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Edição 13 - Maio/2005
 
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  Botox, uma injeção de saúde
A toxina botulínica do tipo A tornou-se conhecida na área estética, mas sua função de origem é terapêutica: há anos é aplicada em tratamentos neurológicos, oftalmológicos e fisiátricos. Agora, testa-se seu uso para combater a obesidade

por Yara Achôa
fotos Fernando Gardinali

PRODUÇÃO: LUANA PRADE. SERINGA DE VIDRO: RIMEDPara alguns ela significa rejuvenescimento, para outros representa qualidade de vida. Uma simples aplicação de toxina botulínica pode dar aquela esticadinha básica, suavizando as rugas do rosto, como também ajudar a recuperar os movimentos após uma paralisia provocada por acidente vascular cerebral, alinhar olhos estrábicos, controlar sudorese excessiva, entre outras indicações. Desde que começou a ser estudada, há mais de 30 anos, não param de surgir novas utilizações na medicina. As primeiras aconteceram nas áreas oftalmológicas (para correção do estrabismo) e neurológicas (em quadros de distonia, distúrbio do movimento que resulta em contrações musculares involuntárias e persistentes).

As mais recentes foram apresentadas no 1o Simpósio Latino-Americano sobre a Toxina Botulínica (Symtox), realizado dentro do 3o Congresso Mundial da Sociedade Internacional de Medicina Física e Reabilitação, no mês passado, em São Paulo. "A função primária do botox é relaxar a musculatura. A partir desse princípio, busca-se tratar diversas patologias. Estudos atuais apontam bons resultados de seu uso especialmente em urologia e proctologia, além de atuar no controle da dor. E uma linha experimental de pesquisa, que vem sendo desenvolvida junto ao Instituto Alfa de Gastroenterologia, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estuda sua ação no tratamento da obesidade", revela Maria Matilde de Mello Spósito, professora doutora da Divisão de Medicina de Reabilitação, Unidade Umarizal, do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e vice-presidente para América Latina e Caribe da International Society of Physical and Rehabilitation (ISPRM). Conheça a seguir os principais problemas tratados pela toxina botulínica.

CONTRA OBESIDADE
 
Na gastroenterologia, a toxina botulínica do tipo A poderá ser usada contra a obesidade. Uma linha experimental de pesquisa, desenvolvida na UFMG, testa a substância como auxiliar nos programas de emagrecimento. O botox seria injetado na parede do estômago, por via endoscópica, relaxando o músculo de forma local, o que teoricamente provocaria a sensação de saciedade e, conseqüentemente, diminuiria a fome. Mas só após a aprovação dessa nova indicação pelos órgãos regulatórios oficiais é que o botox poderá ser usado para esse fim.
   

O NOME E A MARCA
 
A toxina botulínica do tipo A é produzida pela bactéria Clostridium botulinum, a mesma que causa o botulismo (uma doença grave, porém rara). Botox, como é popularmente chamada, é apenas a marca de um fabricante, o americano Allergan, líder do mercado brasileiro. Há também o inglês Dysport, distribuído pelo laboratório Biosintética e o chinês Prosigne, comercializado pelo Cristália. Pioneiro nas pesquisas e utilização do produto, o laboratório Allergan comemorou em 2004 os 15 anos de existência do Botox, a maior parte deles com indicações terapêuticas.
   

DISTONIA
É um distúrbio neurológico do movimento que resulta em contrações musculares involuntárias e persistentes. Freqüentemente causa rotação seguimentar com movimentos repetitivos ou posturas anormais, podendo afetar várias partes do corpo. Costuma ser um quadro doloroso. Pode se apresentar na forma de distonia cervical (conhecida como torcicolo espasmódico), de face ou de membros. Uma vez que sua causa de base permanece pouco esclarecida, não há cura até o momento. A aplicação de botox já demonstrou produzir alívio significativo da dor em mais de 85% dos pacientes e melhora da distonia, com diminuição da movimentação involuntária, em aproximadamente 70% dos casos tratados. Tiques nervosos também podem ser tratados com a substância.

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