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Hérnia,o ponto fraco do abdômen Ela atinge 3% da população brasileira, pode ser operada sem a necessidade de internação, mas, se não for tratada adequadamente, é capaz de levar à morte
POR FERNANDA RODRIGUES ILUSTRAÇÃO MARCELO GARCIA
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
aproximadamente 5,4 milhões de pessoas sofrem de hérnia no Brasil. Mas
o que realmente significa essa doença? Trata-se de um 'ponto de fraqueza'
ou uma abertura da parede abdominal causada por um enfraquecimento ou
rompimento da musculatura do abdômen. Ocorre por defeitos congênitos ou
adquiridos (esforço físico, traumatismos ou incisões cirúrgicas).
Se não for tratada, toda vez que o indivíduo fizer algum tipo de atividade
intensa, o conteúdo abdominal (intestino e/ou tecido gorduroso) pode exteriorizar-se
através dela e isso causa, além de um abaulamento na pele, desconforto
e muito incômodo. "As pessoas com hérnia geralmente sentem dor quando
fazem esforço. Contudo, é importante dizer que não é apenas aquele 'carregar
peso'. São esforços comuns, como urinar ou evacuar, por exemplo", explica
o médico Paulo Carvalho, doutor em cirurgia do aparelho digestivo pela
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e um dos criadores
do recém-inaugurado Centro Avançado de Hérnia, em São Paulo, que atende
pacientes com hérnia de todos os tipos - inguinal, femoral, umbilical
e epigástrica.
Quando pequena, ela talvez não apresente sinais externos, tirando o inchaço
na área afetada. Agora, se junto com esse sintoma surgirem dores, acompanhadas
de náuseas e vômitos, recomenda-se procurar assistência médica com urgência.
O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos. E a única forma de
tratamento é cirúrgica. "O procedimento deve ser feito logo que o problema
é detectado, porque a tendência é o quadro piorar. O melhor momento para
operar é aquele em que o paciente está bem clinicamente", avalia Sérgio
Szachnowicz, cirurgião do aparelho digestivo e também integrante da equipe
do Centro Avançado de Hérnia.
Se as devidas providências não forem tomadas, é provável que ocorram
algumas sérias complicações. "A mais temida é o estrangulamento do intestino
dentro da hérnia", diz o cirurgião Paulo Carvalho. Ele se dá quando as
alças do intestino ficam presas no interior da hérnia e não recebem mais
sangue. Com isso, podem necrosar, ou seja, apodrecer. "Essa é uma situação
de emergência que exige ação rápida. Caso contrário pode levar até à morte."
Cirurgia sem internação
Na técnica de Lichtenstein, a mais tradicional para esse tipo de enfermidade,
uma tela plana é costurada na parte de fora da parede muscular do abdômen.
Para não sair do lugar, são necessários muitos pontos, aumentando o risco
de lesão nervosa e muscular. Além disso, a pressão intra-abdominal força
o material para fora, com o risco de soltá-lo, o que faria a hérnia voltar.
A evolução no tratamento, no entanto, trouxe boas novidades para os pacientes.
Uma delas é chamada de PHS (Prolene Hernia System) e utiliza uma tela
tridimensional de polipropileno. Por meio desse procedimento, que passou
a ser difundido recentemente no Brasil, a recuperação torna-se mais rápida,
já que a anestesia é local. Outras vantagens: a incisão é pequena (tem
cerca de 5 cm), a cicatriz quase imperceptível e o corte é fechado com
ajuda de uma cola especial. E, poucas horas depois de operada, a pessoa
pode voltar para casa. Por não precisar de internação, a cirurgia inclusive
é mais acessível economicamente. "A forma convencional de tratamento também
cura com eficácia, mas é preciso ficar cerca de 90 dias em repouso", explica
o cirurgião Paulo Carvalho.
Com o método mais moderno para a correção da doença, os índices de recidiva
do distúrbio ainda caem para 0,1%, contra 35% nos procedimentos que usam
técnicas clássicas.
1 - hérnia epigástrica; 2 - hérnia
umbilical; 3 - hérnia femoral; 4 -
hérnia inguinal |
Intestinos,
estômago, baço e fígado estão contidos dentro da cavidade peritoneal,
protegida por diversas estruturas: coluna vertebral e músculos,
na parte posterior; diafragma, na superior; músculos, na lateral
e na região anterior; e ossos da bacia e músculos, na inferior.
Quando ocorre uma fraqueza em uma determinada área, ou seja, a hérnia,
o conteúdo intra-abdominal causa um rompimento, ficando saliente
e visível na parede abdominal |
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