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Edição 13 - Maio/2005
 
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  Hérnia,o ponto fraco do abdômen
Ela atinge 3% da população brasileira, pode ser operada sem a necessidade de internação, mas, se não for tratada adequadamente, é capaz de levar à morte

POR FERNANDA RODRIGUES
ILUSTRAÇÃO MARCELO GARCIA

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 5,4 milhões de pessoas sofrem de hérnia no Brasil. Mas o que realmente significa essa doença? Trata-se de um 'ponto de fraqueza' ou uma abertura da parede abdominal causada por um enfraquecimento ou rompimento da musculatura do abdômen. Ocorre por defeitos congênitos ou adquiridos (esforço físico, traumatismos ou incisões cirúrgicas).

Se não for tratada, toda vez que o indivíduo fizer algum tipo de atividade intensa, o conteúdo abdominal (intestino e/ou tecido gorduroso) pode exteriorizar-se através dela e isso causa, além de um abaulamento na pele, desconforto e muito incômodo. "As pessoas com hérnia geralmente sentem dor quando fazem esforço. Contudo, é importante dizer que não é apenas aquele 'carregar peso'. São esforços comuns, como urinar ou evacuar, por exemplo", explica o médico Paulo Carvalho, doutor em cirurgia do aparelho digestivo pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e um dos criadores do recém-inaugurado Centro Avançado de Hérnia, em São Paulo, que atende pacientes com hérnia de todos os tipos - inguinal, femoral, umbilical e epigástrica.

Quando pequena, ela talvez não apresente sinais externos, tirando o inchaço na área afetada. Agora, se junto com esse sintoma surgirem dores, acompanhadas de náuseas e vômitos, recomenda-se procurar assistência médica com urgência. O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos. E a única forma de tratamento é cirúrgica. "O procedimento deve ser feito logo que o problema é detectado, porque a tendência é o quadro piorar. O melhor momento para operar é aquele em que o paciente está bem clinicamente", avalia Sérgio Szachnowicz, cirurgião do aparelho digestivo e também integrante da equipe do Centro Avançado de Hérnia.

Se as devidas providências não forem tomadas, é provável que ocorram algumas sérias complicações. "A mais temida é o estrangulamento do intestino dentro da hérnia", diz o cirurgião Paulo Carvalho. Ele se dá quando as alças do intestino ficam presas no interior da hérnia e não recebem mais sangue. Com isso, podem necrosar, ou seja, apodrecer. "Essa é uma situação de emergência que exige ação rápida. Caso contrário pode levar até à morte."

Cirurgia sem internação
Na técnica de Lichtenstein, a mais tradicional para esse tipo de enfermidade, uma tela plana é costurada na parte de fora da parede muscular do abdômen. Para não sair do lugar, são necessários muitos pontos, aumentando o risco de lesão nervosa e muscular. Além disso, a pressão intra-abdominal força o material para fora, com o risco de soltá-lo, o que faria a hérnia voltar. A evolução no tratamento, no entanto, trouxe boas novidades para os pacientes.

Uma delas é chamada de PHS (Prolene Hernia System) e utiliza uma tela tridimensional de polipropileno. Por meio desse procedimento, que passou a ser difundido recentemente no Brasil, a recuperação torna-se mais rápida, já que a anestesia é local. Outras vantagens: a incisão é pequena (tem cerca de 5 cm), a cicatriz quase imperceptível e o corte é fechado com ajuda de uma cola especial. E, poucas horas depois de operada, a pessoa pode voltar para casa. Por não precisar de internação, a cirurgia inclusive é mais acessível economicamente. "A forma convencional de tratamento também cura com eficácia, mas é preciso ficar cerca de 90 dias em repouso", explica o cirurgião Paulo Carvalho.

Com o método mais moderno para a correção da doença, os índices de recidiva do distúrbio ainda caem para 0,1%, contra 35% nos procedimentos que usam técnicas clássicas.


1 - hérnia epigástrica; 2 - hérnia umbilical; 3 - hérnia femoral; 4 - hérnia inguinal
Intestinos, estômago, baço e fígado estão contidos dentro da cavidade peritoneal, protegida por diversas estruturas: coluna vertebral e músculos, na parte posterior; diafragma, na superior; músculos, na lateral e na região anterior; e ossos da bacia e músculos, na inferior. Quando ocorre uma fraqueza em uma determinada área, ou seja, a hérnia, o conteúdo intra-abdominal causa um rompimento, ficando saliente e visível na parede abdominal

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