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DE OLHO NO COLESTEROL INFANTIL Estima-se que os índices elevados de LDL - a versão ruim da substância -, que podem levar a doenças cardiovasculares, entre outros problemas, atinjam cerca de 10% das crianças no país. O combate ao mal deve ser feito o quanto antes
por Alexsandra Farias
O impacto não poderia ser pior: o aumento do colesterol age no corpo
como uma bomba, que explode por meio da produção de placas de gordura
nas paredes dos vasos sangüíneos que dificultam a circulação do sangue.
Essa obstrução recebe o nome de aterosclerose e, se não tratada, agrava
ao longo dos anos, podendo levar a doenças cardiovasculares (que atingem
coração e artérias do corpo). Nos Estados Unidos, metade das crianças
com um ano já apresenta a aterosclerose em estágio inicial. Isso significa
que estão mais propensas a sofrer, por exemplo, um infarto agudo do miocárdio
ou AVC (acidente vascular cerebral) entre os 30 e 40 anos de idade. "O
aumento de 1% no nível de colesterol eleva em 2% o risco de sofrer um
infarto. Quanto maior o tempo em que a criança for submetida às elevações
de colesterol no sangue, maiores são as chances de desenvolver doenças
relacionadas ao problema", alerta o cardiologista Marcus Vinícius Bolívar
Malachias (MG), coordenador do Selo de Qualidade da Sociedade Brasileira
de Cardiologia e Fundação do Coração (SBC/Funcor).
| A
pediatra e nutróloga Maria Arlete Escrivão, da Unifesp, publicou
no ano passado uma pesquisa sobre o aumento de colesterol em 316
adolescentes de 10 a 19 anos, com nível socioeconômico alto. "Das
pessoas estudadas, 25% apresentavam excesso de peso. Independentemente
do estado nutricional, 30% tinham o colesterol total aumentado.
Isso é conseqüência do estilo de vida e antecedentes familiares,
não da obesidade", diz a médica. |
Referência entre os médicos, o estudo Bogalusa Heart mostrou através
de autópsias de três mil crianças e adolescentes norte-americanos do estado
de Louisiana que praticamente 100% deles tinham aterosclerose. "Uma vez
instalada, a doença é irreversível. Apenas será possível estancar o processo.
A população se tornará mais saudável se conseguirmos retardar a instalação
dessa placa de gordura nos vasos sangüíneos", diz o cardiologista Francisco
Antônio Fonseca, presidente do Departamento de Aterosclerose da SBC.
Recém-publicado pela entidade, o documento Diretrizes para Prevenção
e Tratamento da Aterosclerose Precoce recomenda, entre outras coisas,
o combate ao colesterol alto ainda durante a gestação. "Mães com taxas
elevadas têm filhos com maior presença de lesões iniciais de aterosclerose.
Os cuidados devem começar no útero, por meio de uma alimentação saudável
e estilo de vida ativo", informa Fonseca.
Não raro, as causas do colesterol alto na infância são maus costumes
alimentares e sedentarismo. Isso se deve em parte aos pais, que facilitam
o acesso às mais diversas guloseimas. Daí a importância em despertar hábitos
nutritivos nos pequenos. "A tarefa depende do envolvimento de toda a família.
Afinal, a criança tende a imitar o comportamento dos adultos. É preciso
ensiná-la a comer verduras, legumes e frutas", diz a pediatra e nutróloga
Maria Arlete Escrivão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Não
confunda |
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Colesterol alto não anda de mãos dadas com os quilos extras. No
Ambulatório de Obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo,
apenas 9% das mais de 300 crianças obesas atendidas têm colesterol
alto. O excesso de peso é um complicador. "É perfeitamente possível
um obeso ter colesterol normal e um magro não. Isso depende do metabolismo
de cada pessoa.
É evidente que o erro alimentar da criança obesa aumenta as chances
de ela adquirir níveis elevados de colesterol. Além disso, essa
criança não está livre de manifestar outros problemas também", diz
o cardiologista Eduardo Mesquita de Oliveira (SP), do Hospital Albert
Einstein. |
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