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Edição 12 - Abril/2005
 
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  Mitos e verdades sobre depressão pós-parto
A chegada do bebê traz alegria para a família. Algumas mulheres, porém, sentem tristeza e irritação nessa fase. Veja a seguir como lidar com esses altos e baixos

POR MONICA MARTINEZ
FOTO PRISCILA PRADE

A gravidez foi desejada, o parto correu dentro da normalidade, o quartinho do bebê em casa é um encanto, a família está em estado de graça com o pequeno... O retrato de pura felicidade da nova mamãe nos primeiros dias, no entanto, pode se quebrar devido a sentimentos confusos, que envolvem tristeza, irritação, sensação de incapacidade. Tudo por conta da depressão pós-parto que, segundo os especialistas, acomete de 8% a 26% das gestantes. Os motivos são variados: da mudança hormonal às alterações radicais que a chegada de uma criança causa na vida pessoal, conjugal, familiar, profissional e social. A pedido de Viva Saúde, o ginecologista e obstetra Carlos Eduardo Czeresnia e a psicóloga Ana Merzel Kernkraut, da equipe do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), desmistificam o tema.

A mulher fica mais sensível depois do parto.
VERDADE

Isso acontece com a maioria. Do ponto de vista fisiológico, a reação é semelhante àquela que ocorre com as fêmeas de outros mamíferos, sendo provavelmente um instinto de proteção. Explica-se: segundo os estudiosos, o plano da mãe natureza ao fazer com que a mulher reagisse ao meio ambiente com irritabilidade ou até depressão seria o de torná-la mais preocupada com o recém-nascido. Dessa forma, as chances de sobrevivência da prole aumentariam. O mundo e a sociedade evoluiram muito, mas o fator biológico continua ativo nas respostas dos seres humanos de todo o planeta.

As causas da depressão são apenas hormonais.
MITO

A acentuada queda dos hormônios sexuais depois do nascimento do bebê é uma das principais razões. Contudo, há outros fatores importantes que contribuem para o desenvolvimento da doença, como o relacionamento com o marido e com a família. Além dessas condições ambientais, as características psicológicas prévias de cada pessoa também interferem. Uma mulher com tensão pré-menstrual acentuada ou processos depressivos anteriores está mais sujeita a enfrentar o problema após a gravidez.

Os sintomas variam de leves a graves.
VERDADE

Eles são inúmeros e podem se iniciar com choro sem motivo, irritabilidade, intolerância ao marido e familiares, insônia, inapetência, agressividade, passividade e, em casos extremos, tendências suicidas. Na obra A Saúde de Nossos Filhos, desenvolvida pelo Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein, a doença é categorizada em tristeza (também conhecida como baby blues) e psicose puerperal. A forma mais comum é o baby blues, transtorno de humor transitório em que os sintomas aparecem por volta do quinto dia após o parto, desaparecendo espontaneamente depois de duas semanas. Já a psicose puerperal é bem mais grave, pois apresenta um quadro delirante, freqüentemente alucinatório, que aparece do segundo dia a três meses depois do parto. O autodiagnóstico é difícil - muitas vezes a mulher acha que está apenas cansada e com falta de energia. Por isso, caso seja notada instabilidade emocional, o melhor é conversar com o ginecologista, que pode avaliar com mais precisão e fazer o encaminhamento para um especialista, em geral um psiquiatra, se necessário.

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