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Edição 16 - Agosto/2005
 
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  INFECÇÃO HOSPITALAR: sempre haverá riscos
Mesmo cumprindo todas as normas de higiene e segurança, nenhum hospital oferece 100% de proteção ao paciente. Entenda por quê

POR DANIELA TALAMONI

FOTOS: FERNANDO GARDINALI E DIVULGAÇÃO. PRODUÇÃO: LUANA PRADE1 O que é infecção hospitalar?
Chamamos assim qualquer infecção provocada por fungos, bactérias e/ou vírus adquirida pelo paciente após 48 horas de internação ou decorrente de procedimentos que tenham sido realizados em ambiente hospitalar. A gravidade e o tipo de contaminação variam e dependem de inúmeros fatores, como local do corpo atingido, espécie de microrganismo envolvida, área do hospital onde o fato ocorreu e até mesmo da reação do sistema imunológico e das condições de saúde da vítima. Mas todas aumentam bastante o risco de morte de quem está hospitalizado. As infecções mais comuns são a pneumonia (causada por bactéria) e aquelas que acometem as vias urinárias, as feridas cirúrgicas e a corrente sangüínea.

2 Como se dá a contaminação?
Muita gente acha que os visitantes e familiares dos doentes são os principais responsáveis pelo vaivém dos microrganismos pelos quartos e corredores dos hospitais e, conseqüentemente, pelas infecções. Por isso, é bom destacar que essas visitas não aumentam de forma alguma o risco do problema - a não ser que o paciente visitado precise ficar isolado por estar com o sistema imunológico bastante fragilizado (caso de quem acabou de ser submetido a um transplante de medula óssea, por exemplo). Em geral, os agentes infecciosos podem entrar no organismo doente de várias outras formas. Eles pegam carona em instrumentos cirúrgicos, cateteres endovenosos e utilizados para hemodiálise, tubo traqueal, enfim, qualquer material que, de alguma forma, penetre na pele e entre em contato direto com os tecidos e o sangue de quem está internado ou sendo submetido a algum cuidado médico no pronto-socorro ou enfermaria.

3 Então o problema é a falta de esterilização dos materiais?
Nem sempre a falha é do hospital ou da equipe médica. Hoje, já existem métodos eficientes de limpeza e antissepsia que reduziram bastante as taxas de incidência e morte por infecção hospitalar no Brasil e no mundo. Porém, nada disso garante que um dia o índice de contaminação seja zero. Há milhões de microrganismos circulando no ar e as próprias condições inerentes às intervenções nesse ambiente, especialmente as cirúrgicas, deixam o paciente muito exposto. Sem contar a fragilidade em que ele se encontra, uma vez que está justamente ali para tratar ou se recuperar de uma outra doença ou distúrbio. Não é à toa que os órgãos responsáveis pela área de saúde estabelecem um percentual de contaminação por microrganismos a ser considerado normal. Na prática, é comum que os casos de infecção cheguem a até 6% na maioria dos hospitais e 10% a 12% nos hospitais-escola (instituições ligadas às universidades).

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