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Edição 12 - Abril/2005
 
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  Vacina contra Aids ainda parece distante
Estudos e testes avançam. Porém, resultados eficazes devem demorar pelo menos uma década

POR JAIRO BOUER

Foto: Julie Houck / CORBIS Stock Photos"Tenho lido notícias sobre pesquisas que envolvem a vacina para combater a Aids. Parece que os especialistas ainda não chegaram a uma solução. Por que é tão difícil encontrar a imunização contra o HIV?"

CLÁUDIO, POR E-MAIL

O primeiro teste de uma vacina contra a Aids ocorreu em 1987. Desde então, pelo menos 70 tentativas foram realizadas, todas sem sucesso. Um dos maiores obstáculos reside no fato de o HIV representar um vírus muito difícil de ser 'domado'. Explicando: como sofre constantes mutações, fica complicado achar um modelo de vacina que consiga barrar todas as suas pequenas variações. O vírus mais comum na África, por exemplo, é diferente do tipo que vemos no Brasil. E esse é só o início do problema...

Os testes da imunização em humanos também são um ponto bem delicado. Toda vacina nova precisa passar por três fases de experimentação após os estudos em laboratório. Na primeira, verifica-se a tolerância à droga, quais são seus efeitos colaterais e se ela estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos. Essa fase é feita com um número relativamente pequeno de voluntários. Na segunda etapa é pesquisada qual a dose ideal para a vacina e como ministrá-la (por via oral, injetável, no braço, nos glúteos...), e a quantidade de pessoas que passam pelo teste aumenta. Somente na terceira fase é que se pode concluir se o processo é realmente eficaz para barrar a infecção. Poucas pesquisas para a vacina do HIV conseguiram atingir essa última e decisiva etapa.

Além disso, imagine todo o sistema de segurança envolvido com esses experimentos. Os cientistas definitivamente não querem arriscar que os voluntários sejam contaminados. Ou seja, as pesquisas iniciais têm de ser muito rigorosas, pois a vacina (feita a partir do vírus atenuado ou de um pedaço dele) não pode, em hipótese alguma, ser capaz de infectar o voluntário.

Isso sem contar a questão ética. Vamos supor que as pesquisas avancem bastante, que a vacina seja bem tolerada e que as respostas imunológicas sejam satisfatórias. Como tirar a prova de fogo? Pedindo para que os voluntários façam sexo sem uma proteção e as mães soropositivas amamentem seus humafilhos? Percebeu o tamanho do dilema que os cientistas enfrentam?

Hoje as pesquisas mais avançadas caminham na direção da vacina terapêutica. Ela não serve para prevenir o mal em quem ainda não está infectado, mas sim para tentar ajudar os soropositivos a eliminar a Aids. Desta forma, talvez seja possível reduzir a dosagem dos remédios e até suspendêlos temporariamente - o que diminuiria os custos dos tratamentos e reduziria os fortes efeitos colaterais que as drogas de combate à doença causam.

Mas parece que tudo isso ainda vai demorar um pouco. Apesar de um novo teste ter sido anunciado recentemente na Índia, a Organização Mundial da Saúde (OMS), através da médica Marie-Paule Kieny, descarta qualquer possibilidade de que um produto chegue ao mercado nos próximos cinco anos. O mais provável é que demore 10 anos. Além disso, segundo a especialista, mesmo que seja descoberta a imunização, a primeira geração do medicamento dará proteção de apenas 30% a 50%. A idéia, no entanto, é prosseguir com os estudos para que a segurança atinja os 90%.

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  por Jairo Bouer: Av. Alfredo Egídio de Souza Aranha, 100, Bloco B, 8o andar, Gja. Julieta, São Paulo, SP, CEP 04726-170 jairobouer@simbolo.com.br
   

 
JAIRO BOUER É MÉDICO PSIQUIATRA (SP)
   


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