Viva Saúde
Edição 17 - Setembro/2005
 
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  A química das emoções

POR MOACIR COSTA

O amor é capaz de curar qualquer dor ou mal-estar. Trata-se de um poderoso afrodisíaco e um antídoto contra doenças, especialmente aquelas de origem psicossomática. Em suas pesquisas, os cientistas americanos concluíram que as emoções que movem os relacionamentos têm o poder de provocar uma revolução química no corpo e na mente, produzindo uma elevação positiva da energia. Não é à toa que a simples proximidade do ser amado ou a lembrança de sua existência proporciona um estado de euforia que faz as pupilas dilatarem e o coração pulsar com mais velocidade.

Nesse momento, são liberados na corrente sangüínea altos níveis de endorfina e serotonina, neurotransmissores que alteram o ritmo corporal e psíquico e estimulam as sensações de prazer e bem-estar. A pressão arterial aumenta, a respiração fica acelerada, o humor melhora, a felicidade exala e, graças aos feromônios (outras substâncias envolvidas em situações de paixão e encantamento) o desejo sexual se manifesta a todo instante. A sexualidade passa a ser uma fonte inesgotável de prazer em que, praticamente, não existe espaço para os problemas conjugais. É uma experiência inesquecível, um aprendizado sem limites, que ajuda a pessoa a se manter sempre lúcida e vibrante.

Há outros mecanismos inconscientes que conseguem explicar essa atração intensa. Existem coisas sendo resgatadas, o amor que se perdeu no passado, as carências não resolvidas, os desejos inconfessáveis e, às vezes, um bom grau de sintonia e entrosamento com alguém que possui interesses, objetivos e projetos semelhantes. Mas é mesmo a química entre os parceiros que motiva essa 'pseudo-loucura': o casal não consegue ficar sem se falar, sem se ver, sem se tocar...

Infelizmente, a euforia e entusiasmo tendem a se abrandar com o tempo. A paixão costuma durar às vezes seis meses, um ano, dois... raramente três. O nível de envolvimento é tão intenso que o homem ou a mulher se sente aprisionado e pouco descontraído para viver o relacionamento. E, muitas vezes, o sentimento passa a ser unilateral - o outro não está tão apaixonado e nem tem o mesmo entusiasmo para conservar uma relação de troca.

"OS APAIXONADOS CONSEGUEM MANTER UM ESTADO DE EUFORIA E ALEGRIA ENORME POR CAUSA DOS ALTOS NÍVEIS DE ENDORFINA E SEROTONINA, SUBSTÂNCIAS LIGADAS AO PRAZER E AO BEM-ESTAR"

O casal não se enxerga mais pela lente cor-de-rosa da paixão e, gradualmente, surgem toda sorte de incertezas e inseguranças, que causam períodos de intolerância, irritabilidade, bem como o comprometimento da sexualidade e da saúde. A mesma química que aproximou os amantes, agora passa a gerar um efeito oposto e a afastá-los. Sabese que a carência amorosa está intimamente associada ao aumento da ansiedade e da depressão, males que originam inúmeros problemas. O estômago se contrai, o coração aperta, a taquicardia incomoda, a respiração fica comprometida e os movimentos peristálticos se intensificam, provocando cólicas ou prisão de ventre. E o desejo sexual vai diminuindo.

É possível comparar um romance à construção de um edifício. No decorrer da paixão, o relacionamento sobe 10, 15 andares de uma só vez. Mas a base, constituída de companheirismo, amizade e respeito, ainda não foi cimentada. Certamente, será necessário muito concreto durante a relação para que a estrutura se fortaleça. E isso se consegue por meio da busca de picos ou períodos de reativação do clima erótico, o que mantém as pessoas mais disponíveis, alegres e comunicativas. Somente dessa maneira a química se conservará viva... e o prédio, com sustentação suficiente para não desabar.

 
POR MOACIR COSTA, MÉDICO PSICOTERAPEUTA, COORDENADOR DO PROJETO AMAR BEM (WWW.PROJETOAMARBEM.COM.BR) E AUTOR DOS LIVROS MULHER - A CONQUISTA DA LIBERDADE E DO PRAZER (EDIOURO) E AMAR BEM - A VIDA A DOIS COM MAIS AMOR E PRAZER (EDITORA GENTE)
   


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