ACIDENTE
VASCULAR CEREBRAL: a ação deve ser imediata
Conhecido popularmente como derrame ou isquemia, o AVC
representa 15% dos óbitos no Brasil e é a principal causa de lesões ou
déficits permanentes em adultos
1 -O que é acidente vascular cerebral?
Trata-se de um termo genérico que traduz problemas com a circulação do
cérebro. Também é chamado de derrame ou isquemia. Existem dois tipos:
o isquêmico (AVC I) - que ocorre em aproximadamente 20% dos indivíduos
na faixa dos 40 a 80 anos - e o hemorrágico (AVC H) - que corresponde
a cerca de 10% a 15% das doenças cérebrovasculares. O isquêmico se dá
com a interrupção do fluxo sangüíneo em certa região da cabeça, ou seja,
quando há obstrução de algum vaso nutriente, levando a uma área de infarto
do encéfalo (cérebro). Já o hemorrágico é provocado pela ruptura de um
vaso sangüíneo, que leva ao derrame de sangue para dentro da massa encefálica.
O percentual de risco aumenta com a idade, pois as artérias vão perdendo
a elasticidade. As mulheres (53%) estão um pouco mais propensas ao problema
do que os homens, bem como indivíduos da raça negra (pela predominância
de hipertensão). Não se pode deixar de considerar ainda fatores genéticos.
2 - Quais são
as principais causas do AVC I?
Entre os problemas que podem levar a ele estão: hipertensão arterial (a
principal causa), fumo, obesidade, hipercolesterolemia (aumento dos níveis
de colesterol no sangue), diabetes, doenças cardíacas tromboembolíticas
(que produzem coágulos), estenose de carótida (estreitamento no par de
artérias situado na região anterior do pescoço, responsável por aproximadamente
70% da irrigação sangüínea do cérebro) e vasculites (processos inflamatórios
das artérias cerebrais). O uso de anticoncepcionais é outro fator relevante
para sua ocorrência, pois interfere na coagulação do sangue, resultando
na formação de trombos (coágulos) que obstruem as artérias cerebrais.
O consumo de drogas, em especial a cocaína, igualmente está na lista,
porque mexe com a freqüência cardíaca, elevando-a a níveis muito mais
altos do que o normal, além de proporcionar vasoespasmos das artérias,
podendo provocar um fenômeno isquêmico.
3 - E em relação ao AVC
H?
As causas são semelhantes às do AVC I, mas acrescidas do uso de medicamentos
anticoagulantes, de doenças hematológicas e principalmente das MAV (malformações
arteriovenosas) - defeitos congênitos de artérias e veias cerebrais que
formam um enovelado de vasos, cujas paredes apresentam imperfeições em
suas camadas, tendo áreas extremamente delgadas que podem facilmente se
romper e desencadear o sangramento. Outro fator, também de origem habitualmente
congênita, é o aneurisma cerebral, uma dilatação anômala localizada em
algum segmento arterial, cuja parede apresenta deformidade em sua resistência
e que, semelhante à MAV, é capaz de se romper, determinando uma hemorragia.
Por fim, o problema pode surgir após um traumatismo craniano. Na grande
maioria das vezes, a hemorragia intracerebral de qualquer espécie é grave.
Isso porque a cavidade intracraniana tem volume restrito, reservado apenas
para o encéfalo, e o coágulo cerebral ocupa um espaço não existente, o
que leva a um quadro severo de hipertensão intracraniana - afinal, as
áreas normais do encéfalo serão comprimidas por este hematoma.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>