Viva Saúde
Edição 15 - Julho/2005
 
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a visão médica sobre os mais diversos assuntos
  saúde e espiritualidade

Nas duas últimas décadas - e mais particularmente nos últimos cinco anos -, observa-se um interesse cada vez maior por parte dos profissionais de saúde das Américas nos assuntos relacionados à influência da espiritualidade no bem-estar físico e mental das pessoas. Aproximadamente dois terços das escolas de medicina dos Estados Unidos, inclusive instituições acadêmicas e de pesquisa de prestígio, como as universidades de Harvard, Stanford, John Hopkins, Duke, Clínica Mayo e muitas outras, já oferecem cursos obrigatórios ou eletivos sobre religião e espiritualidade. Embora este conceito possa, a princípio, parecer novo, sabe-se que na longa história da medicina e assistência à saúde sempre houve uma estreita ligação entre essas áreas.

O primeiro hospital do mundo ocidental foi fundado por cristãos ortodoxos orientais em 370 d.C. na cidade de Cesarea, atual Turquia. Durante a Idade Média e até os séculos XVII e XVIII, as igrejas cristãs construíram e administraram a maioria dos hospitais europeus. Hoje, em vários países, inclusive no Brasil, existem muitas instituições de saúde construídas e operadas por grupos religiosos.

Se refletirmos bem, é natural que o bem-estar esteja também relacionado com hábitos religiosos. Do ponto de vista da saúde mental, por exemplo, os indivíduos que seguem uma doutrina costumam ser mais otimistas, têm um comportamento mais estável e demonstram uma melhor compreensão do sentido da vida. Na maioria das vezes, sofrem com mais resignação, sem se deixar abater pelos problemas que a vida lhes traz. Além de serem emocionalmente mais estáveis, gozam de uma rede de apoio social mais eficaz, pois contam com a ajuda de seus amigos e companheiros de religião. Como normalmente a crença impõe padrões de estilos de vida mais saudáveis - evitando drogas, bebidas e cigarros -, as pessoas religiosas tendem a gozar de melhor condição física.

Os efeitos positivos da abordagem de questões espirituais com os pacientes são geralmente mais evidentes em enfermidades que causam alto nível de estresse - como infarto, úlcera e hipertensão arterial - e doenças relacionadas ao sistema imunológico. A oração afasta da mente a dor e eleva o pensamento a outros patamares. A fé é uma força poderosa que ajuda o indivíduo a superar fases difíceis da doença, e ainda reforça a confiança em suas próprias energias e o propósito de continuar vivendo.

Além de proporcionar melhores resultados no tratamento médico e acelerar a recuperação do paciente, a fé religiosa autêntica - seja ela cristã, judaica, muçulmana etc. - pode estar também associada a uma maior longevidade. Os resultados de uma pesquisa realizada durante nove anos nos Estados Unidos, envolvendo 21.204 adultos de várias idades, mostraram que aqueles que freqüentam um culto pelo menos uma vez por semana vivem, em média, sete anos a mais que os que não se dedicam a atividades desse tipo.

"A FÉ É UMA FORÇA PODEROSA QUE AJUDA O INDIVÍDUO A SUPERAR FASES DIFÍCEIS DA DOENÇA E REFORÇA A CONFIANÇA EM SUAS ENERGIAS E O PROPÓSITO DE CONTINUAR VIVENDO"

Contudo, é importante ressaltar que a abordagem de questões religiosas com enfermos é uma tarefa delicada, que requer sensibilidade e respeito. O médico precisa saber quais e quão importantes são as crenças espirituais do paciente antes de tratar o assunto. Se o indivíduo não segue nenhuma religião e também não acredita em Deus, o profissional deve explorar outras maneiras de proporcionar a ele o apoio moral que necessita. Há várias formas de satisfazer as necessidades existenciais e psicológicas básicas durante a enfermidade.

Esta é minha segunda visita ao Brasil (participei recentemente do Seminário Internacional de Medicina e Espiritualidade e do 5o Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil - Mednesp) e fico muito feliz em saber que vários dos meus colegas brasileiros estão realmente interessados neste assunto. Espero que, com a publicação do meu livro Espiritualidade no Cuidado do Paciente, possa prestar uma contribuição para uma abordagem mais completa das questões relacionadas com a saúde das pessoas, tratando ao mesmo tempo do corpo, da mente e do espírito como um sistema único e indivisível.

 
POR HAROLD G. KOENIG, DIRETOR DO CENTRO DE ESTUDOS DE ESPIRITUALIDADE, TEOLOGIA E SAÚDE, DO DUKE UNIVERSITY MEDICAL CENTER, DURHAM, EUAP)
   

 


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