Viva Saúde
Edição 12 - Abril/2005
 
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  Células-tronco
Elas representam uma chance para a descoberta de tratamentos de doenças como mal de Parkinson, diabetes, lesões na medula e graves problemas no coração. Entenda a seguir como funcionam

POR YARA ACHÔA
ILUSTRAÇÃO MARCELO GARCIA

O que são células-tronco?

São células que ainda não possuem características que as diferenciam e, por isso, apresentam grande capacidade de transformação. Graças a esse poder de mutação, podem vir a formar diferentes tecidos do corpo humano. As demais células, para se ter idéia, geralmente só conseguem fazer parte de um tecido específico (por exemplo: as células da pele apenas constituem a pele).

Onde são encontradas?

 embriões (1)
 tecidos adultos, como sistema nervoso, fígado, intestino e medula óssea
 cordão umbilical de recém-nascidos (2)

Quais são suas possibilidades terapêuticas?

Inúmeras. Os cientistas têm esperança na aplicação dessas células no tratamento de doenças, como o mal de Parkinson, diabetes, lesões na medula, alguns tipos de câncer e distúrbios do coração. Acredita-se ainda que, mais do que um emprego terapêutico, a principal contribuição das células embrionárias será para o conhecimento do mecanismo de diferenciação celular, chamado de transdiferenciação. O Ministério da Saúde pretende utilizar esse potencial para a cura de doenças e também para reconstituição de tecidos, pele, ossos e dentes.

Se as células-tronco podem ser retiradas de tecidos adultos, já desenvolvidos, por que os cientistas também querem trabalhar com as embrionárias?

Acontece que somente as embrionárias possuem características pluripotentes. Ou seja, têm a capacidade de produzir todos os 216 tecidos do corpo humano. Já as retiradas de um tecido adulto produzem poucos (oligopotentes) ou um único (unipotente) tecido.

De que forma a Lei de Biossegurança, aprovada no mês passado pelo Congresso Nacional, contribui para as pesquisas?
Ela permite que se use célulastronco embrionárias. Foi liberada a manipulação de embriões congelados em clínicas de fertilização assistida, que não serão utilizados. Estima-se que existam cerca de 30 mil desse tipo no Brasil. Há, porém, algumas restrições:
 os embriões precisam estar congelados há mais de três anos
 só podem ser usados por meio de doação e com consentimento dos pais
 não será permitido o comércio, nem sua produção e manipulação genética
 estão vetadas as clonagens terapêuticas e reprodutivas

O Brasil está apto para desenvolver estudos do gênero?

Sim. Nosso país encontra-se adiantado nas pesquisas com células-tronco adultas. O Ministério da Saúde investe, atualmente, no maior estudo com células-tronco adultas para o tratamento de doenças do coração já realizado no mundo. Serão aplicados R$ 13 milhões para avaliação de 1,2 mil pacientes cardíacos. Estarão envolvidos grupos de portadores de quatro diferentes doenças: infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica. Os indivíduos avaliados serão divididos em grupos, de acordo com o problema. Em cada um, a metade terá tratamento tradicional e a outra parte será submetida à terapia celular. Nesse caso, cada paciente receberá células-tronco de sua própria medula. Os outros terão acesso ao tratamento tradicional, com os melhores recursos disponíveis. Para as próximas semanas está prevista ainda a liberação de uma verba de mais R$ 5 milhões para o financiamento de estudos em terapia celular, inclusive com a utilização de células-tronco embrionárias. Os recursos serão usados para custear as chamadas pesquisas em fase préclínica (estudos de bancada e experimentos com animais) e clínica (experimentos em seres humanos).

(FONTE: MINISTÉRIO DA SAÚDE)


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