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Edição 13 - Maio/2005
 
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  Por uma vida longa e saudável
Comemorar os 100 anos já não é mais privilégio dos orientais. Agora, especialistas tentam desvendar os caminhos para se chegar lá, com o máximo de vigor e lucidez

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS FERNANDO GARDINALI
TRATAMENTO DE IMAGENS NEWTON VERLANGIERI

Entre 40 e 50 anos: as marcas do tempo são visíveis, mas ainda se tem grande vigor
Qualidade é fundamental
No Brasil, a expectativa média de vida da população pulou de 62,7, em 1980, para os atuais 71,9 anos. O novo desafio, portanto, é acrescentar qualidade a esse tempo. "Precisamos descobrir como viver bem e aproveitar os anos extras que a humanidade conquistou", diz o geriatra Luiz Roberto Ramos, responsável pelo Centro de Estudos do Envelhecimento, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Além de ser um desejo da ciência, a busca pela qualidade de vida na terceira idade tornou-se fundamental. Há algumas décadas, mulheres de 40 já eram avós e costumavam ficar em casa, tricotando ou cozinhando para os netos. Hoje, a maioria espera chegar a essa faixa etária para ter o primeiro filho e muitas, no auge da carreira, nem pensam em se aposentar. Não é à toa que a procura por cirurgias plásticas, o uso de toxina botulínica e outros recursos estéticos de última geração para esconder as rugas, manchas e marcas do tempo cresceu tanto. Só que a humanidade vive uma contradição: a cabeça dos idosos rejuvenesceu, mas o corpo (mesmo esticado, turbinado ou recauchutado) continuou sendo alvo das mesmas reações bioquímicas naturais que, gradativamente e por volta dos 30 anos, começam a desgastar as células e gerar perdas funcionais até levar o indivíduo à morte. Resultado: cresceram os casos de doenças características da velhice, como câncer de próstata e Alzheimer, antes consideradas raras - uma vez que ninguém conseguia viver o suficiente para manifestá-las.

Até o início desse século, a única forma de desafiar a natureza e conter as perdas do envelhecimento (isso para quem conseguisse sobreviver ao acaso: violência, acidentes, infecção por vírus e bactérias etc.) era torcer para encontrar alienígenas, bonzinhos, que aceitassem usar sua tecnologia avançada para devolver a força e saúde da juventude aos idosos (idéia sugerida pelo filme Cocoon, sucesso dos anos 80). Em 2001, porém, o anúncio do seqüenciamento completo do genoma humano fez o mais complexo enredo de ficção científica virar desenho animado. E a partir daí, a chance de entender e interferir na atuação dos genes ampliou infinitamente essa possibilidade.

"Minha vitalidade é herança genética. Mas procurei dar uma força à natureza, levando uma vida regrada e saudável até hoje. Durmo pelo menos oito horas, nado durante uma hora todas as manhãs e, em seguida, dedico-me às atividades intelectuais. Costumo ler bastante, inclusive em inglês, para me atualizar, uma vez que sou membro vitalício da Sociedade Americana de Técnicos de Natação. Também já escrevi meia dúzia de livros. O título do último já resume tudo: Longevidade e Esporte"

Maria Lenk, 90 anos, nadadora brasileira, primeira mulher da América do Sul a participar dos Jogos Olímpicos - o que ocorreu em 1932, em Los Angeles (EUA)

Após os 60: cuidados intensificados para manter corpo e mente ativos até, quem sabe, os 100
Terapias genéticas
Com as principais descobertas, otimistas como o gerontologista inglês Aubrey de Grey já defendem a tese de que um velhinho que hoje tem 60 anos poderá viver mil! Em artigo publicado ano passado no jornal Folha de São Paulo, ele afirma: "Existem sete principais danos moleculares, incluindo a perda de células e mutações nos cromossomos, potencialmente reparáveis com tecnologias que já existem ou estão em desenvolvimento". A maioria dos especialistas, porém, tem uma previsão mais realista. "Ainda não conseguiram

descobrir os genes da juventude. Ao lançar mão, em breve, da terapia genética, talvez consigamos conter alguns dos danos citados por Aubrey e chegar aos 150 anos. Mas nada garante que estaremos protegidos de efeitos colaterais, como o aumento da incidência de tumores", explica o geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo os resultados de estudos nacionais e internacionais com grupos de pessoas centenárias, 25% da longevidade dependem da qualidade e funcionamento dos genes. Boa parte da responsabilidade (os outros 75%), no entanto, recai sobre o estilo de vida e, portanto, está em nossas mãos. Prova viva disso é o participante mais longevo do Pensa (Núcleo de Pesquisa em Envelhecimento Saudável), da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Há 107 anos (comemorados no mês passado), e com uma saúde que considera excelente, ele não cansa de dar a mesma resposta quando perguntam sobre seu segredo de vitalidade: "Eu me alimento de maneira saudável, caminho todos os dias, durmo o suficiente, tomo umas cervejinhas de vez em quando com os amigos, faço o bem e mantenho o bom humor".

"Envelhecer bem não significa chegar aos 100 anos sem nenhuma doença crônica - isso é utopia -, mas estar preparado para enfrentar as perdas funcionais da melhor maneira possível", alerta o geriatra Luiz Roberto Ramos, do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp, que há cerca de 15 anos acompanha a evolução de um grupo de idosos do bairro de Vila Clementino, em São Paulo. E, para se ter idéia, o mais novo da turma, hoje, está com 80 anos. Na prática, um idoso pode tomar vários remédios para conter pressão alta e diabetes, por exemplo, e ainda assim ser considerado saudável. "Tudo dependerá de sua qualidade de vida. Quanto mais ele investir nisso, maior será o seu controle sobre os sintomas e a sua força para seguir a rotina, sem depender de ninguém", explica o especialista.

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