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- O que é anestesia?
O termo pelo qual ficou conhecido um dos procedimentos mais importantes
da medicina tem origem grega e, literalmente, quer dizer 'privado de sensibilidade'.
Na prática, trata-se de um estado de total ausência de dor, por um tempo
determinado, que permite a realização de operações cirúrgicas, diagnósticos
dolorosos ou curativos, sem causar nenhum desconforto ao paciente. Funciona
da seguinte maneira: fármacos específicos são administrados por via venosa,
intramuscular ou inalatória (anestésicos gasosos ou voláteis) e, dependendo
do tipo de anestesia, ou impedem a propagação dos estímulos nervosos em
determinadas regiões do corpo (anestesias regional e local) ou tiram a
consciência e os reflexos da pessoa (anestesia geral), fazendo-a dormir
profundamente durante a intervenção.
2 -
Quais são os tipos mais comuns?
Basicamente, existem três: a anestesia geral, a regional e a local. A
primeira, por deixar todo corpo anestesiado e imóvel, é indicada para
procedimentos realizados no abdômen superior, tórax, cabeça e pescoço,
bem como em cirurgias cardíacas e neurológicas. Os médicos também costumam
usá-la quando as intervenções precisam ser feitas em crianças. Seu efeito
evita que esses pequenos pacientes fiquem traumatizados ou inquietos durante
o tratamento. Já a regional serve para anestesiar apenas algumas áreas
do corpo, sendo recomendada para cirurgias nas pernas, apendicite, útero,
ovário e bexiga. Nesta categoria, estão as populares injeções aplicadas
nas costas em cesarianas: a peridural (aplicada na camada de gordura anterior
à membrana que envolve a medula vertebral) e a raquianestesia (injetada
em região abaixo da medula, onde só há filamentos nervosos). Finalmente,
ainda há a anestesia local, utilizada em operações simples que envolvem
pequenas áreas, como cirurgias plásticas ou sutura de pequenos cortes,
por exemplo. Neste caso, a atuação do anestésico é mais superficial, não
atingindo o nervo, mas terminações nervosas da pele.
3 -
Como definir a melhor técnica anestésica?
Só mesmo o anestesiologista e médicos especializados em Serviços de Anestesia
de Hospitais (residência médica reconhecida pela Sociedade Brasileira
de Anestesiologia e pelo Ministério da Educação) estão capacitados para
indicar o anestésico ideal para cada situação. Por isso, antes de qualquer
procedimento anestésico-cirúrgico, recomendase que o paciente passe por
uma consulta prévia. A indicação leva sempre em conta histórico médico,
exames clínicos, tipo de cirurgia, tempo operatório e, em alguns casos,
até mesmo a preferência do paciente e do cirurgião.
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- Qual anestesia oferece mais riscos?
Sem dúvida, aquela aplicada sem qualquer acompanhamento de especialista,
ou seja do anestesista (ou anestesiologista). Afinal, além de administrar
corretamente a anestesia, também é função desse médico verificar e manter
controlados durante e após a cirurgia todas as funções orgânicas fundamentais
do paciente, como pressão arterial, os batimentos cardíacos, a respiração,
a temperatura... Hoje, porém, graças aos recursos cada vez mais seguros
e aos modernos e eficazes equipamentos para aplicação das substâncias
e monitoramento dos sinais vitais, são raras as complicações e mortes
causadas exclusivamente pelas anestesias.
5 -
E quanto ao choque anafilático?
Esta é uma reação alérgica intensa que pode ocorrer minutos depois que
o organismo entra em contato com algum alérgeno - que pode ser desde um
alimento com aditivo químico ou mesmo picadas e mordidas de insetos até
drogas como penicilina e anestésicos. Em contato com o agente irritante,
o organismo libera uma substância chamada histamina, que causa vasodilatação,
broncoespasmo, edema (inchaço), vermelhidão e coceira. Em seguida, o fluxo
de sangue diminui, a pressão arterial cai, falta oxigênio no cérebro e,
se nada for feito em tempo, o paciente pode sofrer danos cerebrais, desenvolver
uma insuficiência renal e até morrer.
6 -
É possível prevenir tais complicações?
Infelizmente, os testes realizados antes da aplicação da anestesia não
são suficientes para detectar uma possível alergia ao anestésico escolhido.
Mas algumas recomendações ajudam a evitar ou minimizar eventuais efeitos
adversos. O paciente, por exemplo, deve alertar ao anestesista sobre episódios
alérgicos anteriores (seja relacionados a anestésicos seja ao uso de medicamentos).
Também não pode ingerir alimentos sólidos até oito horas antes de ser
anestesiado, nem tomar líquidos nas seis horas que precedem a intervenção.
7 -
Como as cirurgias eram feitas antes da existência dos anestésicos?
A primeira intervenção com anestesia geral ocorreu em 1846. Neste ano,
no Massachusetts General Hospital, em Boston (EUA), o cirurgião John Collins
Warren retirou um tumor no pescoço de um jovem de 17 anos e, para isso,
antes da cirurgia, o paciente foi anestesiado com éter pelo dentista William
Thomas Green Morton, que utilizou um aparelho inalador de sua criação.
Tempos depois, em 1884, foi a vez de Karl Koller introduzir a anestesia
local para a realização de uma cirurgia oftalmológica. Antes disso, porém,
os médicos costumavam amenizar a dor no ato cirúrgico com extratos de
plantas dotadas de ação sedativa e analgésica, além de lançar mão da hipnose,
bebidas alcoólicas e de drogas, como o ópio.