Viva Saúde
Edição 13 - Maio/2005
 
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  Por uma vida longa e saudável
Comemorar os 100 anos já não é mais privilégio dos orientais. Agora, especialistas tentam desvendar os caminhos para se chegar lá, com o máximo de vigor e lucidez

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS FERNANDO GARDINALI
TRATAMENTO DE IMAGENS NEWTON VERLANGIERI


Teste
 

QUANTAS VELINHAS VOCÊ CONSEGUIRÁ APAGAR?
O teste abaixo é uma adaptação de questionários que relacionam genética, qualidade de vida e longevidade, oferecendo apenas uma idéia da idade que você poderá atingir, tendo em vista seus hábitos cotidianos. Imagine-se com 72 anos (a expectativa média de vida dos brasileiros), leia cada tópico e faça as contas.

SE VOCÊ...
PONTUAÇÃO (COMECE COM 72)
Vive bem humorado, é otimista
+ 5 anos
É pessimista e mau humorado
- 5 anos
Tem alguém na sua família com 90 anos ou mais
+ 10 anos
É totalmente sedentário
- 5 anos
Faz atividade física apenas eventualmente
- 2 anos
Exercita o cérebro com freqüência (lê, joga xadrez, estuda)
+ 5 anos
Mantém uma dieta leve e balanceada, com baixas calorias
+ 7 anos
Alimenta-se de forma inadequada (gorduras, frituras, doces)
- 7 anos
Está fora do peso normal
- 1 ano
Encontra-se em boa forma
+ 3 anos
É fumante
- 5 anos

OBS: Se você tem mais do que a idade recomendada para iniciar o teste, não importa. Faça as contas com 72 anos e, no final, compare com a sua idade atual.

 

Com autonomia é melhor
Um outro estudo, desenvolvido pelo Pensa, com longevos da cidade de Juiz de Jora, em Minas Gerais, apresentou índices que comprovam a importância dos bons hábitos e das atitudes para uma velhice mais saudável: 72% nunca fumaram, 81% jamais consumiram bebidas alcoólicas, 51% praticam atividade física pelo menos uma vez por semana, 68% têm sempre alguém para conversar ou recorrer quando necessitam e 31% saem semanalmente com os amigos. Resultado: 94% deles apresentavam apenas uma ou duas doenças crônicas, mas demonstravam autonomia e independência. De acordo com as psicólogas Neide Cordeiro de Magalhães e Kelly Cristina Atalaia da Silva, coordenadoras da pesquisa do Pensa, aspectos emocionais, culturais e sociais contribuíram significativamente para que esses idosos tivessem uma expectativa de vida que beira os 78 anos, superando a média nacional. E você, até onde vai chegar?

PARA CHEGAR LÁ
 
Confira os hábitos mais importantes para envelhecer bem e algumas razões para não esperar até os 60 para adotá-los.
REDUZA AS CALORIAS: uma equipe de pesquisadores americanos examinou alterações no fígado de ratos e identificou 46 genes que passaram a funcionar de forma diferente à medida que os animais envelheciam. Ao mudar a alimentação das cobaias, no entanto, eles conseguiram barrar esses desgastes em camundongos tratados com restrição calórica - estes viveram 40% mais do que os superalimentados.
SAIA DO SEDENTARISMO: a partir dessa atitude, você emagrece, aumenta a força muscular, melhora a capacidade respiratória e, conseqüentemente, previne ou controla diversas doenças. Sozinha, a atividade física não garante a longevidade, mas certamente fortalece o organismo e colabora para elevar a expectativa média de vida de uma população.
AFASTE O ESTRESSE: quem vive tenso produz mais radicais livres, substâncias tóxicas responsáveis pela maioria dos sinais de envelhecimento, incluindo catarata, cabelo grisalho, pele seca, rugas e alguns tipos de câncer. O estresse também pode afetar os telômeros. Pesquisa da Universidade da Califórnia (EUA) demonstrou que mulheres no período anterior à menopausa, sob fortes tensões emocionais, apresentam um encurtamento dessas estruturas e podem envelhecer, em média, 10 anos a mais do que as calminhas.
MANTENHA O OTIMISMO: o escritor francês Honoré de Balzac já dizia que "o homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo". Pesquisa recente realizada pela Universidade do Texas (EUA), com as 1.558 pessoas mais velhas da comunidade, demonstrou haver uma forte ligação entre emoções positivas e o estado de saúde. Após sete anos de avaliações, constatou-se que os idosos mais otimistas tinham uma probabilidade menor de desenvolver problemas físicos, como exaustão e falta de força ou velocidade para caminhar.
EXERCITE O CÉREBRO: vale ler, estudar, escrever, aprender um idioma, navegar pela Internet, dançar, cuidar de plantas e até cozinhar. O risco de um idoso ativo desenvolver diversos tipos de demência, entre elas o mal de Alzheimer, é duas vezes menor em comparação com os velhinhos mais apáticos.
TENHA FÉ: existem pelo menos 250 estudos indicando que pessoas que têm um tipo de vínculo religioso ou prática espiritual - o que quase sempre inclui orações - são mais saudáveis em todos os aspectos, quando comparadas àquelas não-adeptas a qualquer forma de religiosidade. A longevidade é, em média, 10% maior entre os que professam alguma fé.
   

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