Viva Saúde
Edição 11 - Março/2004
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

  Língua presa: o que é isssso companheirossss?
Há quem ache um charme o jeito de falar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a pronúncia do 's' entre os dentes é, na verdade, um distúrbio de fala que pode ser corrigido

POR DANIELA TALAMONI

Foto: Símbolo Imagens. Ilustração: Marcelo Garcia1 O que significa exatamente ter a língua presa?
Dois problemas muito diferentes ficaram conhecidos popularmente por esse nome, ambos envolvendo a má articulação da língua durante a fala e, como conseqüência, a dificuldade em emitir certos fonemas. O caso mais comum provoca o ceceio, ou seja, a pronúncia do 's' e 'z' com a língua posicionada entre os dentes da frente (interposição lingual). O segundo, este sim merecedor da expressão, é caracterizado pela dificuldade de pronunciar a letra 'l', porque o freio lingual (aquele filete de pele que fica embaixo da língua) é muito curto. Nesse caso, a ponta da língua não consegue alcançar de forma alguma o céu da boca e por isso fica muito difícil emitir o som característico dessa consoante. A língua torna-se um empecilho durante a fala.

2 Trocar a letra 'r' pela 'l' pode ser um sintoma?
Não necessariamente. Diversos estudos recentes demonstram que a criança que diz 'balata' no lugar de 'barata' pode fazê-lo por inúmeras razões, sem que haja qualquer problema com o posicionamento ou aspecto da sua língua. Portanto, só mesmo um especialista é capaz de fazer o diagnóstico correto.

3 Quais as causas desses distúrbios?
Se o chiado e a dificuldade de pronúncia são caracterizados pelo encurtamento do freio da língua, o problema ocorre por uma má-formação que pode ser identificada desde o nascimento. O bebê costuma encontrar obstáculos para mamar e em situações mais graves a língua mal sai da boca, sendo dividida por um sulco bem ao meio toda vez que é esticada. Esse fenômeno é facilmente obervado pelos pais, familiares ou médicos quando a criança chora, por exemplo. Agora, quando não é esse o caso, os tropeços na fala são mesmo causados pelo mau posicionamento da língua decorrente de inúmeras razões, desde maus hábitos orais na infância, como chupar o dedo ou chupeta, usar mamadeira com furo muito grande ou respirar apenas pela boca, até a posição incorreta dos dentes e má audição. Acontece o seguinte: os padrões respiratórios e de deglutição inadequados vão alterando o tônus dos músculos orofaciais, fazendo com que a língua se torne mais flácida e altere a sua posição habitual.

4 Há como reverter o problema na fala?
Sim. Porém, por não depender de medicamentos, é necessário que haja um grande esforço do paciente para que a correção realmente tenha êxito. Com o apoio de equipe multidisciplinar (composta geralmente por alergista, otorrinolaringologista, dentista, fonoaudiólogo, odontopediatra, entre outros especialistas), o tratamento mais usual geralmente recomenda exercícios faciais específicos, em sessões de fonoaudiologia. Em casos mais graves, quando a língua quase nem se movimenta por conta do encurtamento do freio lingual e o tratamento fonoaudiológico se mostra ineficaz, é indicada a operação. O procedimento cirúrgico é simples: faz-se um leve picote no freio para, literalmente, soltar a língua do paciente.

5 A intervenção deve ser feita em qualquer idade? Ou apenas na fase adulta?
Em geral, a recomendação é para que o tratamento de uma maneira geral seja iniciado o quanto antes, até mesmo em crianças pequenas que mal começaram a falar. Isso evitaria, além de constrangimentos e dificuldades de aprendizado na escola, as eventuais compensações na fala. Quanto à cirurgia, também não há limite de idade, mas só mesmo um médico otorrinolaringologista e um fonoaudiólogo, juntos, poderão indicar o melhor momento.

6 O tratamento é realmente necessário em qualquer situação?
Apenas especialistas nesses distúrbios, ou seja otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos poderão responder isso ao paciente. E, por essa razão, devem sempre ser procurados para verificar caso a caso. Se acharem que o problema de fala poderá causar algum prejuízo mais sério no futuro, o procedimento e/ou cirurgia poderão ser recomendados. Do contrário, ou seja, quando o desvio se limita às dificuldades de pronúncia e o adulto não se sente constrangido ou sequer incomodado, a reparação passa a ser um procedimento opcional.

7 Há garantia de cura definitiva para o paciente?
A correção da fala não depende da utilização de medicamentos e, na maioria das vezes, tampouco de procedimento cirúrgico. Portanto, para que ocorra qualquer progresso, é indispensável a colaboração do paciente. Além de ajuda médica especializada, ele precisa realmente desejar as mudanças.

 
Maria Aparecida Buchina Alfano (SP), fonoaudióloga especializada em distúrbios articulatórios, de leitura e escrita
   


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.