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Edição 13 - Maio/2005
 
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  Sete perguntas para um especialista

POR YARA ACHÔA

ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL: a ação deve ser imediata

Conhecido popularmente como derrame ou isquemia, o AVC representa 15% dos óbitos no Brasil e é a principal causa de lesões ou déficits permanentes em adultos

1 -O que é acidente vascular cerebral?
Trata-se de um termo genérico que traduz problemas com a circulação do cérebro. Também é chamado de derrame ou isquemia. Existem dois tipos: o isquêmico (AVC I) - que ocorre em aproximadamente 20% dos indivíduos na faixa dos 40 a 80 anos - e o hemorrágico (AVC H) - que corresponde a cerca de 10% a 15% das doenças cérebrovasculares. O isquêmico se dá com a interrupção do fluxo sangüíneo em certa região da cabeça, ou seja, quando há obstrução de algum vaso nutriente, levando a uma área de infarto do encéfalo (cérebro). Já o hemorrágico é provocado pela ruptura de um vaso sangüíneo, que leva ao derrame de sangue para dentro da massa encefálica. O percentual de risco aumenta com a idade, pois as artérias vão perdendo a elasticidade. As mulheres (53%) estão um pouco mais propensas ao problema do que os homens, bem como indivíduos da raça negra (pela predominância de hipertensão). Não se pode deixar de considerar ainda fatores genéticos.

2 - Quais são as principais causas do AVC I?
Entre os problemas que podem levar a ele estão: hipertensão arterial (a principal causa), fumo, obesidade, hipercolesterolemia (aumento dos níveis de colesterol no sangue), diabetes, doenças cardíacas tromboembolíticas (que produzem coágulos), estenose de carótida (estreitamento no par de artérias situado na região anterior do pescoço, responsável por aproximadamente 70% da irrigação sangüínea do cérebro) e vasculites (processos inflamatórios das artérias cerebrais). O uso de anticoncepcionais é outro fator relevante para sua ocorrência, pois interfere na coagulação do sangue, resultando na formação de trombos (coágulos) que obstruem as artérias cerebrais. O consumo de drogas, em especial a cocaína, igualmente está na lista, porque mexe com a freqüência cardíaca, elevando-a a níveis muito mais altos do que o normal, além de proporcionar vasoespasmos das artérias, podendo provocar um fenômeno isquêmico.

3 - E em relação ao AVC H?
As causas são semelhantes às do AVC I, mas acrescidas do uso de medicamentos anticoagulantes, de doenças hematológicas e principalmente das MAV (malformações arteriovenosas) - defeitos congênitos de artérias e veias cerebrais que formam um enovelado de vasos, cujas paredes apresentam imperfeições em suas camadas, tendo áreas extremamente delgadas que podem facilmente se romper e desencadear o sangramento. Outro fator, também de origem habitualmente congênita, é o aneurisma cerebral, uma dilatação anômala localizada em algum segmento arterial, cuja parede apresenta deformidade em sua resistência e que, semelhante à MAV, é capaz de se romper, determinando uma hemorragia. Por fim, o problema pode surgir após um traumatismo craniano. Na grande maioria das vezes, a hemorragia intracerebral de qualquer espécie é grave. Isso porque a cavidade intracraniana tem volume restrito, reservado apenas para o encéfalo, e o coágulo cerebral ocupa um espaço não existente, o que leva a um quadro severo de hipertensão intracraniana - afinal, as áreas normais do encéfalo serão comprimidas por este hematoma.


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