Viva Saúde
Edição 12 - Abril/2005
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  O peso real da obesidade
Especialistas garantem que fatores emocionais, culturais e sociais (desconsiderados em boa parte dos programas de emagrecimento) colaboram para elevar os ponteiros da balança

POR DANIELA TALAMONI
FOTOS GAL OPPIDO

Afinal, por que não emagrecemos?

A comunidade científica já absolveu muitos gordinhos da culpa pelo resultado na balança após identificar mais de 250 genes que favorecem o acúmulo de gordura, mantêm o metabolismo lento ou aumentam o apetite. Mas o fato de algumas pessoas terem negado a herança genética e feito as pazes com o espelho sugere que, nas tentativas frustradas de emagrecimento, outras razões mais fortes possam estar envolvidas. Ainda faltam comprovações científicas para dizer até que ponto fatores emocionais, culturais e sociais conduzem à obesidade, porém os médicos concordam que de alguma forma eles colaboram - e muito - para o ganho e manutenção do peso. De acordo com o psiquiatra Ezequiel José Gordon, responsável pelos grupos de psicoterapia do Projeto de Atendimento ao Obeso (PRATO), do Hospital das Clínicas de São Paulo, quase todos os pacientes apontam o formato corporal, redondo e disforme como grande culpado por sua infelicidade. Entretanto, quando conseguem perder peso, são raros os que se mantêm magros. "Isso porque o corpo emagreceu, mas a cabeça continuou 'gorda', resume Ezequiel. Para ele, é impossível afinar sem reeducação alimentar e exercícios, mas o tratamento deveria ir além do aspecto físico e contar com uma equipe multidisciplinar, composta por endocrinologistas e nutricionistas, além de psicólogos e até psiquiatras. Caso contrário, os anseios do sujeito por trás das gordurinhas correm o risco de ser desconsiderados.

Uma prova do perigo desse descaso é a parcela de ex-obesos mórbidos que, depois de emagrecerem com a cirurgia bariátrica, desenvolvem depressão, bulimia, anorexia, dependência de álcool e drogas, compulsões por jogos, compras ou sexo. "A redução do estômago não permite que eles descontem mais nos alimentos as carências psicológicas, entre outras razões inconscientes que os levaram a engordar. Por isso, é comum procurarem novas válvulas de escape", acredita Ezequiel Gordon. O psiquiatra Adriano Segal lembra, porém, que isso ocorre com a minoria. "Geralmente, após a cirurgia, há melhora significativa, inclusive emocional. De 500 pacientes que já acompanhei, só 1% apresentou esse problema", garante.

Se dieta e exercícios não têm funcionado para diminuir seus quilinhos extras, abra o coração - literalmente - com seu médico, nutricionista ou professor de ginástica. Talvez a solução esteja nas mãos de um outro profissional: o psicólogo

Foto: Divulgação "Não penso que as pessoas têm de ser magras. Elas devem, sim, ser felizes. Em algumas épocas, fui mesmo gordinha e feliz. Entenda: não tenho desejo de emagrecer. Quero estar é de bem com a vida! Hoje, venho afinando de uma forma natural. A comida deixou de ser uma fuga"
PRETA GIL É ATRIZ, CANTORA E RECENTEMENTE FOI CAPA DA REVISTA DIETA JÁ, NA QUAL DEU ESSE DEPOIMENTO, MOSTRANDO ESTAR DE BEM COM A VIDA E COM O CORPO

DA CABEÇA AO ESTÔMAGO
 
• Tudo começa com um bombom, depois vem o segundo, o terceiro... e lá se foi a caixa inteira. Embora o organismo já esteja saciado após algumas mordidas, o indivíduo continua comendo até se empanturrar. Em seguida, vem a sensação de culpa e o desespero para achar uma solução mágica que o faça dormir gordo e acordar magro. Como isso não ocorre, surgem frustração, desânimo e depressão e a saída é buscar algo que dê prazer. Sozinho, sem vontade de se arrumar para sair e quase conformado com a triste sina, o jeito é atacar outra guloseima. O mecanismo de compulsão é o mesmo que afeta viciados em álcool, cocaína e nicotina. E, segundo estudos, a explicação é tão emocional quanto química.
• Os organismos com excesso de peso produziriam pouca quantidade de serotonina, neurotransmissor relacionado às sensações de prazer e que tem a missão de avisar o cérebro que o estômago já está satisfeito.
• "Uma das razões para essa queda seriam as dietas restritivas, o hábito desesperado de ficar horas sem comer, o sedentarismo e o estresse provocado apenas pela idéia de fazer regime. Todos esses fatores costumam aumentar os níveis de insulina, substância que impede a produção daquele neurotransmissor", explica a endocrinologista Alessandra Rascovski (SP), chefe do Ambulatório de Obesidade Mórbida do Hospital das Clínicas, que acaba de concluir uma pesquisa, sugerindo a estreita relação entre tensão pré-menstrual grave, compulsão alimentar e baixa dosagem de serotonina.
• Para completar, o endocrinologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), João César Castro Soares, afirma que altas doses de insulina também bloqueiam a ação da lipase, enzima responsável pela queima de gorduras.
 

"Não agüentava mais ser obesa"
 

"Sempre fui gordinha, por uma predisposição à obesidade na família. A primeira consulta no endocrinologista foi aos sete anos, depois disso não parei de tentar mudar a silhueta com dietas, remédios... Na adolescência, era considerada a mais legal, a melhor amiga, mas aquela que ninguém queria namorar. Procurava compensar sendo culta e engraçada. As recompensas profissionais não demoraram a aparecer. Aos 22 anos, fui trabalhar na Rede Globo de Ribeirão Preto, o que me fez morar sozinha e aprender muito. Por outro lado, a dedicação ao trabalho me rendeu vários quilos a mais: comia muito mal. Quando engravidei estava com 126 quilos. Resultado: desenvolvi diabetes gestacional e enfrentei uma gravidez de risco, mesmo adquirindo só 5 kg nesse período. Quando a Júlia fez um ano, descobri que estava diabética. Foi a primeira vez que realmente fiquei com medo das conseqüências do meu excesso. Resolvi fazer a cirurgia bariátrica. Não agüentava mais ser obesa. A recuperação pósoperatória foi difícil. Até hoje os resquícios da minha cabeça de gorda me fazem achar que a roupa nunca vai servir e que não há espaço suficiente entre uma cadeira e outra para eu passar. Mas melhoro a cada dia. Minha maior felicidade não vi no espelho, mas ouvi do médico no consultório, quando ele me disse que eu não tinha mais diabetes e que, pelo meu IMC, agora sou considerada uma pessoa normal"

LEONOR CORRÊA APRESENTA O PROGRAMA MELHOR DA TARDE, NA REDE BANDEIRANTES, E É IRMÃ DO APRESENTADOR GORDINHO FAUSTO SILVA, DA GLOBO

 

Os especialistas em obesidade não acreditam que alguém possa engordar simplesmente por um certo tipo de carência ou insegurança. Mas todos concordam que estes sentimentos, como conseqüência da queda da auto-estima, podem transformar a alimentação em única fonte de prazer - e, conseqüentemente, fazer o indivíduo ficar cada vez maior.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.