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Edição 14 - Junho/2005
 
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  os riscos do HPV

Direto ao ponto

"O resultado do meu exame Papanicolaou apontou a presença de HPV, apesar de eu não ter nenhuma verruga visível. Qual a chance de eu desenvolver câncer de colo de útero? Posso ter pego o vírus mesmo transando com camisinha?"

A.P.P., POR E-MAIL

Existem vários subtipos de papilomavírus humano (HPV) e, quando se instalam no organismo, nem todos dão sinais claros e visíveis da sua presença. Aliás, as variações do vírus consideradas de maior risco para o desenvolvimento de câncer são justamente aquelas que não produzem verrugas genitais. Como agem 'discretamente', muitas mulheres não apresentam nenhum sintoma da doença e, assim como você, só descobrem estar infectadas pelo HPV após realizar o Papanicolaou. Por isso é tão importante que mulheres com uma vida sexual ativa sejam submetidas a esse exame anualmente, mesmo que não haja alterações ginecológicas aparentes, como corrimentos ou dores vaginais.

O HPV está intimamente ligado ao câncer do colo do útero (mais de 90% das mulheres que têm a doença apresentam o vírus), mas se ele for diagnosticado precocemente (como no seu caso), não há o que temer. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que, apesar de 20% a 25% das brasileiras estarem contaminadas pelo HPV, apenas uma pequena parte (menos de 3%) terá câncer. Isso costuma ocorrer geralmente com aquelas que passam décadas convivendo com o problema, sem buscar diagnóstico nem tratamento médico. Neste caso, com o passar dos anos, o papilomavírus acaba provocando alterações importantes na estrutura das células da vagina e do colo do útero, o que pode favorecer o aparecimento de um tumor maligno.

Para evitar complicações futuras, recomendo que agora você faça outros exames específicos para diagnosticar o tipo de HPV e, assim, começar o quanto antes o tratamento adequado. De acordo com a localização e o tamanho da lesão, o médico deve propor uma determinada intervenção. O laser é um dos exemplos de recursos que têm sido empregados na tentativa de controlar a ação do vírus. Serão necessários ainda acompanhamentos periódicos para ter certeza de que o HPV não voltou a se manifestar. E mais: evitar alguns hábitos e males que costumam potencializar a ação do papilomavírus no desenvolvimento do câncer - entre eles, o uso de contraceptivos orais por longos períodos, tabagismo e doenças sexualmente transmissíveis (DST), como herpes genital, clamídia e Aids.

Por falar em DST, vale lembrar que a camisinha ainda é o melhor método para impedir a transmissão do HPV, apesar de não conseguir evitá-la totalmente. Se a lesão e a área a serem protegidas estiverem fora do alcance do preservativo, há risco de contaminação. Por exemplo, quando há contato do saco escrotal com os lábios vaginais ou com a entrada da vagina. Neste sentido, a camisinha feminina é mais eficiente, já que a área "coberta" é maior do que a proporcionada com a masculina.

"90% DAS MULHERES QUE TÊM CÂNCER DE COLO DO ÚTERO APRESENTAM O HPV. MAS SE O VÍRUS FOR DIAGNOSTICADO E TRATADO PRECOCEMENTE, AS CHANCES DE DESENVOLVER UM TUMOR MALIGNO SÃO MÍNIMAS"

A boa notícia é que os estudos envolvendo a vacina de HPV estão chegando na última fase de pesquisas, com resultados bastante animadores. Há quem diga que já em 2006 teremos uma substância no mercado capaz de prevenir a infecção ou pelo menos o desenvolvimento do vírus dentro do organismo. Neste caso, a vacina serviria para estimular o sistema imunológico do paciente, combater o vírus e controlar o desenvolvimento da doença.

Vários laboratórios estão na corrida por essa descoberta e a esperança é que ela consiga 'proteger' contra a maior quantidade de subtipos de HPV, principalmente aqueles relacionados ao aparecimento do câncer. Enquanto isso, o melhor a se fazer é mesmo continuar usando preservativos e realizar exames ginecológicos periódicos.

 
JAIRO BOUER É MÉDICO PSIQUIATRA (SP)
   

Escreva para Direto ao Ponto, por Jairo Bouer: Av. Alfredo Egídio de Souza Aranha, 100, Bloco B, 8o andar, Gja. Julieta, São Paulo, SP, CEP 04726-170 jairobouer@simbolo.com.br


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