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Botox, uma injeção de saúde A toxina botulínica do tipo A tornou-se conhecida na área estética, mas sua função de origem é terapêutica: há anos é aplicada em tratamentos neurológicos, oftalmológicos e fisiátricos. Agora, testa-se seu uso para combater a obesidade
por Yara Achôa fotos Fernando Gardinali
Para
alguns ela significa rejuvenescimento, para outros representa qualidade
de vida. Uma simples aplicação de toxina botulínica pode dar aquela esticadinha
básica, suavizando as rugas do rosto, como também ajudar a recuperar os
movimentos após uma paralisia provocada por acidente vascular cerebral,
alinhar olhos estrábicos, controlar sudorese excessiva, entre outras indicações.
Desde que começou a ser estudada, há mais de 30 anos, não param de surgir
novas utilizações na medicina. As primeiras aconteceram nas áreas oftalmológicas
(para correção do estrabismo) e neurológicas (em quadros de distonia,
distúrbio do movimento que resulta em contrações musculares involuntárias
e persistentes).
As mais recentes foram apresentadas no 1o Simpósio Latino-Americano sobre
a Toxina Botulínica (Symtox), realizado dentro do 3o Congresso Mundial
da Sociedade Internacional de Medicina Física e Reabilitação, no mês passado,
em São Paulo. "A função primária do botox é relaxar a musculatura. A partir
desse princípio, busca-se tratar diversas patologias. Estudos atuais apontam
bons resultados de seu uso especialmente em urologia e proctologia, além
de atuar no controle da dor. E uma linha experimental de pesquisa, que
vem sendo desenvolvida junto ao Instituto Alfa de Gastroenterologia, da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estuda sua ação no tratamento
da obesidade", revela Maria Matilde de Mello Spósito, professora doutora
da Divisão de Medicina de Reabilitação, Unidade Umarizal, do Instituto
Central do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e vice-presidente
para América Latina e Caribe da International Society of Physical and
Rehabilitation (ISPRM). Conheça a seguir os principais problemas tratados
pela toxina botulínica.
CONTRA
OBESIDADE |
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Na gastroenterologia, a toxina botulínica do tipo A poderá ser usada
contra a obesidade. Uma linha experimental de pesquisa, desenvolvida
na UFMG, testa a substância como auxiliar nos programas de emagrecimento.
O botox seria injetado na parede do estômago, por via endoscópica,
relaxando o músculo de forma local, o que teoricamente provocaria
a sensação de saciedade e, conseqüentemente, diminuiria a fome. Mas
só após a aprovação dessa nova indicação pelos órgãos regulatórios
oficiais é que o botox poderá ser usado para esse fim. |
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O
NOME E A MARCA |
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A toxina botulínica do tipo A é produzida pela bactéria Clostridium
botulinum, a mesma que causa o botulismo (uma doença grave, porém
rara). Botox, como é popularmente chamada, é apenas a marca de um
fabricante, o americano Allergan, líder do mercado brasileiro. Há
também o inglês Dysport, distribuído pelo laboratório Biosintética
e o chinês Prosigne, comercializado pelo Cristália. Pioneiro nas pesquisas
e utilização do produto, o laboratório Allergan comemorou em 2004
os 15 anos de existência do Botox, a maior parte deles com indicações
terapêuticas. |
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DISTONIA
É um distúrbio neurológico do movimento que resulta em contrações musculares
involuntárias e persistentes. Freqüentemente causa rotação seguimentar
com movimentos repetitivos ou posturas anormais, podendo afetar várias
partes do corpo. Costuma ser um quadro doloroso. Pode se apresentar na
forma de distonia cervical (conhecida como torcicolo espasmódico), de
face ou de membros. Uma vez que sua causa de base permanece pouco esclarecida,
não há cura até o momento. A aplicação de botox já demonstrou produzir
alívio significativo da dor em mais de 85% dos pacientes e melhora da
distonia, com diminuição da movimentação involuntária, em aproximadamente
70% dos casos tratados. Tiques nervosos também podem ser tratados com
a substância.
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