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Edição 13 - Maio/2005
 
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  DE OLHO NO COLESTEROL INFANTIL
Estima-se que os índices elevados de LDL - a versão ruim da substância -, que podem levar a doenças cardiovasculares, entre outros problemas, atinjam cerca de 10% das crianças no país. O combate ao mal deve ser feito o quanto antes

por Alexsandra Farias

O impacto não poderia ser pior: o aumento do colesterol age no corpo como uma bomba, que explode por meio da produção de placas de gordura nas paredes dos vasos sangüíneos que dificultam a circulação do sangue. Essa obstrução recebe o nome de aterosclerose e, se não tratada, agrava ao longo dos anos, podendo levar a doenças cardiovasculares (que atingem coração e artérias do corpo). Nos Estados Unidos, metade das crianças com um ano já apresenta a aterosclerose em estágio inicial. Isso significa que estão mais propensas a sofrer, por exemplo, um infarto agudo do miocárdio ou AVC (acidente vascular cerebral) entre os 30 e 40 anos de idade. "O aumento de 1% no nível de colesterol eleva em 2% o risco de sofrer um infarto. Quanto maior o tempo em que a criança for submetida às elevações de colesterol no sangue, maiores são as chances de desenvolver doenças relacionadas ao problema", alerta o cardiologista Marcus Vinícius Bolívar Malachias (MG), coordenador do Selo de Qualidade da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Fundação do Coração (SBC/Funcor).

A pediatra e nutróloga Maria Arlete Escrivão, da Unifesp, publicou no ano passado uma pesquisa sobre o aumento de colesterol em 316 adolescentes de 10 a 19 anos, com nível socioeconômico alto. "Das pessoas estudadas, 25% apresentavam excesso de peso. Independentemente do estado nutricional, 30% tinham o colesterol total aumentado. Isso é conseqüência do estilo de vida e antecedentes familiares, não da obesidade", diz a médica.

Referência entre os médicos, o estudo Bogalusa Heart mostrou através de autópsias de três mil crianças e adolescentes norte-americanos do estado de Louisiana que praticamente 100% deles tinham aterosclerose. "Uma vez instalada, a doença é irreversível. Apenas será possível estancar o processo. A população se tornará mais saudável se conseguirmos retardar a instalação dessa placa de gordura nos vasos sangüíneos", diz o cardiologista Francisco Antônio Fonseca, presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC.

Recém-publicado pela entidade, o documento Diretrizes para Prevenção e Tratamento da Aterosclerose Precoce recomenda, entre outras coisas, o combate ao colesterol alto ainda durante a gestação. "Mães com taxas elevadas têm filhos com maior presença de lesões iniciais de aterosclerose. Os cuidados devem começar no útero, por meio de uma alimentação saudável e estilo de vida ativo", informa Fonseca.

Não raro, as causas do colesterol alto na infância são maus costumes alimentares e sedentarismo. Isso se deve em parte aos pais, que facilitam o acesso às mais diversas guloseimas. Daí a importância em despertar hábitos nutritivos nos pequenos. "A tarefa depende do envolvimento de toda a família. Afinal, a criança tende a imitar o comportamento dos adultos. É preciso ensiná-la a comer verduras, legumes e frutas", diz a pediatra e nutróloga Maria Arlete Escrivão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Não confunda
 


Colesterol alto não anda de mãos dadas com os quilos extras. No Ambulatório de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, apenas 9% das mais de 300 crianças obesas atendidas têm colesterol alto. O excesso de peso é um complicador. "É perfeitamente possível um obeso ter colesterol normal e um magro não. Isso depende do metabolismo de cada pessoa.

É evidente que o erro alimentar da criança obesa aumenta as chances de ela adquirir níveis elevados de colesterol. Além disso, essa criança não está livre de manifestar outros problemas também", diz o cardiologista Eduardo Mesquita de Oliveira (SP), do Hospital Albert Einstein.

   

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