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Edição 12 - Abril/2005
 
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  Tempo de asma
Com a chegada do outono aumentam as crises provocadas por essa doença que já atinge 300 milhões de pessoas. Mas os médicos advertem: o controle dos sintomas deve ser feito o ano todo

POR DANIELA TALAMONI
FOTO FERNANDO GARDINAL

Bastou uma mudança repentina na temperatura, um treino mais forte na academia, uma brincadeira com o cachorro ou o simples contato com o pó espalhado durante a faxina para a crise ser desencadeada. Tudo se inicia com um aperto no peito, em seguida vem a tosse seca e aquele chiado típico, um assobio forte e involuntário que sai dos pulmões e pode ser ouvido à distância. Finalmente, a pessoa começa a sentir falta de ar e, se não for socorrida em tempo, tem uma parada respiratória e morre. A descrição de um ataque de asma até parece exagerada, mas, de acordo com a Global Initiative For Asthma (GINA), entidade criada em conjunto com a Organização Mundial da Saúde, há pelo menos 300 milhões de pessoas no mundo acostumadas a conviver na pele (ou nos pulmões) com todos esses sintomas e riscos. No Brasil, a doença crônica, responsável pela inflamação das vias aéreas e constrição dos brônquios, provoca quase 400 mil internações anuais e uma morte a cada quatro horas - ou seja, são mais de dois mil falecimentos todo ano devido às crises asmáticas. E o que é pior: o número de vítimas menores de 14 anos dobrou nas últimas duas décadas. Estima-se que sete milhões de crianças sofram com a enfermidade. Dessas, três em cada quatro têm tosse noturna e chiado no peito no mínimo duas vezes ao mês, e três em cada cinco não conseguem participar de uma brincadeira sem ofegar.

As estatísticas seriam suficientes para qualquer um levar o assunto bem a sério. Infelizmente, apesar das descobertas sobre os mecanismos complexos envolvidos no processo inflamatório e as novidades em remédios e formas de usá-los, ainda há muita desinformação impedindo o controle desse mal. Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), somente 15% dos portadores de asma moderada e grave usam regularmente medicamentos contra a doença. Resultado: as crises passam a causar um impacto forte na vida do asmático, aumentando as idas ao pronto-socorro, as hospitalizações, as faltas à escola e ao trabalho e os problemas de saúde decorrentes do constante despertar noturno e da limitação na prática esportiva e das atividades diárias.

Prevenir é controlar

A asma geralmente é mais freqüente na criança do que no adulto. O início do quadro se dá, na maioria das vezes, antes dos cinco anos de idade - um terço dos casos, antes dos dois anos. A incidência é maior entre os meninos, na proporção de dois para cada três casos - embora na adolescência as meninas sejam mais acometidas. A doença não é contagiosa nem virótica. Os sintomas e crises são desencadeados pela interação entre fatores genéticos e a exposição a gatilhos, também chamados de alérgenos (poeira domiciliar, ácaros, animais domésticos, mofos ou bolores, poluição, mudanças climáticas) que variam muito de um asmático a outro. Cabe ao médico ajudar o paciente a identificar os fatores desencadeantes e a mantê-los bem afastados. O exame de sangue para constatar a presença da imunoglobina E (IgE) - anticorpo que em contato com os vários tipos de alérgeno é produzido em excesso e aciona o mecanismo alérgico - ajuda a detectar qual o possível gatilho do ataque de asma em cada paciente. A partir daí, pode ser feita uma imunoterapia preventiva - ou seja, uma vacinação (anti-IgE). Porém, a indicação e eficácia desse procedimento dependem da precisão do diagnóstico, da idade do paciente e de uma série de fatores envolvidos. Outros métodos auxiliares para evitar as crises são psicoterapia, atividades físicas adaptadas e fisioterapia, por meio da drenagem de secreções e exercícios respiratórios. E não termina aí.

Assim como quem tem hipertensão pode medir sua pressão em casa, o asmático também pode - e deveria - verificar diariamente o grau de obstrução das suas vias aéreas. Uma maneira fácil de quantificar isso é através de um aparelho chamado Pico de Fluxo Expiratório ou PFE. Vendido em lojas especializadas em equipamentos médicos ou para alérgicos, ele permite que seja feita uma prova de função pulmonar bastante simplificada. "Funciona como o brinquedo do parque de diversões no qual você dá uma martelada bem forte e um tipo de ponteiro sobe até a marca definida. No caso do aparelho, portátil, a força é feita pelos pulmões. Após inspirar profundamente com a boca aberta, o asmático assopra com toda força e velocidade possíveis, com os lábios colados a um bocal. Em seguida, o PFE revela a medida", descreve a pneumologista Iara Nely Fiks, no livro Asma - Superando Mitos e Medos, da Editora Claridade.

Existe uma tabela com os valores considerados normais, mas o ideal é descobrir qual o mais indicado para cada pessoa. Para isso, recomendase que médico e paciente analisem o PFE por 20 dias (de manhã e à noite) até que seja obtida uma média.

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