Viva Saúde
Edição 11 - Março/2004
 
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  "Venci sérios distúrbios alimentares"
Edmilla Araujo, de 17 anos, enfrentou anorexia, compulsão e depressão para emagrecer. Hoje, está feliz com seu corpo e prefere nem saber quanto pesa

"Não posso nem ouvir falar em dieta e controle de peso. Subir na balança me faz lembrar tudo o que já sofri nos últimos anos para emagrecer. Meus problemas começaram aos 12, após a primeira menstruação. Até então, era bem magricela. De repente, fui ficando muito ansiosa e passei a devorar doces e salgadinhos. Também não fazia exercícios, só queria comer. Resultado: depois de um ano pesava 65 kg - um exagero, para quem media 1,60 m na época.

Vivia de camisetas largas tentando disfarçar os quilinhos extras e decidi tomar uma atitude. Por conta própria, elaborei uma dieta: eliminei radicalmente todo o açúcar do cardápio e passei a comer muita salada, que eu detesto. Também não jantava e, todo dia, cortava um alimento das refeições. Em pouco tempo, estava com 35 kg!

Emagreci, sim, mas fiquei doente. Estava 'pele e osso' e ainda assim conferia o peso até duas vezes por semana para ver se tinha engordado. Só caí na real de que algo não ia bem quando meu corpo começou a reagir: me sentia fraca o tempo todo, tremia muito e meus lábios ficavam roxos.

Percebi que precisava de apoio médico. Procurei um endocrinologista, que me ajudou a atingir um peso saudável. Em 2002, aos 14 anos, não superei os 55 kg. Minha alegria durou pouco. Sem acompanhamento constante e com medo de voltar à anorexia, desenvolvi uma fome compulsiva e engordei de novo. Cheguei a 76 kg! Entrei em depressão e saí da escola.

Vivia nervosa e não queria sequer pensar em emagrecer. Li uma matéria sobre um tratamento com acupuntura e resolvi tentar - se não emagrecesse, pelo menos me acalmaria. Na clínica, passei por vários exames, aprendi a me alimentar de forma balanceada e, com sessões de acupuntura, reduzi a ansiedade. Em dois dias já tinha conseguido perder 1 kg.

A volta por cima

Logo retomei os estudos e até a minha convivência com os amigos melhorou. Para manter o peso, como bem devagar, bebo até oito copos de água por dia e não saio de casa sem café da manhã. Também não abro mão dos carboidratos - tenho pavor de voltar a ficar fraca. Para driblar a ansiedade, adoro me aventurar na cozinha e inventar receitas. A maior mudança, no entanto, foi minha nova atitude frente ao espelho: não importa se engordei um ou dois quilos, o essencial é me sentir saudável. A autoestima está tão em alta que decidi escrever um livro contando a minha história: quero ajudar outros adolescentes que passam pelos mesmos apuros."

ENTENDA BEM
  Os distúrbios alimentares são agrupados em três categorias: a recusa em manter um peso corpóreo mínimo normal (anorexia), a ingestão excessiva de alimentos seguida pela indução do vômito (bulimia) e o consumo de grandes quantidades de comida num curto espaço de tempo (compulsão alimentar). Em todos, o estado emocional exerce grande influência. No caso de Edmilla, a ansiedade foi o estopim, por isso ela procurou uma clínica de emagrecimento que utilizasse a acupuntura como tratamento coadjuvante. Ela freqüentou sessões semanais de auriculoterapia (aplicações de agulhas na região da orelha) e adotou um plano alimentar adequado. Depois de emagrecer com saúde, a jovem agora vai à clínica uma vez por mês para monitorar o peso e receber orientações. "Se percebermos que a ansiedade e os quilos estão voltando, marcamos sessões adicionais", explica o médico Carlos Motta (SP).
   

DEPOIMENTO A DANIELA TALAMONI


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