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Água de beber Descubra o que está por trás do precioso líquido que você toma em casa. Cuidado: dependendo das condições em que é manipulado e do local armazenado, podem surgir riscos à sua saúde
POR ADRIANA DO AMARAL E YARA ACHÔA FOTOS FERNANDO GARDINALI
Em
sua marchinha de carnaval o artista baiano Carlinhos Brown canta: "Bebeu
água? Não! Tá com sede? Tô! Olha a água mineral... Do Candeal... Você
vai ficar legal..." A receita é mesmo certeira para aliviar a garganta
seca: não há nada melhor do que o precioso líquido para refrescar. Mas
a água que se bebe tem de ser mineral? Não necessariamente - esta é apenas
uma forma de consumo. O fundamental é que seja potável. "A água que chega
em casa hoje, pelo menos nas regiões metropolitanas, é confiável, pois
as companhias públicas de abastecimento garantem qualidade até a caixa
d'água do usuário", assegura José Luiz Negrão Mucci, biólogo, sanitarista
e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
(USP). Já é uma garantia. Porém, a partir daí, dependendo da maneira como
você a manipula ou armazena, podem surgir problemas para a saúde.
Faça
a sua parte
O professor Pedro Germano, do Departamento de Prática de Saúde Pública
da USP, alerta para a existência de microorganismos invisíveis a olho
nu que podem comprometer a qualidade da água antes ou depois de ela chegar
a seu copo. Entre eles estão o vírus da hepatite A, protozoários, coliformes
fecais, bactérias e helmintos, que provocam doenças como cólera e leptospirose,
além de infecções gastrointestinais. As principais vítimas são crianças,
idosos e pacientes convalescentes ou com baixa imunidade. "Quando a pessoa
tem um mal-estar intestinal, por exemplo, costuma 'culpar' a comida ingerida,
sem se dar conta de que a responsabilidade poderia estar na água. É preciso
ficar atento ao que se bebe", avisa o professor José Luiz Mucci.
DE
OLHO NA QUALIDADE |
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A falta de fiscalização adequada das águas minerais é um problema
que está prestes a ser solucionado, já que a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) deve divulgar, neste semestre, a regulamentação
sobre Boas Práticas de Fabricação para Indústrias de Água Mineral.
A medida vai nortear desde a extração, manipulação, envase, armazenamento,
transporte, até a exposição da água industrializada. Providência mais
do que oportuna, uma vez que a comercialização é um fenômeno mundial
- em 10 anos o Brasil registra um crescimento de 20% no setor, com
o consumo anual de cerca de cinco bilhões de litros. Após a publicação
da resolução, os responsáveis terão 180 dias para se ajustar às novas
regras. |
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Ok, as empresas de abastecimento fazem a parte delas - filtrando, adicionando
cloro e flúor, enfim, entregando a água potável em casa. Mas, e você, faz
a sua? Primeiro é preciso adotar medidas básicas de higiene. A principal
diz respeito à manutenção do reservatório residencial. "Limpar a caixa d'água
de seis em seis meses e mantêla coberta diminuem os riscos", ensina o biólogo
da USP. Se utilizar filtro de barro, lave as velas quinzenalmente, mas nunca
com produtos abrasivos, que favorecem a reprodução dos microorganismos.
Caso prefira os purificadores, a dica é seguir criteriosamente as instruções
do fabricante quanto à higienização. Já em se tratando do popular galão
de 20 litros - comprado através de distribuidoras, entregue em casa e emborcado
em um suporte - a primeira recomendação feita é adquirir marcas idôneas,
que garantam a qualidade do líquido a ser utilizado. Também é necessário
uma rápida limpeza com álcool no bocal antes de usá-lo. E como sempre é
bom prevenir, até mesmo a garrafa comprada no supermercado deve ser muito
bem lavada externamente antes do consumo.
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