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Edição 14 - Junho/2005
 
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  ANESTESIA: sem dor, sem medo
A evolução da medicina deixou o procedimento mais eficaz e seguro. A falta de informação e alguns mitos, porém, ainda geram desconfiança nos pacientes que estão a caminho da cirurgia

POR DANIELA TALAMONI

1 - O que é anestesia?
O termo pelo qual ficou conhecido um dos procedimentos mais importantes da medicina tem origem grega e, literalmente, quer dizer 'privado de sensibilidade'. Na prática, trata-se de um estado de total ausência de dor, por um tempo determinado, que permite a realização de operações cirúrgicas, diagnósticos dolorosos ou curativos, sem causar nenhum desconforto ao paciente. Funciona da seguinte maneira: fármacos específicos são administrados por via venosa, intramuscular ou inalatória (anestésicos gasosos ou voláteis) e, dependendo do tipo de anestesia, ou impedem a propagação dos estímulos nervosos em determinadas regiões do corpo (anestesias regional e local) ou tiram a consciência e os reflexos da pessoa (anestesia geral), fazendo-a dormir profundamente durante a intervenção.

2 - Quais são os tipos mais comuns?
Basicamente, existem três: a anestesia geral, a regional e a local. A primeira, por deixar todo corpo anestesiado e imóvel, é indicada para procedimentos realizados no abdômen superior, tórax, cabeça e pescoço, bem como em cirurgias cardíacas e neurológicas. Os médicos também costumam usá-la quando as intervenções precisam ser feitas em crianças. Seu efeito evita que esses pequenos pacientes fiquem traumatizados ou inquietos durante o tratamento. Já a regional serve para anestesiar apenas algumas áreas do corpo, sendo recomendada para cirurgias nas pernas, apendicite, útero, ovário e bexiga. Nesta categoria, estão as populares injeções aplicadas nas costas em cesarianas: a peridural (aplicada na camada de gordura anterior à membrana que envolve a medula vertebral) e a raquianestesia (injetada em região abaixo da medula, onde só há filamentos nervosos). Finalmente, ainda há a anestesia local, utilizada em operações simples que envolvem pequenas áreas, como cirurgias plásticas ou sutura de pequenos cortes, por exemplo. Neste caso, a atuação do anestésico é mais superficial, não atingindo o nervo, mas terminações nervosas da pele.

3 - Como definir a melhor técnica anestésica?
Só mesmo o anestesiologista e médicos especializados em Serviços de Anestesia de Hospitais (residência médica reconhecida pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia e pelo Ministério da Educação) estão capacitados para indicar o anestésico ideal para cada situação. Por isso, antes de qualquer procedimento anestésico-cirúrgico, recomendase que o paciente passe por uma consulta prévia. A indicação leva sempre em conta histórico médico, exames clínicos, tipo de cirurgia, tempo operatório e, em alguns casos, até mesmo a preferência do paciente e do cirurgião.

4 - Qual anestesia oferece mais riscos?
Sem dúvida, aquela aplicada sem qualquer acompanhamento de especialista, ou seja do anestesista (ou anestesiologista). Afinal, além de administrar corretamente a anestesia, também é função desse médico verificar e manter controlados durante e após a cirurgia todas as funções orgânicas fundamentais do paciente, como pressão arterial, os batimentos cardíacos, a respiração, a temperatura... Hoje, porém, graças aos recursos cada vez mais seguros e aos modernos e eficazes equipamentos para aplicação das substâncias e monitoramento dos sinais vitais, são raras as complicações e mortes causadas exclusivamente pelas anestesias.

5 - E quanto ao choque anafilático?
Esta é uma reação alérgica intensa que pode ocorrer minutos depois que o organismo entra em contato com algum alérgeno - que pode ser desde um alimento com aditivo químico ou mesmo picadas e mordidas de insetos até drogas como penicilina e anestésicos. Em contato com o agente irritante, o organismo libera uma substância chamada histamina, que causa vasodilatação, broncoespasmo, edema (inchaço), vermelhidão e coceira. Em seguida, o fluxo de sangue diminui, a pressão arterial cai, falta oxigênio no cérebro e, se nada for feito em tempo, o paciente pode sofrer danos cerebrais, desenvolver uma insuficiência renal e até morrer.

6 - É possível prevenir tais complicações?
Infelizmente, os testes realizados antes da aplicação da anestesia não são suficientes para detectar uma possível alergia ao anestésico escolhido. Mas algumas recomendações ajudam a evitar ou minimizar eventuais efeitos adversos. O paciente, por exemplo, deve alertar ao anestesista sobre episódios alérgicos anteriores (seja relacionados a anestésicos seja ao uso de medicamentos). Também não pode ingerir alimentos sólidos até oito horas antes de ser anestesiado, nem tomar líquidos nas seis horas que precedem a intervenção.

7 - Como as cirurgias eram feitas antes da existência dos anestésicos?
A primeira intervenção com anestesia geral ocorreu em 1846. Neste ano, no Massachusetts General Hospital, em Boston (EUA), o cirurgião John Collins Warren retirou um tumor no pescoço de um jovem de 17 anos e, para isso, antes da cirurgia, o paciente foi anestesiado com éter pelo dentista William Thomas Green Morton, que utilizou um aparelho inalador de sua criação. Tempos depois, em 1884, foi a vez de Karl Koller introduzir a anestesia local para a realização de uma cirurgia oftalmológica. Antes disso, porém, os médicos costumavam amenizar a dor no ato cirúrgico com extratos de plantas dotadas de ação sedativa e analgésica, além de lançar mão da hipnose, bebidas alcoólicas e de drogas, como o ópio.

 
Irimar de Paula Posso, presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo
FOTO: DIVULGAÇÂO
   

 


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