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Edição 12 - Abril/2005
 
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  Tratamento ortomolecular: A busca do equilíbrio
A terapia defende a harmonia bioquímica do organismo para afastar doenças, a partir do controle de moléculas essenciais ao bom funcionamento dos órgãos e sistemas

POR DANIELA TALAMONI

1 - Qual o princípio dessa terapia?
O prefixo orto vem do grego 'orthos' e significa 'correto'. A própria palavra ortomolecular, portanto, resume o objetivo dos médicos que adotam esse tipo de tratamento: a correção das moléculas. Na prática, trata-se de uma terapia que procura equilibrar as reações químicas do organismo, por meio do controle e manutenção de nutrientes, como vitaminas, sais minerais, ácidos graxos, aminoácidos, entre outros, essenciais ao bom funcionamento dos órgãos e sistemas. Partimos da evidência que, se houver algum desequilíbrio orgânico, isso irá gerar uma produção em excesso dos radicais livres, moléculas tóxicas, que, por sua vez, agirão como ferrugem, facilitando o aparecimento de doenças. O conceito parece novo, mas não é. Há cerca de 30 anos, a terapia foi sugerida por Linus Pauling, prêmio Nobel de Química e conhecido mundialmente por seus trabalhos e pela defesa do uso diário da vitamina C. Ele acreditava que a substância evitaria o câncer de próstata, embora tomasse uma quantidade bem exagerada (16 gramas, quando o recomendado é de um a dois gramas). Bem, Linus morreu aos 94 anos, época em que foi acometido pela tal doença que combatia. Contudo, continuou defendendo a terapia. Ao ser questionado por um jornalista que colocava em dúvida a eficácia da reposição de nutrientes, o químico respondeu que no seu caso o método havia funcionado, uma vez que acabou adiando o aparecimento de um mal a que já estava predisposto. Hoje, ao receitar o ferro contra a anemia e o cálcio para curar a osteoporose, o médico parte do mesmo raciocínio.

2 - Mas alimentação correta não é arma suficiente contra radicais livres?
Mesmo que as pessoas adotassem cardápios saudáveis, equilibrados e evitassem estresse, poluição e contato com qualquer tipo de conservante, radiação e drogas (como álcool e cigarro) - atitudes que ajudariam a combatê-los -, os radicais livres ainda continuariam a ser produzidos pela respiração. Afinal, são formados a partir do oxigênio. O fato é que essas substâncias tóxicas em si não causam estragos - até 5% ajudam a eliminar bactérias intrusas. O problema está em seu excesso. O organismo produz antioxidantes capazes de eliminar as sobras indesejáveis. A terapia ortomolecular entra em ação somente quando essa quantidade de radicais supera a capacidade de defesa natural.

3 - Todas as doenças estão ligadas ao excesso dessas substâncias tóxicas?
Por herança genética, cada pessoa está predisposta a determinados problemas de saúde. Isso faz com que o organismo tenha dificuldades de absorver bem certos nutrientes ou passe a solicitá-los ainda mais para poder se defender de futuros males. Por isso, manter a dose ideal dessas substâncias evita o aparecimento da doença. Os radicais livres causam primeiro as disfunções (tensão pré-menstrual, mudanças de humor repentinas, dores de cabeça e no corpo, aumento de peso, entre outras) que, se não forem contidas, geram doenças. Eu, por exemplo, tive depressão forte, por uma deficiência nutricional que poderia ter desencadeado um diabetes. Descobri isso depois que comecei a estudar os princípios da terapia ortomolecular e aplicá-los em mim. Não tomava antidepressivos (eles provocavam várias reações), então a reposição de nutrientes (uma vitamina e uma erva) foi o que começou a equilibrar meu organismo, curando-me do quadro depressivo.

4 - Essa reposição é feita de que forma?
As doses são individuais e levam em conta as deficiências nutricionais, os exames e o histórico de cada paciente. Geralmente, as vitaminas, sais minerais, enfim, os antioxidantes são administrados por meio de remédios manipulados ou, em casos mais graves (quando a reposição precisa ser imediata), através de aplicação de soro. Quando o paciente atinge o equilíbrio, a medicação é suspensa e ele é orientado a manter a harmonia a partir da adoção de hábitos mais saudáveis e da busca dos nutrientes nos alimentos.

5 - Como os médicos ortomoleculares conseguem identificar o tipo de nutriente que está em falta?
O histórico médico e eventuais disfunções, sintomas e doenças manifestadas ou relatadas pelo paciente fornecem algumas pistas. Hoje, porém, existem exames cada vez mais modernos e específicos que auxiliam nessa tarefa. O mineralograma capilar, por exemplo, com a ajuda de um sistema computadorizado e moderno é capaz de detectar no organismo, a partir da análise dos fios de cabelo, a presença de metais tóxicos e pesados (mercúrio, chumbo, entre outros), assim como aqueles minerais nutritivos (cálcio, magnésio, cromo, enxofre, boro, etc). Já o exame da gota de sangue, graças ao apoio de um microscópio conectado a uma filmadora, revela na hora sinais da capacidade de absorção gastrointestinal do paciente e da presença dos temidos radicais livres.

6 - Crianças precisam reequilibrar o organismo?
Doenças que afetam a garotada, como alergias, asma, gripes fortes, hiperatividade, por exemplo, estão geralmente associadas a desequilíbrios orgânicos. Nesse caso, a terapia poderia ajudar. Mas é claro que a reposição dos antioxidantes é mais necessária com o passar dos anos, à medida que o envelhecimento começa a reduzir as defesas imunológicas, perturbar as funções orgânicas e favorecer o aparecimento de radicais livres. Após os 26, todos deveriam fazer um exame a cada dois anos para avaliar a quantidade de moléculas.

7 - Por que, afinal, o tratamento ortomolecular ainda não é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)?
Nós não temos interesse em ser uma especialidade da medicina, mas sim funcionar como terapia complementar para a prevenção e o tratamento de doenças. Neste sentido já somos reconhecidos pela Resolução nº 1.500 de 1998.

 
Fonte: Marcos Natividade, cardiologista, especialista em medicina ortomolecular, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Biomolecular e Radicais Livres
   


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