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Botox, uma injeção de saúde
UM
POUCO DE HISTÓRIA |
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| A trajetória do uso terapêutico da toxina botulínica começou
alguns anos após a Segunda Guerra Mundial. Ao testar substâncias
para corrigir o estrabismo, o oftalmologista norte-americano
Alan B. Scott observou que a toxina do tipo A paralisava determinados
músculos ao ser injetada. A partir de 1970, o FDA (Food and
Drug Administration), órgão que regulamenta alimentos e medicamentos
nos Estados Unidos, liberou o uso da medicação, em caráter experimental,
para um grupo de pesquisadores orientados por Scott, que comprovou
a eficácia do produto em animais. Em 1978, foi aplicada em humanos
e, em 1989, saiu publicado o primeiro estudo demonstrando os
bons resultados para tratamento da espasticidade, assim como
a toxina foi liberada para tratar blefaroespasmos. |
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ARTISTAS
SUPERAM DESAFIOS |
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O pianista e agora maestro João Carlos Martins fez uma
apresentação especial com a Bachiana Chamber Orchestra
na abertura do 3º Congresso Mundial de Medicina Física
e de Reabilitação, realizado no mês de abril, em São Paulo.
Além de peças de Bach e Mozart, o repertório do artista incluiu
uma transcrição de Chris Brubeck de Bach ao piano para orquestra
de corda. Esse espetáculo só foi possível devido ao tratamento
com a toxina botulínica tipo A, iniciado em dezembro de 2004.
Martins teve sua carreira como pianista interrompida duas
vezes por problemas nas mãos (distonia dos membros superiores,
que causa contrações involuntárias dos músculos). Outro exemplo
em que botox trouxe esperança é do pintor de Goiânia, Abelcino
dos Santos, de 37 anos. Há 10 anos, ele teve uma mielite (inflamação
da medula), o que resultou em uma paraplegia espástica - doença
decorrente de um processo patológico da medula espinhal. Durante
uma partida de futebol, as duas pernas de Abelcino atrofiaram,
de repente e sem explicação.
A pintura sempre esteve presente em sua vida, mas Santos
passou a se dedicar exclusivamente à ela após a mielite, uma
vez que não conseguia andar e nem trabalhar devido à atrofia
dos músculos inferiores. Há pouco mais de dois anos, com a
aplicação de botox, ele reconquistou a esperança de recuperar
os movimentos das pernas, pois a melhora foi significativa.
"A musculatura fica mais relaxada, os músculos não estão travados
como antes. Eu sentia dor ao fazer fisioterapia porque os
músculos estavam muito rígidos, mas hoje não dói tanto porque
a toxina botulínica relaxa os músculos", conta o pintor. |
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BOTOX |
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O QUE É?
A toxina botulínica tipo A é uma substância cristalina apresentada
na forma de pó seco a vácuo estéril em frasco contendo 100U
de toxina Botulínica tipo A para ser diluído em solução salina.
O produto atua bloqueando a liberação de acetilcolina na terminação
nervosa, causando relaxamento da musculatura onde é aplicado.
As indicações terapêuticas de botox são aprovadas pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 1992. No Brasil,
o uso da substância para indicações estéticas e para o tratamento
da hiperidrose (suor excessivo) foram aprovados em 2001 pelo
Ministério da Saúde e pela Anvisa.
COMO FUNCIONA?
Para as indicações aprovadas pela Anvisa, o botox é aplicado
diretamente no músculo comprometido, inibindo a liberação
da acetilcolina (neurotransmissor químico responsável pela
contração muscular). Devido ao relaxamento muscular, o tratamento
possibilita, em geral, progressos para o paciente, como melhora
na marcha, melhora no ângulo de abertura da palma da mão,
melhora na higienização, maior conforto para adaptação em
cadeiras de rodas, maior controle dos movimentos e posturas
irregulares, entre outros benefícios proporcionais ao caso
clínico de cada um. Graças à ação bloqueadora da contração
muscular, a toxina botulínica tem sido considerada pelos especialistas
como a melhor opção terapêutica não invasiva utilizada com
esse fim.
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