Internar
uma pessoa querida no hospital não é uma tarefa agradável. Além dos aspectos
emocionais que um problema de saúde causa ao doente, em seus parentes
e amigos, há fatores que independem da patologia, mas geram conflitos
que podem abalar a estrutura familiar. Entre outros estão a questão financeira,
a logística dos cuidados, o rodízio de acompanhantes, os horários incompatíveis
de visita e a proximidade com a morte. Criada no Brasil há pouco mais
de uma década como alternativa à assistência hospitalar, a assistência
domiciliar - nome genérico dado a qualquer serviço de saúde realizado
no domicílio do paciente por profissional habilitado - pode ser opção
para muitos casos.
Também conhecida como home care, do inglês 'cuidado no lar', ela abrange,por
exemplo, desde procedimentos simples, como o tratamento de feridas em
diabéticos, terapia intravenosa e fototerapia para recém-nascidos, até
outros de maior complexidade, como a internação domiciliar para portadores
de doenças crônicas, respiratórias, neurológicas e cardíacas. Longe de
ser um luxo, a medicina domiciliar é mais acessível do que parece - chega
a ser até 50% mais barata, se comparada à internação hospitalar - e seus
custos são cobertos por grande parte dos planos de saúde.
Os especialistas garantem: acelera a recuperação do doente e o processo
de alta. Uma pesquisa publicada na revista da Associação Americana de
Cardiologia observou bons resultados na comparação de 100 pacientes vítimas
de derrame. Metade recebeu cuidados médicos em casa e a outra metade permaneceu
em hospitais ou centros de saúde comunitários. O restabelecimento foi
mais rápido naqueles atendidos pelo home care, que também retomaram mais
rapidamente suas atividades habituais. Outro estudo, publicado no Jornal
da Associação Médica Americana (JAMA), mostrou que o acompanhamento
no lar diminuiu a necessidade de reinternação hospitalar em um grupo de
400 idosos.
Aos poucos, o serviço torna-se mais popular na sociedade, fazendo parte
não só do sistema privado de saúde, mas também do setor público, no qual
a atual implementação do programa de saúde da família pelo Ministério
da Saúde segue os mesmos princípios básicos. Confira, a seguir, as diversas
questões que envolvem o tema.
O que é assistência domiciliar?
Trata-se de um serviço opcional à internação hospitalar. Disponibiliza,
na residência, toda a retaguarda médico-hospitalar e equipe multiprofissional.
É subdividida em internação domiciliar e atendimento domiciliar.
No que consiste a internação domiciliar?
É a internação propriamente dita, na casa do paciente, em substituição
ou alternativa à hospitalização. É comandada por uma equipe técnica habilitada
e multiprofissional, com estrutura logística de apoio. A empresa de home
care cuida de praticamente tudo: monta a estrutura na residência, disponibiliza
a equipe, realiza exames, faz o transporte do doente em ambulâncias até
o centro de diagnóstico em caso de procedimentos específicos que não podem
ser realizados em domicílio (ressonância magnética ou tomografia computadorizada,
por exemplo) e a remoção (do hospital para casa ou vice-versa) em caso
de reinternação. É realizada por instituição médica de assistência domiciliar
e, obrigatoriamente, supervisionada por médico, além de estar registrada
no Conselho de Medicina.
E o atendimento domiciliar?
É o nome dado à visita ou procedimento, isolado ou periódico, realizado
no domicílio do paciente por profissional habilitado, como alternativa
ao atendimento ambulatorial, ao indivíduo que não necessita de hospitalização.
Abrange consultas médicas nas diferentes especialidades (clínicas, psicológicas,
fisioterapêuticas e até mesmo assistência social) e o trabalho de enfermagem
para aplicação de medicação, curativos e realização de exames.
Como ter acesso à assistência domiciliar?
Através de convênios médicos (boa parte deles disponibiliza o serviço
a seus usuários, nos diferentes tipos de planos, sem custos adicionais
aos descritos no contrato, necessitando, no entanto, de avaliação e autorização
prévias), empresas (que agregam esse benefício a seus funcionários) ou
diretamente com a prestadora de assistência médica domiciliar.
Esse serviço costuma ser caro?
Todo cuidado médico tem um preço, dependendo da patologia, da assistência,
da medicação, da periodicidade, do número de profissionais envolvidos
e demais necessidades. Comparativamente à internação hospitalar, é mais
acessível - entre 40% e 50% mais barato que em uma instituição.
A família tem custos com equipamentos e medicamentos?
Não. Toda a logística fica a cargo da empresa contratada.
Quem solicita o home care?
Ele pode ser pedido pelo paciente ou um de seus familiares, pelo médico
que acompanha o doente ou pela operadora de plano de saúde. Uma vez feito
o requerimento precisa-se de uma avaliação do caso, quando serão abordados
diversos aspectos relevantes: quadro clínico, necessidades terapêuticas
e suas alternativas, possibilidades de execução em domicílio, participação
e aceitação familiar, concordância do médico assistente, existência de
domicílio apto a receber o paciente e a equipe e qualquer aspecto que
o profissional julgue pertinente. Após essa fase, é indispensável uma
discussão do quadro com o médico assistente para concluir a viabilidade
da assistência domiciliar e elaborar um plano terapêutico.
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