As vacinas são compostas pelos agentes causadores de doenças em um estado
muito enfraquecido e modificado. Elas 'enganam' o organismo, fazendo-
o pensar que estamos sendo invadidos pelo inimigo. Logo, o corpo reage
através da produção de anticorpos que, por sua vez, permanecem ativos
durante muito tempo. No entanto, o processo de imunização funciona mesmo
quando é respeitado o intervalo mínimo entre as doses. "O aumento desse
intervalo não invalida as doses anteriores. Por isso, não é preciso reiniciar
o calendário caso se perca o prazo de uma vacina. Continue do ponto em
que parou", ensina a pediatra e infectologista Lily Yin Weckx, coordenadora
do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie) da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp).
No Brasil, os calendários oficiais de vacinação são elaborados pelo Ministério
da Saúde e Secretarias Estaduais de Saúde. A rede pública vacina bebês
contra 11 doenças. As primeiras doses são administradas logo após o nascimento,
como a Hepatite B e a BCG. Completam o quadro: poliomielite, hepatite
B e tetravalente Hib (aos dois meses); poliomielite e tetravalente Hib
(aos quatro meses); poliomielite, hepatite B e tetravalente (aos seis
meses); febre amarela (aos nove meses, somente nas regiões endêmicas);
tríplice viral (aos doze meses); reforço da tetravalente e poliomielite
(aos quinze meses); segundo reforço de tríplice viral, tetravalente e
poliomielite (cinco ou seis anos) e tétano (a cada dez anos).
As vacinas dadas em postos públicos têm a mesma qualidade das aplicadas
nas clínicas particulares - asseguradas através de exames realizados pelo
Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fundação Oswaldo
Cruz.
Também existe o calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria, que
acrescenta outras vacinas aos calendários oficiais. Mas atenção: quem
avalia a necessidade da criança tomar determinada dose é o pediatra.
Os efeitos da picada
Apesar de garantir a proteção contra várias doenças, nenhuma vacina é
100% eficaz. Eventos adversos raros existem sem que haja comprovação científica
definitiva de sua relação com a aplicação. "É o caso da paralisia infantil
após a vacina contra poliomielite. O risco dessa eventualidade é de um
para 2,4 milhões de doses oferecidas", diz o pediatra Alfredo Elias Gilio,
responsável pelo Centro de Imunizações do Hospital Israelita Albert Einstein.
Os pais também devem saber que é normal o aparecimento de reações como
febre, dor no local da picada, malestar, inchaço ou vermelhidão, geralmente
nas primeiras 48 horas após a vacinação, muitas vezes acompanhadas de
choro e manha. Mas que as lágrimas não 'comovam' os responsáveis, a ponto
de evitar a imunidade.
É preciso ficar atento ao cartão de vacinação e levá-lo toda vez que
for a uma consulta no posto de saúde ou ao pediatra. Confira a seguir
a ficha completa das principais vacinas infantis.
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