A
gravidez foi desejada, o parto correu dentro da normalidade, o quartinho
do bebê em casa é um encanto, a família está em estado de graça com o
pequeno... O retrato de pura felicidade da nova mamãe nos primeiros dias,
no entanto, pode se quebrar devido a sentimentos confusos, que envolvem
tristeza, irritação, sensação de incapacidade. Tudo por conta da depressão
pós-parto que, segundo os especialistas, acomete de 8% a 26% das gestantes.
Os motivos são variados: da mudança hormonal às alterações radicais que
a chegada de uma criança causa na vida pessoal, conjugal, familiar, profissional
e social. A pedido de Viva Saúde, o ginecologista e obstetra
Carlos Eduardo Czeresnia e a psicóloga Ana Merzel Kernkraut, da equipe
do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), desmistificam o tema.
A mulher fica mais sensível depois do parto.
VERDADE
Isso acontece com a maioria. Do ponto de vista fisiológico, a reação é
semelhante àquela que ocorre com as fêmeas de outros mamíferos, sendo
provavelmente um instinto de proteção. Explica-se: segundo os estudiosos,
o plano da mãe natureza ao fazer com que a mulher reagisse ao meio ambiente
com irritabilidade ou até depressão seria o de torná-la mais preocupada
com o recém-nascido. Dessa forma, as chances de sobrevivência da prole
aumentariam. O mundo e a sociedade evoluiram muito, mas o fator biológico
continua ativo nas respostas dos seres humanos de todo o planeta.
As causas da depressão são apenas hormonais.
MITO
A acentuada queda dos hormônios sexuais depois do nascimento do bebê é
uma das principais razões. Contudo, há outros fatores importantes que
contribuem para o desenvolvimento da doença, como o relacionamento com
o marido e com a família. Além dessas condições ambientais, as características
psicológicas prévias de cada pessoa também interferem. Uma mulher com
tensão pré-menstrual acentuada ou processos depressivos anteriores está
mais sujeita a enfrentar o problema após a gravidez.
Os sintomas variam de leves a graves.
VERDADE
Eles são inúmeros e podem se iniciar com choro sem motivo, irritabilidade,
intolerância ao marido e familiares, insônia, inapetência, agressividade,
passividade e, em casos extremos, tendências suicidas. Na obra A Saúde
de Nossos Filhos, desenvolvida pelo Departamento de Pediatria do Hospital
Israelita Albert Einstein, a doença é categorizada em tristeza (também
conhecida como baby blues) e psicose puerperal. A forma mais comum é o
baby blues, transtorno de humor transitório em que os sintomas aparecem
por volta do quinto dia após o parto, desaparecendo espontaneamente depois
de duas semanas. Já a psicose puerperal é bem mais grave, pois apresenta
um quadro delirante, freqüentemente alucinatório, que aparece do segundo
dia a três meses depois do parto. O autodiagnóstico é difícil - muitas
vezes a mulher acha que está apenas cansada e com falta de energia. Por
isso, caso seja notada instabilidade emocional, o melhor é conversar com
o ginecologista, que pode avaliar com mais precisão e fazer o encaminhamento
para um especialista, em geral um psiquiatra, se necessário.
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