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Edição 12 - Abril/2005
 
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  O trauma que vira doença
A violência a que estamos submetidos no dia-a-dia pode gerar o transtorno de estresse póstraumático. Saiba como enfrentá-lo

POR CACILDA GUERRA
ILUSTRAÇÃO TATO ARAÚJO

Uma pesquisa com cerca de mil voluntários que participaram dos trabalhos de resgate após o ataque ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, mostrou que 13% deles passaram a ter insônia e sobressaltos sem motivo, além de lembranças aflitivas e pesadelos freqüentes relacionados com o horror que haviam presenciado. Levando-se em conta o enorme impacto da tragédia, tais reações não chegam a causar estranheza. O que chama a atenção é que elas continuavam afetando os indivíduos muitos meses depois do evento. Essa dificuldade para superar as seqüelas psicológicas decorrentes de situações traumáticas foi descrita pela Associação Psiquiátrica Americana em 1980, com base em vários estudos feitos sobre o comportamento de veteranos da Segunda Guerra Mundial e da Guerra do Vietnã e de sobreviventes de campos de concentração nazistas.

Lembranças amargas
Chamada de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), a doença se caracteriza por ser conseqüência de um acontecimento extremamente estressante, durante o qual o indivíduo tem sua vida ou integridade física ameaçadas, ou presencia a morte, ferimentos graves ou ameaça física infligidos a outras pessoas. Tomar conhecimento de que um familiar ou alguém próximo vivenciou esses riscos também pode levar ao aparecimento do distúrbio.

Seja qual for o tipo de evento traumático - que varia de catástrofes naturais (como o recente tsunami na Ásia, furacão, terremoto) a situações de violência (seqüestro, assalto a mão armada, tiroteio, estupro) ou que envolve destruição (guerra, atentado terrorista, desastre aéreo, incêndio, enchente, acidente de carro de grandes proporções) -, ao vivenciá-lo a pessoa apresenta uma reação intensa de medo, desespero ou impotência.

A seguir, ela passa a reviver o choque de forma persistente, por meio de lembranças que surgem contra a sua vontade, de sonhos repetidos e da nítida sensação, durante a vigília, de que a tragédia está acontecendo de novo. Junto com essas recordações, costumam aparecer sintomas de ansiedade, como falta de ar, taquicardia, tremores, inquietação, tendência exagerada à preocupação e um estado de alerta constante que impede a pessoa de relaxar. A dificuldade de concentração e a predisposição ao isolamento são outros sinais do transtorno.

O diagnóstico, porém, é confirmado apenas quando esse sofrimento persiste por mais de um mês, prejudicando as atividades do dia-a-dia e afetando seriamente a vida pessoal e profissional. Isso porque o fato de um indivíduo ter passado por uma experiência traumática não significa necessariamente que ele vai desenvolver o mal.

Entre as pessoas expostas a um evento desse tipo, estima-se que 90% delas apresentam vários sintomas de TEPT nos dias posteriores ao choque, valor considerado normal. E, desse total, 95% ficam livres deles em pouco tempo, embora, é claro, as marcas emocionais do trauma possam permanecer para o resto da vida. "Nesses casos, as reações físicas e psicológicas vão desaparecendo gradualmente ou se tornam mais brandas, antes de decorrido o prazo de quatro semanas que serve como critério para caracterizar o distúrbio, enquanto os 5% restantes passam a ser classificados como TEPT", explica Luiz Vicente Figueira de Melo, médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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