O amor é capaz de curar qualquer dor ou mal-estar. Trata-se de um poderoso
afrodisíaco e um antídoto contra doenças, especialmente aquelas de origem
psicossomática. Em suas pesquisas, os cientistas americanos concluíram
que as emoções que movem os relacionamentos têm o poder de provocar uma
revolução química no corpo e na mente, produzindo uma elevação positiva
da energia. Não é à toa que a simples proximidade do ser amado ou a lembrança
de sua existência proporciona um estado de euforia que faz as pupilas
dilatarem e o coração pulsar com mais velocidade.
Nesse momento, são liberados na corrente sangüínea altos níveis de endorfina
e serotonina, neurotransmissores que alteram o ritmo corporal e psíquico
e estimulam as sensações de prazer e bem-estar. A pressão arterial aumenta,
a respiração fica acelerada, o humor melhora, a felicidade exala e, graças
aos feromônios (outras substâncias envolvidas em situações de paixão e
encantamento) o desejo sexual se manifesta a todo instante. A sexualidade
passa a ser uma fonte inesgotável de prazer em que, praticamente, não
existe espaço para os problemas conjugais. É uma experiência inesquecível,
um aprendizado sem limites, que ajuda a pessoa a se manter sempre lúcida
e vibrante.
Há outros mecanismos inconscientes que conseguem explicar essa atração
intensa. Existem coisas sendo resgatadas, o amor que se perdeu no passado,
as carências não resolvidas, os desejos inconfessáveis e, às vezes, um
bom grau de sintonia e entrosamento com alguém que possui interesses,
objetivos e projetos semelhantes. Mas é mesmo a química entre os parceiros
que motiva essa 'pseudo-loucura': o casal não consegue ficar sem se falar,
sem se ver, sem se tocar...
Infelizmente, a euforia e entusiasmo tendem a se abrandar com o tempo.
A paixão costuma durar às vezes seis meses, um ano, dois... raramente
três. O nível de envolvimento é tão intenso que o homem ou a mulher se
sente aprisionado e pouco descontraído para viver o relacionamento. E,
muitas vezes, o sentimento passa a ser unilateral - o outro não está tão
apaixonado e nem tem o mesmo entusiasmo para conservar uma relação de
troca.
| "OS
APAIXONADOS CONSEGUEM MANTER UM ESTADO DE EUFORIA E ALEGRIA ENORME
POR CAUSA DOS ALTOS NÍVEIS DE ENDORFINA E SEROTONINA, SUBSTÂNCIAS
LIGADAS AO PRAZER E AO BEM-ESTAR" |
O casal não se enxerga mais pela lente cor-de-rosa da paixão e, gradualmente,
surgem toda sorte de incertezas e inseguranças, que causam períodos de
intolerância, irritabilidade, bem como o comprometimento da sexualidade
e da saúde. A mesma química que aproximou os amantes, agora passa a gerar
um efeito oposto e a afastá-los. Sabese que a carência amorosa está intimamente
associada ao aumento da ansiedade e da depressão, males que originam inúmeros
problemas. O estômago se contrai, o coração aperta, a taquicardia incomoda,
a respiração fica comprometida e os movimentos peristálticos se intensificam,
provocando cólicas ou prisão de ventre. E o desejo sexual vai diminuindo.
É possível comparar um romance à construção de um edifício. No decorrer
da paixão, o relacionamento sobe 10, 15 andares de uma só vez. Mas a base,
constituída de companheirismo, amizade e respeito, ainda não foi cimentada.
Certamente, será necessário muito concreto durante a relação para que
a estrutura se fortaleça. E isso se consegue por meio da busca de picos
ou períodos de reativação do clima erótico, o que mantém as pessoas mais
disponíveis, alegres e comunicativas. Somente dessa maneira a química
se conservará viva... e o prédio, com sustentação suficiente para não
desabar.
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POR MOACIR
COSTA, MÉDICO PSICOTERAPEUTA, COORDENADOR DO PROJETO AMAR
BEM ( WWW.PROJETOAMARBEM.COM.BR)
E AUTOR DOS LIVROS MULHER - A CONQUISTA DA LIBERDADE E
DO PRAZER (EDIOURO) E A MAR BEM - A VIDA A DOIS COM
MAIS AMOR E PRAZER (EDITORA GENTE) |
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