casos em que a cirurgia é indicada, mesmo com a exposição completa da glande. Isso ocorre quando o excesso de pele na região é tamanho que chega a prejudicar a higiene - levando à infecção por repetição em pessoas predispostas ao problema, caso dos diabéticos - ou cause algum distúrbio de natureza sexual, como a dificuldade de penetração. Existem ainda raros quadros de fimose secundária, ou seja, quando ao invés de congênita ela é adquirida, em razão de sucessivas infecções do pênis.

A grande vantagem apresentada pela cirurgia está na maior facilidade de higiene - o prepúcio por si só não causa doenças. "O pênis com excesso de pele é um ambiente propício para proliferar bactérias, principalmente naquele homem que dorme depois de ter relações sexuais. Às vezes, a companheira do paciente desenvolve candidíase por repetição, sendo que o problema está com ele", revela o urologista Wagner de Ávila.

Segundo o médico, nas regiões Norte e Nordeste, em localidades onde as condições de higiene são precárias, o índice de câncer de pênis é igual ao de câncer de próstata em São Paulo. Isso porque o acúmulo de sujeira e o excesso de pele levam à criação do esmegma, uma substância fétida e cancerígena. A postectomia chegou a ser considerada, inclusive, uma medida profilática para o controle de doenças sexualmente transmissíveis e infecções em diversos exércitos no século 19. "Mas, uma vez que o homem retrai o prepúcio normalmente e faz sua higiene de forma adequada, não é caso para tratamento cirúrgico", pondera o médico Aguinaldo César Nardi.

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