"Não
posso nem ouvir falar em dieta e controle de peso. Subir na balança me
faz lembrar tudo o que já sofri nos últimos anos para emagrecer. Meus
problemas começaram aos 12, após a primeira menstruação. Até então, era
bem magricela. De repente, fui ficando muito ansiosa e passei a devorar
doces e salgadinhos. Também não fazia exercícios, só queria comer. Resultado:
depois de um ano pesava 65 kg - um exagero, para quem media 1,60 m na
época.
Vivia de camisetas largas tentando disfarçar os quilinhos extras e decidi
tomar uma atitude. Por conta própria, elaborei uma dieta: eliminei radicalmente
todo o açúcar do cardápio e passei a comer muita salada, que eu detesto.
Também não jantava e, todo dia, cortava um alimento das refeições. Em
pouco tempo, estava com 35 kg!
Emagreci, sim, mas fiquei doente. Estava 'pele e osso' e ainda assim
conferia o peso até duas vezes por semana para ver se tinha engordado.
Só caí na real de que algo não ia bem quando meu corpo começou a reagir:
me sentia fraca o tempo todo, tremia muito e meus lábios ficavam roxos.
Percebi que precisava de apoio médico. Procurei um endocrinologista,
que me ajudou a atingir um peso saudável. Em 2002, aos 14 anos, não superei
os 55 kg. Minha alegria durou pouco. Sem acompanhamento constante e com
medo de voltar à anorexia, desenvolvi uma fome compulsiva e engordei de
novo. Cheguei a 76 kg! Entrei em depressão e saí da escola.
Vivia nervosa e não queria sequer pensar em emagrecer. Li uma matéria
sobre um tratamento com acupuntura e resolvi tentar - se não emagrecesse,
pelo menos me acalmaria. Na clínica, passei por vários exames, aprendi
a me alimentar de forma balanceada e, com sessões de acupuntura, reduzi
a ansiedade. Em dois dias já tinha conseguido perder 1 kg.
A volta por cima
Logo retomei os estudos e até a minha convivência com os amigos melhorou.
Para manter o peso, como bem devagar, bebo até oito copos de água por
dia e não saio de casa sem café da manhã. Também não abro mão dos carboidratos
- tenho pavor de voltar a ficar fraca. Para driblar a ansiedade, adoro
me aventurar na cozinha e inventar receitas. A maior mudança, no entanto,
foi minha nova atitude frente ao espelho: não importa se engordei um ou
dois quilos, o essencial é me sentir saudável. A autoestima está tão em
alta que decidi escrever um livro contando a minha história: quero ajudar
outros adolescentes que passam pelos mesmos apuros."
ENTENDA
BEM |
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Os distúrbios alimentares são agrupados em três categorias:
a recusa em manter um peso corpóreo mínimo normal (anorexia), a ingestão
excessiva de alimentos seguida pela indução do vômito (bulimia) e
o consumo de grandes quantidades de comida num curto espaço de tempo
(compulsão alimentar). Em todos, o estado emocional exerce grande
influência. No caso de Edmilla, a ansiedade foi o estopim, por isso
ela procurou uma clínica de emagrecimento que utilizasse a acupuntura
como tratamento coadjuvante. Ela freqüentou sessões semanais de auriculoterapia
(aplicações de agulhas na região da orelha) e adotou um plano alimentar
adequado. Depois de emagrecer com saúde, a jovem agora vai à clínica
uma vez por mês para monitorar o peso e receber orientações. "Se percebermos
que a ansiedade e os quilos estão voltando, marcamos sessões adicionais",
explica o médico Carlos Motta (SP). |
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DEPOIMENTO A DANIELA TALAMONI