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Edição 16 - Agosto/2005
 
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O especialista
  A FUNÇÃO DO REUMATOLOGISTA
Ele é o médico mais indicado para tratar as 106 doenças reumáticas existentes, sem contar outros males. Mas ainda é pouco conhecido no Brasil

POR DANIELA TALAMONI

Quando o joelho incha de repente, as pessoas logo pensam no ortopedista. Muitos dos males, porém, que afetam o sistema músculoesquelético (articulações, ligamentos, cartilagens e ossos) são especialidade de outro profissional, o reumatologista. Ele é tão competente quanto o primeiro, embora bem menos conhecido. Uma das razões é o número reduzido de médicos nessa área. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, há apenas 992 cadastrados no país - metade deles só no estado de São Paulo. Outra justificativa para o desconhecimento são as confusões que o termo reumatismo gerou ao longo do tempo.

Derivado do grego, o prefixo rheuma quer dizer 'líquido que flui, que corre' e antigamente serviu para caracterizar qualquer inchaço articular, sem razão traumática (torções e pancadas). Acreditava- se que o acúmulo de fluido nessas regiões é que gerava dores e dificultava movimentos - por isso o nome.

Hoje, o prefixo tem significado mais amplo: representa 106 doenças que, por vários fatores, incluindo predisposição genética, causam inflamações ou degenerações no aparelho locomotor, podendo comprometer sua função, além de alguns órgãos como rins, pulmão e coração. Entre as enfermidades estão artrose (desgaste da cartilagem), fibromialgia (dores difusas pelo corpo), osteoporose (enfraquecimento dos ossos), artrite reumatóide (juntas inflamadas, deformações e dificuldade de movimentos), febre reumática (capaz de provocar lesão cardíaca). E mais: lombalgia, tendinite, gota, bursites. . .

Formação em clínica geral
De acordo com o professor de reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Jamil Natour, expresidente da Sociedade Paulista de Reumatologia, por envolver uma série de distúrbios secundários, as doenças reumáticas são de difícil diagnóstico e exigem do especialista um sólido conhecimento clínico. "Para isso, após a faculdade de medicina, o futuro reumatologista deve fazer dois anos de residência em clínica geral e, depois, mais dois anos em reumatologia", explica.

Só assim, ele estará apto a tratar uma hipertensão e até uma inflamação na aorta, se forem conseqüências dos males incluídos em sua especialidade. Não é à toa que sua formação é a mais reconhecida para diagnosticar e tratar as doenças auto-imunes, como o lúpus, caracterizadas por reação inesperada do sistema imunológico (ele começa a produzir anticorpos contra o próprio organismo).

"Enfim, trata-se de um médico que, mais do que conhecer todo o funcionamento mecânico do aparelho locomotor, também precisa estar muito bem informado sobre as áreas de imunologia, biologia molecular e genética", resume Jamil Natour.

COMO DIFERENCIAR OS ESPECIALISTAS
 

Não é obrigação do paciente saber quando procurar um ortopedista ou um reumatologista. Só um bom clínico ou o médico de confiança da família é capaz de identificar os sinais e encaminhá-lo ao especialista mais indicado - até porque nem sempre as razões para o mal são tão evidentes.

De qualquer forma, se o problema atinge o sistema locomotor, o médico Jamil Natour ensina uma forma simples de resolver a questão: se as dores e inchaços aparecem após um trauma (por exemplo, uma torção do joelho ou uma queda), o ideal é consultar um ortopedista. Se esses sintomas surgem de repente, sem nenhuma razão traumática e ainda vêm acompanhados por calor, vermelhidão e pressão alta, vá ao reumatologista.

 

 

FOTO: FERNANDO GARDINALI. PRODUÇÃO: LUANA PRADO. ILUSTRAÇÃO: MARCELO GARCIA


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