O primeiro sintoma da catarata é um pequeno borrão na vista, como se
você usasse óculos e a lente estivesse suja. Os olhos também sentem maior
sensibilidade à luz, especialmente durante a noite, e surge a sensação de
que as cores dos objetos estão desbotando. À medida que o tempo passa, o
borrão aumenta e as coisas se tornam cada vez mais indistintas, dificultando
a realização de atividades simples do cotidiano, como ler ou dirigir. Nos
estágios avançados da doença, a pessoa fica praticamente cega, não conseguindo
distinguir alguém a poucos metros de distância. "É um mal que ataca o cristalino,
a lentetransparente natural que existe dentro do olho, deixando-o opaco
e esbranquiçado", explica o oftalmologista Samir El Faro, do Hospital do
Servidor Público Estadual de São Paulo. "Com isso, a luz tem dificuldade
para passar através da lente e a visão diminui".
O problema aparece sob vários tipos. Alguns são causados por alterações
metabólicas, como as decorrentes do diabetes ou de problemas renais crônicos.
Outros têm origem traumática e se devem a um acidente (como boladas, socos
ou batidas). Também existe a catarata inflamatória, que é provocada por
uma inflamação ocular, e a medicamentosa, ocorrida principalmente pela
utilizaçao de corticóides. Já na congênita, a criança nasce com a doença
devido a patologias contraídas pela mãe no período da gestação ou a alterações
hereditárias.
Fim dos óculos grossos
O tipo mais comum, no entanto, é a chamada catarata senil, que costuma
se manifestar após os 60 anos de idade e é a maior causa de cegueira reversível
no mundo: metade dos 50 milhões de cegos do planeta perderam a visão devido
ao problema, de acordo com a Academia Americana de Oftalmologia. A boa
notícia é que está cada vez mais fácil e seguro recuperá-la.
Não existe tratamento clínico para nenhum tipo de catarata: o único modo
de resolver o problema é por meio de cirurgia, quando se retira o cristalino
opaco, substituindo-o por uma lente especial. Mas nada de susto! Os progressos
na técnica operatória e os novos materiais transformaram o procedimento
- um verdadeiro 'fantasma' até bem pouco tempo - num processo simples,
rápido, seguro e indolor. "A mudança começa pela anestesia, que antes
era geral ou peribulbar (ao redor dos olhos) e hoje é tópica, ou seja,
utiliza- se um simples colírio", diz o oftalmologista Flávio Dualib, do
Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, de São Paulo, e do Hospital Oftalmológico
de Sorocaba. Outra diferença é o tempo de internação. Como a incisão para
a retirada do cristalino era muito extensa, de 10 a 12 mm, a pessoa permanecia
internada por até dois dias. "Hoje o corte tem no máximo 2,7 mm - uma
redução de quase 80% - e o paciente volta para casa no mesmo dia".
A lente substitutiva foi um dos itens que mais evoluiu. No passado, o
cristalino afetado pela doença era removido e, para enxergar, o indivíduo
precisava recorrer a óculos grossos - fundo de garrafa - pelo resto da
vida. Agora a lente é colocada dentro do olho e mede apenas 6 mm de diâmetro.
"Como a incisão é menor ainda, as modernas lentes intra-oculares são maleáveis
e entram enroladas através do corte, desdobrando- se no interior do olho",
explica o oftalmologista Samir El Faro.
Tecnologia de ponta
Facoemulsificação: essa palavra estranha é o nome da mais moderna técnica
para retirada da catarata, que utiliza a energia do ultra-som. Primeiro,
a ponta bem fininha de um instrumento parecido com uma caneta é introduzida
através da minúscula incisão feita na córnea (membrana transparente que
recobre a parte externa do globo ocular). Na seqüência, a "canetinha"
emite ondas de ultra-som que atingem e amolecem o núcleo de catarata.
Finalmente, o mesmo instrumento aspira o conteúdo amolecido do cristalino.
"O cristalino se assemelha a uma lentilha. Seu conteúdo é aspirado pela
ponta do aparelho, permanecendo apenas a 'casquinha', a cápsula externa,
no interior da qual é colocada a lente", explica Samir El Faro. O procedimento
é totalmente indolor e, acredite, não leva mais do que 20 minutos.
Uma vez colocada, a lente intra-ocular não precisa ser substituída e
é imperceptível a olho nu. "Como é uma lente com grau, fabricada sob encomenda
para cada paciente, ela corrige não apenas a catarata, mas também problemas
como miopia e hipermetropia", esclarece o oftalmologista. Com a remoção
do conteúdo do cristalino, não existe risco de a doença voltar, embora
em alguns casos possa acontecer de células se acumularem atrás da lente,
diminuindo sua transparência e prejudicando a visão. "Se isso ocorrer,
não há necessidade de nova cirurgia - usase laser para remover as células
da parede da lente e o paciente volta a enxergar normalmente".
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