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Edição 14 - Junho/2005
 
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  "Fiz a cirurgia bariática"
Rodrigo Sodré Milhomens, de 23 anos, decidiu reduzir o estômago e mudou de vida: emagreceu 73 kg e deixou de ser hipertenso

POR DANIELA TALAMONI

FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Com a auto-estima e a saúde em ordem, o estudante comemora o resultado
Comecei a engordar aos 6 anos. Nessa época, meus pais trabalhavam e minhas irmãs (bem mais velhas) tinham seus compromissos. Passei boa parte da infância com a babá ou no colégio em período integral, o que facilitou o meu acesso aos refrigerantes, por exemplo. Para piorar, sempre fui ansioso, mimado por todos e levava uma vida sedentária, me divertindo na TV e no videogame. Aos 9 anos, nos mudamos da capital paulista para a cidade de Americana (SP), onde pude brincar mais na rua. Nem assim emagreci e aquelas gordurinhas consideradas 'sinal de saúde' passaram a preocupar.

Tinha 11 anos, 1,70 metro e 70 quilos quando fui ao endocrinologista pela primeira vez. Os exames não acusaram distúrbios hormonais e o médico receitou dieta, exercícios e visitas a um psicólogo, uma vez que, além de controlar o apetite, precisava driblar a timidez e as piadinhas na escola. Nada funcionou. Comecei a fazer natação, mas a vergonha era tanta que não evoluía e desisti.

Quanto às restrições alimentares, tentei seguir as orientações de vários especialistas, mas sempre caía em tentação. Precisei de muitas sessões de terapia para descobrir por que não me esforçava para valer. Hoje, sei que a gordura era uma forma de proteção, de continuar sendo o bebê da família. Por isso, aos 19 anos, 1,95 metro e 178 quilos (!) olhavame no espelho e não me achava gordo.

Mudei com o sofrimento
Entre junho de 2001 e março de 2002, esqueci de vez de lutar contra a balança para ajudar meu pai a enfrentar um câncer agressivo. Esse período entre o diagnóstico e a sua morte coincidiu com várias mudanças na minha vida. Era fase de vestibular e o nervosismo me rendeu crises graves de pressão alta (chegava a 23 por 12!). Por outro lado, me inspirei na força e coragem do meu pai e pensei seriamente em reduzir o estômago.

Depois do vexame de ficar entalado na cadeira, no primeiro dia de aula da faculdade, desisti do curso e marquei a cirurgia. Uma psicóloga me acompanhou durante todo o processo. A fase pós-operatória foi difícil. A fome era a mesma, mas só podia ingerir sopas, sucos e águade- coco. Hoje, com 105 quilos e a pressão sob controle (12 por 8), percebo o quanto era obeso. Meu sonho é sair dos três dígitos, mas não tenho pressa. Só quero me formar em Direito e escrever um livro para contar o quanto estou feliz."

Entenda bem
 
Rodrigo foi submetido à cirurgia de Capella, técnica mais utilizada no mundo. Por via laparoscópica ou incisão abdominal, o estômago é reduzido em 20 ml e, depois, conectado ao intestino. O procedimento diminui ainda a velocidade de esvaziamento gástrico graças a um pequeno anel de contenção. No caso do estudante, o grampeamento foi feito com ILS, aparelho que faz emendas intestinais ou gástricas com titânio. "Uma variação menos sujeita a complicações", diz o gastroenterologista José Luiz Nascimbem, de Americana (SP). A intervenção dura cerca de três horas e o paciente fica cinco dias internado. Depois, são recomendadas um mês de dieta líquida e consultas médicas periódicas.
 


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