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O peso real da obesidade Especialistas garantem que fatores emocionais, culturais e sociais (desconsiderados em boa parte dos programas de emagrecimento) colaboram para elevar os ponteiros da balança
POR DANIELA TALAMONI FOTOS GAL OPPIDO
Mexendo com a auto-estima
De acordo com o psiquiatra do PRATO, a obesidade provoca um clima de
rejeição tão grande que priva o indivíduo do convívio social e afeta inclusive
os seus direitos de cidadão. Ele deixa de sair de casa e prefere se empanturrar
de guloseimas em frente à TV a ter de enfrentar o constrangimento de não
conseguir passar pela catraca do ônibus. "Também se sente incapaz de levar
uma vida afetiva e sexual saudável e passa a valorizar demais outros aspectos
da sua personalidade, como a inteligência, dedicando-se em exagero ao
trabalho, por exemplo", completa a psicóloga e especialista em obesidade
Silvana Martani (SP), da Clínica da Beneficência Portuguesa. Isso, porém,
quando o peso não é um empecilho para o sucesso na carreira. No novo seriado
Fat Actress(Atriz Gorda), do canal a cabo Showtime, ainda sem data prevista
para estrear no Brasil, a ex-protagonista de Veronica's Closet, Kristie
Alley (com seus reais quilinhos extras) conta com bom humor a saga de
uma atriz desempregada e abalada psicologicamente que não consegue emprego
por causa do 'corpão'.
Paralelamente à luta contra a obesidade também cresce um movimento internacional
de apoio aos gordinhos que tem deixado a comunidade médica de cabelo em
pé. Denominado International Size Acceptance Association (ISAA), seus
ativistas defendem o direito de ser feliz, independente do peso. São contra
a cirurgia de estômago, os remédios e até os cálculos do IMC - sigla de
Índice de Massa Corpórea, que é o peso dividido pela altura ao quadrado
-, usado mundialmente para definir se uma pessoa é obesa. "Não existe
um peso ideal, mas aquele que nos faz sentir bem. Quando você deixa de
se preocupar em conquistar o corpo perfeito e começa a se cuidar de maneira
saudável, o emagrecimento passa a ser algo natural e secundário", acredita
Denise Neumann (SP), responsável pela Magnus Corpus, versão brasileira
da ISAA. Ela tem 1,61 m, 128 quilos e, segundo diz, saúde perfeita, graças
a natação e reeducação alimentar, que faz com a ajuda de nutricionista.
Os médicos continuam achando que soluções radicais, quando bem aplicadas
em alguns casos, são a única forma de evitar complicações que podem inclusive
levar à morte. Contudo, concordam que essa movimentação em prol dos gordos
possa ajudar muita gente a recuperar a autoconfiança, bem como o respeito
e o amor-próprio. Resultado: fica mais fácil encarar o espelho e buscar
mudanças definitivas.
| Pode
apostar: ao recuperar a autoconfiança você
dá um passo definitivo rumo às pazes com a balança |
Armadilhas do inconsciente
Alguns pensamentos e atitudes perante a vida - ou em frente à mesa -
são típicos de quem tem a cabeça gorda, não importa o tamanho do corpo
no momento. Veja ao lado quais são essas armadilhas do inconsciente, de
acordo com especialistas em obesidade, e tente fugir delas se quiser viver
em harmonia com a silhueta.
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'Os alimentos são os vilões'. Foi pensando assim que muita gente
aplaudiu de pé o documentário Super Size Me - A Dieta do Palhaço,
em que o diretor decidiu provar que as opções do Mc Donald's podem
fazer mal e engordar, por meio de um método nada inteligente: durante
um mês ele se fartou só com as sugestões de lanches da rede. Quem
não engordaria? O problema não é o que se come, mas como se come.
Culturalmente, desde que nascemos, os alimentos estão carregados
de outras conotações. Como prova de carinho muitas mães fazem de
tudo para manter seus bebês gordinhos e não deixam de presentear
com uma sobremesa os obedientes (embora essas atitudes sejam criticadas
de forma veemente pelos médicos). Também é ao redor da mesa que
temos a oportunidade de encontrar os amigos, reunir a família e
também celebrar uma nova fase no relacionamento amoroso... "A principal
dificuldade é quando as refeições passam a ser a única fonte de
prazer na vida", explica o psiquiatra Ezequiel José Gordon.
'Com alguns quilos a menos, minha vida mudaria'. Isso é o que impõe
a ditadura da magreza no mundo ocidental. O problema é que, no lugar
de incentivar as pessoas a emagrecer, o slogan estimula a sensação
de culpa em quem está poucos quilos acima do peso, além de promover
a procura por soluções mágicas e imediatas. Resultado: anorexia
e bulimia caminham junto com a obesidade. Quem deseja um emagrecimento
duradouro e saudável deve pensar justamente o contrário: se eu mudar
a minha vida, perderei peso. O caminho é certamente mais difícil,
mas os resultados são mais eficazes. Buscar uma ajuda psicológica
para tentar desatar as amarras impostas pela indústria da beleza
pode ser a saída.
'Gordinhos são mais preguiçosos'. Não é verdade. O excesso de peso
pode, sim, desanimar a busca pelas atividades físicas, uma vez que
nas academias de ginástica eles geralmente são alvo de alguns olhares
repressores. Porém, como pesquisas demonstram que um gordinho ativo
pode ter mais saúde que um magrinho sedentário, não param de surgir
opções de exercícios para esse público. O Núcleo de Qualidade de
Vida da Universidade São Marcos, por exemplo, oferece atendimento
gratuito a obesas adolescentes e adultas, por meio de orientação
e conscientização corporal. Uma das aulas bem procuradas é a dança
do ventre. "Graças à sensualidade da atividade, há também um estímulo
à recuperação da autoestima", garante o nutrólogo e coordenador
do Núcleo, Mauro Fisberg (SP).
'Quero ser emagrecido'. No fundo é difícil assumir a sua cota de
responsabilidade no processo. Muitos gordinhos preferem imaginar
um complô que esteja boicotando as suas tentativas de afinar a admitir
seu fracasso. Passam, então a ter pena de si mesmos e aumentar a
passividade diante do excesso de peso. Nesse estado de inércia,
quando vão até um spa ou consultório médico depositam toda a sua
confiança nos profissionais. Se não funcionar, é porque são incompetentes.
"É como se o corpo gordo fosse um pneu que as pessoas deixam no
borracheiro e buscam depois de alguns minutos quando o serviço estiver
terminado", compara Ezequiel Gordon. Pensar assim só gera mais frustrações
e quilos na balança.
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Realização: Luana Prade. Maquiagem e cabelo: Andrea Braga (Agência First).
Modelo: Flávia (Agência Wired). Modelo veste: regata vermelha Fit Maxx,
boxer branco sem costura Plie. PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 |
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