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Edição 12 - Abril/2005
 
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  Água de beber
Descubra o que está por trás do precioso líquido que você toma em casa. Cuidado: dependendo das condições em que é manipulado e do local armazenado, podem surgir riscos à sua saúde

POR ADRIANA DO AMARAL E YARA ACHÔA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Em sua marchinha de carnaval o artista baiano Carlinhos Brown canta: "Bebeu água? Não! Tá com sede? Tô! Olha a água mineral... Do Candeal... Você vai ficar legal..." A receita é mesmo certeira para aliviar a garganta seca: não há nada melhor do que o precioso líquido para refrescar. Mas a água que se bebe tem de ser mineral? Não necessariamente - esta é apenas uma forma de consumo. O fundamental é que seja potável. "A água que chega em casa hoje, pelo menos nas regiões metropolitanas, é confiável, pois as companhias públicas de abastecimento garantem qualidade até a caixa d'água do usuário", assegura José Luiz Negrão Mucci, biólogo, sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Já é uma garantia. Porém, a partir daí, dependendo da maneira como você a manipula ou armazena, podem surgir problemas para a saúde.

Faça a sua parte

O professor Pedro Germano, do Departamento de Prática de Saúde Pública da USP, alerta para a existência de microorganismos invisíveis a olho nu que podem comprometer a qualidade da água antes ou depois de ela chegar a seu copo. Entre eles estão o vírus da hepatite A, protozoários, coliformes fecais, bactérias e helmintos, que provocam doenças como cólera e leptospirose, além de infecções gastrointestinais. As principais vítimas são crianças, idosos e pacientes convalescentes ou com baixa imunidade. "Quando a pessoa tem um mal-estar intestinal, por exemplo, costuma 'culpar' a comida ingerida, sem se dar conta de que a responsabilidade poderia estar na água. É preciso ficar atento ao que se bebe", avisa o professor José Luiz Mucci.

DE OLHO NA QUALIDADE

A falta de fiscalização adequada das águas minerais é um problema que está prestes a ser solucionado, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve divulgar, neste semestre, a regulamentação sobre Boas Práticas de Fabricação para Indústrias de Água Mineral. A medida vai nortear desde a extração, manipulação, envase, armazenamento, transporte, até a exposição da água industrializada. Providência mais do que oportuna, uma vez que a comercialização é um fenômeno mundial - em 10 anos o Brasil registra um crescimento de 20% no setor, com o consumo anual de cerca de cinco bilhões de litros. Após a publicação da resolução, os responsáveis terão 180 dias para se ajustar às novas regras.
Ok, as empresas de abastecimento fazem a parte delas - filtrando, adicionando cloro e flúor, enfim, entregando a água potável em casa. Mas, e você, faz a sua? Primeiro é preciso adotar medidas básicas de higiene. A principal diz respeito à manutenção do reservatório residencial. "Limpar a caixa d'água de seis em seis meses e mantêla coberta diminuem os riscos", ensina o biólogo da USP. Se utilizar filtro de barro, lave as velas quinzenalmente, mas nunca com produtos abrasivos, que favorecem a reprodução dos microorganismos. Caso prefira os purificadores, a dica é seguir criteriosamente as instruções do fabricante quanto à higienização. Já em se tratando do popular galão de 20 litros - comprado através de distribuidoras, entregue em casa e emborcado em um suporte - a primeira recomendação feita é adquirir marcas idôneas, que garantam a qualidade do líquido a ser utilizado. Também é necessário uma rápida limpeza com álcool no bocal antes de usá-lo. E como sempre é bom prevenir, até mesmo a garrafa comprada no supermercado deve ser muito bem lavada externamente antes do consumo.


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